Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Biodiesel de Abacate

O abacateiro (Persea americana (sin.Laurus persea)) pode ser uma nova alternativa para a produção de biodiesel, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da UNESP

Segundo eles, o abacate apresenta vantagem em relação a outras oleaginosas estudadas ou usadas para a produção de biocombustível, como a soja. O motivo é que do mesmo fruto é possível extrair as duas principais matérias-primas do biodiesel: óleo (da polpa) e álcool etílico (do caroço).

“O objetivo principal da pesquisa era a extração do óleo para produção de biodiesel. Mas, ao tratarmos o resíduo, que é o caroço, conseguimos obter álcool etílico. Isso, por si só, é uma grande vantagem, já que da soja é extraído somente o óleo e a ele é adicionado o álcool anidro”, explicou Manoel Lima de Menezes, professor do Departamento de Química da Faculdade de Ciências da Unesp, em Bauru, e coordenador da pesquisa que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa - Regular.

O Brasil é o terceiro produtor mundial de abacate, com cerca de 500 milhões de unidades produzidas por ano. Cultivado em quase todos os estados, mesmo em terrenos acidentados, a produção se dá o ano todo, com 24 espécies que frutificam a cada três meses.

Não são todos os óleos vegetais que podem ser utilizados como matéria-prima para produção de biodiesel, pois alguns apresentam propriedades não ideais, como alta viscosidade ou quantias elevadas de iodo, que são transferidas para o biocombustível e o tornam inadequado para o uso direto em motor de ciclo diesel.

Segundo Menezes, o teor de óleo do abacate varia de 5% a 30%. As amostras coletadas na região de Bauru (SP) apresentaram, no máximo, 16% de teor de óleo. “Esse índice é similar ao teor de óleo da soja que, na mesma região, é de 18%”, comparou.

“Teoricamente, é possível extrair de 2,2 mil litros a 2,8 mil litros de óleo por hectare de abacate”, disse. O número é considerado por ele elevado quando comparado com a extração de outros óleos: soja (440 a 550 litros/hectare), mamoma (740 a 1 mil litros/hectare), girassol (720 a 940 litros/hectare) e algodão (280 a 340 litros/hectare).

Já o caroço do abacate tem 20% de amido. Com base nesse percentual, estima-se que seja possível extrair 74 litros de álcool por tonelada de caroço de abacate. Valor próximo ao da cana-de-açúcar, que possibilita a extração de 85 litros por tonelada, enquanto a mandioca fornece 104 litros por tonelada.

Apesar da enorme disponibilidade do fruto no Brasil, o óleo do abacate ainda é importado, pela falta de tecnologias adequadas para o processamento. O principal obstáculo para obtenção do óleo é o alto teor de umidade - o abacate tem 75% de água, em média -, que afeta o rendimento da extração. Esse foi um dos desafios que a pesquisa se propôs solucionar: aperfeiçoar as metodologias de extração para obter melhor rendimento.

Extração do óleo

De todos os métodos estudados pelo grupo orientado por Menezes, o melhor resultado foi obtido com a desidratação. Foi desenvolvido um forno rotativo, com ar quente e, após a secagem, a polpa foi moída e colocada na prensa, seguida do processo de suspensão com solvente. A partir desse momento, foi transferida para uma centrífuga de cesto, desenvolvida pelo grupo. “Com a força centrífuga, a polpa fica bem seca e o rendimento melhora”, observou Menezes.

Da extração do óleo, passou-se para a produção do biodiesel, o que inclui uma etapa de purificação. Uma vez purificado, foi feita a síntese do biodiesel, já com o método tradicional utilizado atualmente, que é a reação por transesterificação (conhecido como método Ferrari), seguido pela caracterização por cromatografia gasosa.

Essa é a técnica exigida pela ANP 42, regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que define a caracterização e avaliação da qualidade do produto obtido e deve ser seguida pelos mercados comprador e fornecedor.

O primeiro estudo feito com o caroço foi a hidrólise enzimática, com a qual se obteve rendimento baixo, de cerca de 24 litros por tonelada. Agora, os pesquisadores estão iniciando uma nova etapa, que é a hidrólise alcalina e/ou ácida sob pressão, seguida por hidrólise enzimática para melhorar o rendimento.

