segunda-feira, 7 de julho de 2008

Inajá (Maximiliana maripa)

O Inajá (Maximiliana maripa (Aublet) Drude), pertencente a família Arecaceae (Palmae), é uma palmeira, nativa do Brasil, pode ser encontrado da Amazônia ao Centro-Oeste brasileiro e em regiões adjacentes na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, tendo sua maior incidência no Estado do Pará e mais precisamente no estuário amazônico, onde parece ter a sua origem, chegando até o Maranhão.



Ela ocorre em áreas de florestas primárias e secundárias, campos naturais e cerrados, e, principalmente, em áreas alteradas pelo homem, especialmente as áreas de pastagens. Embora tolere áreas alagadiças, ela é mais adaptada aos lugares com solos bem drenados (FAO, 1983).

É tolerante a queimadas, pois, as plantas jovens, ao serem queimadas para o cultivo de pastagens, rebrotam com vigor e as sementes, que estavam em processo de dormência, germinam rapidamente.

No Acre, ela ocorre com mais freqüência na vale do rio Acre, especialmente nos Municípios de Rio Branco, Senador Guiomard, Plácido de Castro e Acrelândia (Ferreira, 2005).

Nomes Populares: Anaiá, Anajá, Aritá, Coqueiro-Anaiá, Inajá, Inajazeiro, Maripá e Najá.

Botânica/Descrição/Variedades

A Planta:

O inajá é uma palmeira de porte mediano, estipe solitário anelado, medindo de 3 a 20 metros de altura, com tronco de 15 a 25cm de diâmetro.

Ela ocorre em áreas de florestas primárias e secundárias, campos naturais e cerrados, principalmente, nas alteradas pelo homem, em especial as de pastagens, e que passaram por um processo de queimada.

As Folhas:

Suas folhas são rígidas, eretas e arranjadas em espiral no ápice do estipe em número de 11 a 25 contemporâneas, de 5 a 8 m de comprimento, dispostas em cinco direções.

As bainhas foliares possuem fibras densamente arranjadas, formando uma espécie de “pano”.

O pecíolo das folhas é bastante alongado e possui as margens afiadas e cortantes. As folhas ao caírem deixam fixas ao tronco, por um longo tempo, as bases parte dos seus pecíolos.

Bainha e pecíolo juntos podem medir entre 1,5 e 2,3 m de comprimento.

As pinas das folhas são arranjadas em várias direções, dando às mesmas um aspecto desarranjado.

Os Frutos:

Os frutos possuem casca fina e polpa suculenta e comestível, amarelada, pastosa e muito oleosa. Eles são relativamente pequenos e geralmente cobertos no seu terço inicial pelo perianto. Seu formato lembra um pouco os frutos da palmeira jaci (Attalea butyraceae) em menor escala (Ferreira, 2005). Cada fruto pode apresentar entre 2 e 3 sementes (Lorenzi et al., 2004). A dispersão das sementes é realizada por mamíferos (Zona & Henderson, 1989). Período de frutificação: de janeiro a julho (Lorenzi, 2000)

A Floração:

A floração da ocorre entre agosto-dezembro (Lorenzi, 2000), com suas inflorescências sendo interfoliares (Lorenzi, 2000).

A polinização é feita por abelhas nativas - Melipona spp. (Absy et al., 1980).

Necessidades do Inajazeiro

  1. Solos: O inajá é tolerante a inundações e a condições de baixa fertilidade do solo. Embora tolere áreas alagadiças, ela é mais adaptada aos lugares com solos bem drenados (FAO, 1983).
  2. Clima: Tropical
Usos do Inajazeiro

Os principais usos da espécie são:

  1. Frutos: Tem grande potencial para a produção de óleo. Cada um de seus cachos pode pesar mais de 50 kg e apresentar mais de 2.000 frutos. Além disso, o teor de óleo dos frutos é de aproximadamente 23% de óleo (Blaak, 1993) e a viabilidade para a extração em escala do seu óleo já foram realizados na Colômbia (FAO/CATIE, 1983).

    A polpa dos frutos é usada pelas comunidades indígenas no preparo de alimentos e seu endocarpo é queimado para extração de sal vegetal e produção de fumaça para a defumação de borracha (Moses, 1962; Braun, 1968);

  2. Amêndoa: Extrai-se um óleo amarelo, também comestível;

  3. Folhas: junto com as suas estipes, as folhas usado na construção de paredes e coberturas das malocas e nashabitações rurais. As suas fibras são aproveitadas na confecção de artesanato. Já o pecíolo, que é a base da estrutura de sustentação das folhas, é usado como ponta de flechas;

  4. Cacho: Bráctea peduncular é usada como brinquedo pelas crianças e utensílio para cozinha e, espata - base de sustentação dos cachos, é utilizada para a fabricação de assentos, utensílios usados para transportar água e como cesto; e,

  5. Palmito: de boa qualidade, é comestível.

Formação de Mudas

  • Extração, Tratamento e Viabilidade das Sementes: colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los do chão após a queda, os frutos assim obtidos podem usar diretamente para a semeadura, não havendo necessidade de despolpá-los.