Grande parte dos parâmetros físico-químicos está de acordo com as exigências da regulamentação ANP 42, com exceção do teor de glicerina total e acidez, que ficaram um pouco acima, segundo Menezes.

Os teores de enxofre, fósforo e sódio não foram determinados nessa etapa do projeto devido à dificuldade em encontrar laboratórios para executar os ensaios. Esses são aspectos que a pesquisa continuará analisando para que fiquem totalmente compatíveis com os parâmetros da ANP 42.

“Nosso objetivo é propor o emprego da técnica de espectrofotometria de absorção atômica, empregada na determinação de metais e desenvolver uma nova metodologia que possa ser adaptada para análise do fósforo”, disse.

Como os demais resultados obtidos estão em conformidade com a regulamentação, os pesquisadores consideram que a metodologia empregada é adequada para realizar a síntese do produto.

Viabilidade econômica

Segundo o estudo feito na Unesp, as características do biodiesel do óleo de abacate são bastante semelhantes às verificadas com o biodiesel de soja, com exceção da coloração, que é esverdeada, diferente do amarelo no caso da soja. Mas isso não afetaria a qualidade.

“Na análise de carbono, a clorofila não alterou o resíduo de carbono que a norma estabelece. Ficou abaixo. Portanto, nesse caso, a cor não interfere na qualidade, é mais uma questão de aparência. Clarificar, portanto, é opcional, diferentemente da aplicação medicinal, em que clarificar levaria à perda de propriedades medicinais, ao passo que a coloração escura não tem apelo comercial na produção de cosméticos”, disse Menezes.

A viabilidade econômica do biodiesel de abacate não foi foco dessa etapa do estudo nem é a especialidade desse grupo de pesquisa, segundo o coordenador. O custo do biodiesel ainda é alto. Produz-se óleo de soja a um custo de R$ 1,20 o litro. O álcool anidro para adicionar é comprado a R$ 0,74 o litro. O abacate tem a vantagem de oferecer as duas matérias-primas e, por enquanto, a um custo mais baixo que o da soja, segundo Menezes.

A extração do óleo e álcool do abacate ainda demanda investimentos em equipamentos. De acordo com o professor da Unesp, é necessário estudar o desenvolvimento de um despolpador - para separar a polpa do caroço - e produzir a centrífuga para obter máximo rendimento. O estudo resultou na apresentação de quatro trabalhos em congressos nacionais.

Fonte: Agência FAPESP

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Coquetel de enzimas transforma biomassa em combustível para carros a hidrogênio

Ao imaginar o carro do futuro, no que você apostaria: em um carro com células a combustível alimentadas por hidrogênio ou em um carro a lenha?

Não esteja tão certo da resposta, porque é bem possível que as duas sejam apenas faces diferentes de uma mesma moeda - é uma questão de esquecer a imagem de toras de madeira crepitando para alimentar uma caldeira a vapor.

Pesquisadores norte-americanos criaram uma complexa mistura de enzimas que é capaz de consumir a celulose de pedaços de madeira, capim e diversos outros tipos de biomassa e liberar hidrogênio, que pode ser consumido diretamente pelas células a combustível.

Poção mágica
Com uma mistura de 14 enzimas, uma coenzima, biomassa de plantas não-alimentícias e água aquecida a 32º C, os pesquisadores produziram hidrogênio puro o suficiente para ser injetado diretamente em uma célula a combustível.

A célula a combustível usa o hidrogênio para produzir eletricidade, liberando água como subproduto. A eletricidade é usada para alimentar os motores elétricos do carro.

O processo é tão rápido quanto a produção natural do hidrogênio por fermentação e tem um rendimento energético maior do que a energia química armazenada em açúcares - o mais elevado rendimento na produção de hidrogênio já reportado até hoje a partir de materiais celulósicos.

Hidrogênio de alta qualidade
"Além de converter a energia química do açúcar, o processo também converte a energia termal, de baixa temperatura, em energia contida em um hidrogênio de alta qualidade," diz o professor Percival Zhang, da Universidade Virginia Tech.

A pesquisa é resultado do aprimoramento da descoberta original, anunciada há cerca de dois anos, quando o processo ainda era ineficiente e pouco robusto e era baseado em amido extraído de plantas utilizadas na alimentação.

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Pesquisa da UFRJ busca produzir etanol a partir de alga marinha

Cientistas estudam espécie que já tem outros usos na indústria.

Perto de cana, produção por área 'plantada' seria maior.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) usa um tipo de alga que não se encontra em qualquer lugar. Tem origem na Ásia, mas no Brasil é que se revelou a possibilidade de se extrair álcool combustível delas.

Nem dá tempo de se distrair com a paisagem. Estamos navegando nas águas de Itacuruçá, litoral sul do estado do Rio de Janeiro.

Nosso destino não é uma praia. Estamos atrás de uma plantação: discreta, perto de um costão - dentro d’água, de algas. O que também pode surpreender alguns é a serventia dessas plantas.

As algas são as maiores produtoras de oxigênio do planeta.

Ajudam a limpar as águas, por se alimentarem de matéria orgânica, esgoto. Acredite: com a Kappaphycus alvarezii, nós temos contato todos os dias. Ela já é conhecida e explorada há anos em diferentes pontos do mundo, especialmente na Ásia. Dela se extrai uma geléia, a carragena, que é utilizada em vários produtos: pasta de dente, presunto, xampu e sorvete.

No Brasil, até agora, só houve autorização de plantio entre a Baía de Sepetiba, no Rio, e Ilhabela, em São Paulo. O cultivo é fácil e rápido. Em 45 dias, a alga está no ponto da colheita. Feita no braço, trazendo a rede que as mantêm na superfície. Você não sabia, mas já existe uma pesquisa para extrair da Kappaphycus alvarezii mais um produto.

ALGA SECA

A pesquisa do professor Maulori Cabral, da Universidade Federal do Rio, já dura dois anos. “A partir dessa alga seca, a primeira coisa é fazer a reidratação, com a lavagem para tirar sais. Ao lavar, você tem as algas que começam a ser reidratadas", mostra Maulori Cabral.

A fervura desse material é a próxima etapa - adicionando ácidos para "quebrar" a carragena, transformando-a em um líquido.

Depois, nova mistura, agora com leveduras, células que fermentam e produzem álcool a partir de moléculas de açúcar. Após 26 minutos, na estufa a 30ºC, em uma temperatura agradável, a quantidade de gás no tubo mostra que houve uma fermentação perfeita.

“Se tem gás na parte de cima, isso significa que o líquido tem uma mistura de água e etanol. Para ser utilizada como biocombustível, a mistura precisa ser destilada”, explica Maulori Cabral. Segundo o professor Maulori, se tudo der certo, em 2013 o projeto sai do papel. Ainda é preciso aumentar a produção de algas, melhorar as técnicas, investir em novas pesquisas. Só assim, teremos a que está sendo considerada a terceira geração do álcool combustível.

Ainda falta muito para isso se tornar realidade. Mas, segundo os pesquisadores, existem vantagens de se retirar álcool de alga, se comparado com o de cana: é possível uma produção bem maior na mesma área plantada e não ocupa terra, solo. Não é preciso usar água doce para irrigar. E ainda: a cana tem de ser colhida e moída rapidamente. Já a alga, depois de seca, pode ser estocada, servindo para regular a safra .

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Terça-feira, 31 de Março de 2009

No Brasil, a Mamona atrai produtor, mas não vira biodiesel

Produtores de regiões áridas do país investem na resistente oleaginosa e a vendem para a indústria ricinoquímica, que paga preços mais altos do que a indústria de biodiesel

Por Verena Glass

Semi-árido baiano - A Bahia é historicamente o maior Estado produtor de mamona do país. A cultura, que é uma tradicional alternativa para lugares de pouca chuva, chegou a ocupar 340 mil hectares do território baiano na safra 1984/85, época em que o Brasil ainda dominava o mercado internacional de óleo de rícino, principal destino do produto. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha o plantio desde 1977.

Apesar de o país ter perdido a liderança do mercado de óleo para a Índia e a China na década de 1990, quando houve uma diminuição significativa da área plantada de mamona na Bahia, a oleaginosa passou a compor a cultura produtiva do sertanejo baiano assim como o milho e o feijão, formando a "tríade de sustentação" da agricultura familiar do semi-árido da Bahia.