  • Condições de Cultivo: colocar os frutos para germinar logo que colhidos em canteiros ou recipientes individuais.

  • Substrato: argiloso rico em matéria orgânica.

  • Desenvolvimento: Moderado.
Referência: Lorenzi, H. 2000. Árvores Brasileiras – Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. V.1. 3ªed. Editora Plantarum. Nova Odessa – SP. 368 p

Potencial Econômico

O inajá é rico em fósforo, magnésio e ácidos graxos, podendo ser usado como ração para aves, suínos e peixes, além de fornecer o palmito, farinha e óleo na alimentação humana; e garantir matéria-prima à indústria de cosméticos e de produtos farmacêuticos.

Outro aspecto que torna esta palmeira interessante é a possibilidade de manejar suas populações naturais em áreas de pastagens visando o seu adensamento, o que pode ser feito sem a necessidade de grandes investimentos financeiros. Em alguns lugares da Amazônia, como Rondônia e Pará, esta espécie forma grandes populações em áreas de pastagens, lembrando muito as extensas áreas dominadas por babaçu no estado do Maranhão.

Doenças e Pragas do Inajazeiro

Anel vermelho: enfermidade produzida pelo nematoide Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard = Rhadinaphelenchus cocophilus Cobb (Nemata, Aphelenchida: Aphelenchoides)

Sintomatologia: Os sintomas variam dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento das folhas basais, começando pela seca da ponta para a base. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da ráquis. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microorganismos saprófitas, e morte da planta. Plantas mortas apresentam o topo desnudo.

O sintoma interno é observado através de um corte transversal no estipe, apresentando-se sob a forma de um anel, de coloração marrom ou vermelha, medindo cerca de 4 a 6cm e distante da periferia cerca de 2 a 3cm.

Plantas afetadas devem ser destruídas.

Controle deve ser aplicado ao Bicudo ou Broca-do-olho-do-coqueiro (principal vetor de transmissão do nematoide).

Medidas de controle:
  • Erradicação de plantas mortas, com sintomas da doença ou não.

  • Desinfecção das ferramentas utilizadas no corte das plantas doentes.

  • Uso de armadilhas atrativas modelo Pet ou Balde contendo cana mais o feromônio de agregação Rincoforol (rhynchophorol) para captura do inseto vetor e monitorar a população da praga.

  • Uso de iscas vegetais impregnadas com inseticidas elimina a mão-de-obra exigida para a destruição manual dos insetos capturados.

  • Controle biológico: o uso de iscas vegetais contaminadas com esporos do fungo Beauveria bassiana é uma alternativa de controle que permite aumentar a infecção do agente microbiano. Após imersão na suspensão de esporos do fungo, as iscas são acondicionadas em armadilhas de auto-contaminação, que consiste em baldes plásticos contendo o feromônio da praga e com orifícios laterais que permitem a entrada e a saída dos nematoídes. Estes recipientes são distribuídos em pontos estratégicos fora da plantação e de preferência sob arbustos. Com a distribuição quinzenal de seis armadilhas de auto-contaminação em uma área de 10 ha obteve-se uma redução de 72% e 73% na população da praga no 1º e 2º ano de liberação do fungo.
Doenças Associadas ao Inajá

Doença de chagas: as bases dos pecíolos que persistem no caule após a queda das folhas velhas, formam refúgios onde roedores e marsupiais como Didelphis marsupialis Linnaeus, 1758 e outros hospedeiros de T. cruzi constroem seus ninhos, contribuindo dessa forma para manutenção de ciclos enzoóticos de transmissão de T. cruzi e T. rangeli (Naiff et al. 1998).

Classificação Taxonômica

Sinônimo(s):

Attalea macropetala (Burret) Wessels Boer
Attalea maripa (J.F. Correa da Serra) Martius
Attalea regia (Martius) Wessels Boer
Englerophoenix caribaea (A.H.R. Grisebach) O. Kuntze
Englerophoenix longirostrata (Barbosa Rodrigues) Barbosa Rodrigues
Englerophoenix maripa (J.F. Correa da Serra) O. Kuntze
Englerophoenix regia (Martius) O. Kuntze
Maximiliana caribaea A.H.R. Grisebach
Maximiliana elegans H. Karsten
Maximiliana longirostrata Barbosa Rodrigues
Maximiliana macrogyne Burret
Maximiliana macropetala Burret
Maximiliana martiana H. Karsten
Maximiliana regia Martius
Maximiliana stenocarpa Burret
Palma maripa J.F. Correa da Serra

Bibliografia Consultada

Um comentário:

Luis cardoso disse...

Amigo, atualmente estou trabalhando em um projeto com energia de biomassa tendo a Maximiliana maripa como foco do trabalho..... gostei do sei blog e se você puder me enviar em pdf as literaturas por favor faça a gentileza .Futuramente podemos trocar ideias de trabalhos bioenergético!Obrigado por lê a minha mensagem.