Isto se deu, de forma geral, em função de alguns fatores: a relativa resistência à seca, o conhecimento empírico do cultivo, a produção das próprias sementes, a facilidade de armazenamento, a boa produtividade e um mercado sempre demandante. Tudo isso transformou a mamona, plantada em sistema de consórcio com as culturas alimentares, em uma espécie de fonte fixa de renda, disponível ao longo do ano e mesmo em períodos em que a estiagem maltratava as culturas alimentares.

Dados de acompanhamento de plantio divulgados em março deste ano pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) sustentam essa boa fama da mamona. Tomando-se como base as safras de feijão, milho e mamona de 2007/08 na região de Irecê, maior produtora do Estado, por exemplo, foram perdidos, em função da seca neste período, 56,8 mil hectares de feijão e 69,8 mil de milho, contra perdas de apenas mil hectares de mamona.

Já a relação de preços das três culturas favoreceu, em termos de maior valor, o feijão, cuja saca de 60 kg foi vendida, em média, a R$ 150. A saca de milho atingiu um preço médio de R$ 25, e a de mamona, R$ 73. Se compararmos as 2.017 toneladas de feijão colhidas na região com as 55.770 toneladas de mamona, no entanto, houve um rendimento de R$ 5,04 milhões para a primeira cultura e de R$ 66,9 milhões, para a segunda - um diferencial significativo para o orçamento dos agricultores.

Na safra deste ano (2008/09), ainda mais castigada pela estiagem, dados da EBDA apontam que, dos 45,4 mil hectares de feijão plantados na região de Irecê, 23,8 tinham sido perdidos até meados de fevereiro. As perdas do milho no mesmo período atingiram 25,5 mil dos 154,9 mil hectares plantados, e apenas a mamona resistiu.

Entretanto, apesar do bom desempenho agrícola e econômico da mamona, os agrônomos da EBDA Valfredo Vilela e Ariosvaldo Morais avaliam que a oleaginosa não tem suplantado ou substituído as culturas alimentares em termos de área plantada. Hoje, como na década de 1970, o sertanejo vê a mamona como um complemento da economia familiar - baseada no milho e no feijão -, mesmo porque a alta do preço é um fenômeno mais recente, desencadeado pela entrada da indústria do biodiesel num mercado dominado pela ricinoquímica até 2005.

Opção do biodiesel não alterou rotina
A longa convivência do sertanejo baiano com a mamona criou uma cultura muito própria de comercialização, que pouco se preocupa com o destino final do produto. Quando há uma organização maior dos agricultores, algumas cooperativas negociam diretamente com a indústria, mas no geral o destino da produção que sai da propriedade são os galpões dos atravessadores.

Em pequenos municípios como Itaitê (localizado na macrorregião produtora de Itaberaba) ou Cafarnaum (região de Irecê), o atravessador é quase uma entidade bancária, que recebe qualquer quantia de mamona e paga na hora, ou até adiantado. Mamona pode virar moeda de troca - três quilos de mamona por um quilo de arroz -, o dinheirinho da feira, ou a primeira mesadinha das crianças, que juntam restos e vendem no comércio por dois reais, explica o agrônomo da EBDA Valfredo Vilela.

Na opinião de muitos pequenos produtores do semi-árido baiano, a entrada da Petrobras no mercado de mamona do Estado, após a inauguração de uma usina de biodiesel no município de Candeias em 2008, resultou, até agora, numa oscilação favorável de preços - a saca de 60 kg atingiu um pico de R$ 86,00 no ano passado. Mas não foi suficiente para alterar a cadeia produtiva da cultura em termos de área plantada ou mesmo quanto às formas de comercialização.

A entrada da Petrobras no mercado de biodiesel está em linha com o plano estratégico 2009/2013 da empresa, divulgado em janeiro deste ano. Dos US$ 174,4 bilhões de investimentos previstos para o período, US$ 2,8 bilhões serão aplicados em agrocombustíveis. Uma das metas da empresa é atingir em 2013 a produção de 640 milhões de litros de biodiesel no país.

Apesar da atuação no mercado, a mamona não será transformada em biodiesel tão cedo. Com valor muito maior no mercado da indústria ricinoquímica, a parcela da oleaginosa adquirida pelas empresas de biodiesel também acaba destinada a ele, mesmo porque, no caso da Petrobras, as três usinas da empresa -Candeias, BA, Montes Claros, MG e Quixadá, CE - não tem equipamentos de esmagamento, operando apenas com óleo de soja comprado no mercado.

Apesar disso, a Petrobras planeja reforçar sua posição na Bahia. De acordo com o coordenador da Diretoria de Desenvolvimento Agrícola, Suprimento e Comercialização da Petrobras Biocombustível S/A, David Leal, a companhia tem a intenção de implantar um projeto amplo de parcerias com cooperativas, organizações sindicais e movimentos sociais para a promoção da mamona na agricultura familiar, tendo em vista principalmente o atendimento das exigências do Selo Combustível Social de aquisição de matéria-prima do setor para a usina de Candeias.

Segundo Leal, a empresa, que precisa comprovar a inclusão da agricultura familiar em até 30% do total de negócios da Petrobras para honrar as exigências do Selo, iniciou em 2007 um trabalho de divulgação de seu projeto de parceria que, a partir de 2009, inclui distribuição de sementes, assistência técnica, manejo de solo (principalmente descompactação das terras em áreas de menor produtividade) e contratos de compra e venda que garantem o preço de mercado ou um preço mínimo (calculado sobre a média dos preços dos últimos 36 meses) mais 10%, caso o mercado esteja pagando abaixo desse valor. Todos os contratos teriam vigência de cinco anos.

Movimentos sociais de olho na mamona
Com auxilio de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento de Luta pela Terra (MLT), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia (FETAG) e de cooperativas independentes, a Petrobras cadastrou, até final de fevereiro, 31,2 mil agricultores, afirmou Leal. Mas nem todos fecharam contrato com a empresa.

Na região de Itaitê, onde há nove assentamentos e um acampamento, o MST pretende estreitar as relações com a Petrobras através da Cooperativa Regional de Reforma Agrária da Chapada Diamantina (Coopracd, que tem um projeto de cultivo de mamona com a empresa através do programa Petrobras Fome Zero desde 2003). Mas, até o momento, os novos contratos ainda não foram formalizados em função da necessidade de ajustes, como os valores disponibilizados à assistência técnica e as formas de pagamento.

No assentamento do Baixão, um dos mais organizados da região e que comporta hoje 140 famílias, a mamona sempre foi um cultivo importante, apesar de complementar às culturas alimentares. Segundo o presidente da Coopracd, Edivando dos Santos, que também preside a Associação dos Assentados do Baixão e coordena o setor de produção do MST na região, apesar do projeto da Petrobras Fome Zero (que incluiu a construção de três galpões, a aquisição de vários veículos, um escritório em Itaitê e assistência técnica), a cooperativa acabou vendendo em 2008 a maior parte de sua produção para a indústria de óleo de mamona Bom Brasil, sediada em Salvador. Essa companhia pagava preços mais altos (até R$ 80 a saca de 60 kg) do que os oferecidos pela Petrobras (R$ 55, em média).

"A Bom Brasil também pagava na hora, enquanto a Petrobrás demorava até 30 dias para efetuar os pagamentos. Como é a cooperativa que compra a mamona dos produtores e repassa à indústria, se não tivermos dinheiro em caixa para remunerar os agricultores, a coisa fica muito complicada", explicou Edivando. Segundo ele, houve pequenas vendas para a Petrobras para garantir a diversificação do mercado, mas em 2009 a política de comercialização continuará baseada nas melhores condições de oferta.

Já em Cafarnaum, município que é um dos maiores produtores de mamona do país e com cerca de 17,5 mil habitantes, a maioria na zona rural, a Petrobras ou outras indústrias de biodiesel, como a Brasil Ecodiesel, ainda não entraram no mercado, afirma o agricultor Iranildo Alves dos Santos.

Considerado um "grande" produtor - em seus 380 hectares, 70% da produção agrícola são de mamona não consorciada com milho e feijão, culturas que ocupam o restante da área -, Santos tem investido em melhoramentos de sementes e manejo, e comemora a alta dos preços impulsionados pelo biodiesel, mas de resto não vê diferença no mercado com a chegada das indústrias de agroenergia na Bahia.

"A Petrobras esteve aqui no ano passado, mas fez apenas uma explanação do projeto do biodiesel. Até o momento não me interessei, porque aqui temos grande desconfiança depois dos fracassos dos contratos com a Brasil Ecodiesel no passado, que não renderam nada a quem fez", explicou Santos.

Já o agricultor Firmino Rosa de Souza, que tem 43 hectares divididos com seu filho Joselito, não sabe o que é biodiesel nem quem são os compradores finais de uma pequena produção que é vendida aos atravessadores. Com a estiagem deste ano, a família de Joselito perdeu praticamente toda a produção de milho e feijão, e a mamona passou a ser um tipo de "seguro de vida", explica o agricultor. "Aqui, quando tudo acaba, a nossa sobrevivência depende da mamona, que ainda se segura. Sobre o biodiesel, fico só parado escutando. Não me preocupo para onde vai a minha mamona, na roça eu só penso mesmo em trabalhar".

Clique aqui e leia o último relatório sobre mamona produzido pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da Repórter Brasil.

Fonte:

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Pesquisa mostra que palmeira inajá serve para biocombustível

A palmeira Inajá (Maximiliana maripa) pode ser uma das opções de oleaginosas para a produção de biodiesel no estado de Roraima, onde a planta se desenvolve em grandes áreas.

A constatação faz parte da tese de doutorado do pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Roraima), dentro do Programa de Biocombustíveis com a orientação da pesquisadora Ires Paula de Andrade Miranda do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT)

Os resultados mostraram que a palmeira passa a ocupar posição privilegiada na lista das oleaginosas promissoras, tornando-se estratégica dentro do Programa Nacional de Produção e usos de Biocombustíveis. Além disso, preenche quesitos relativos ao desenvolvimento regional, inclusão social e preservação ambiental.

O estudo mostrou ainda que o inajá, por meio de seus resíduos das sementes e frutos, também aponta grandes possibilidades de inserção na dieta de aves e suínos em mistura nas rações tradicionais desses animais.

Duarte enfatiza que o manejo desta palmeira em pastagens e roçados se torna uma alternativa interessante, pois devido a alta regeneração que ocorre nestes ambientes abertos, adaptação em solos pobres quimicamente, ausência de espinhos e a alta produtividade em óleos permite um manejo barato e fácil, gerando renda aos pequenos produtores rurais.

Segundo o pesquisador o inajá tem potencial para produzir mais de 3500 litros de óleo por hectare, baseado apenas na seleção de plantas promissoras existentes na região.

De acordo com Ires Miranda, responsável pelo Laboratório de Estudos em Palmeiras da Amazônia (LabPalm) do Inpa, o grupo desenvolve pesquisas de identificação, mapeamento com coordenadas geográficas e estudos ecológicos de palmeiras, considerando Roraima possuidor de grande incidência de inajá a qual tornou-se, segundo o grupo, a palmeira indicada para o aproveitamento racional, oferecendo possibilidades para a fixação do homem no campo e com isso evitando o êxodo e o aumento do desmatamento na Amazônia.

Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Óleo de dendê do Pará vira biodiesel na Europa

BELÉM - Representantes do governo do Estado reuniram sexta-feira com a empresa europeia ACM Bio-Tech, com o objetivo de protocolar intenções para construção de usinas de beneficiamento de dendê no Pará, nos municípios de Moju, Igarapé-Mirim e Mocajuba.

A produção e o beneficiamento de dendê serão realizados por meio de um acordo entre a companhia europeia e pequenos produtores paraenses, intermediado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e com o apoio estruturante do governo do Estado.

Os pequenos produtores cultivam em suas terras mudas de árvores compradas pela companhia europeia, que também cederá máquinas e equipamentos de cultivo. Em contrapartida, a produção dos agricultores deve estar comprometida com a ACM Bio-Tech.

A preços anteriormente concordados com as cooperativas dos pequenos agricultores, o pagamento será efetuado pelo Pronaf de forma adiantada, por meio de acordo feito entra a ACM e o MDA.

Em fase de instalação em Belém, a ACM já acordou com 450 famílias dos municípios de Moju, Igarapé-Miri e Mocajuba para a plantação de 3 milhões de mudas em uma área de 15 mil hectares. Em dois anos, na mesma área, devem ser plantados mais 6 milhões de mudas de dendê, algumas importadas do Equador.

Até o fim do ano, a empresa espera ter uma usina de beneficiamento capaz de produzir 500 toneladas de óleo por dia em cada município.

"O objetivo é exportar 20 mil toneladas de óleo bruto por mês, em um espaço de tempo de pelo menos 18 anos", explica Carmelo Màngiola, representante da ACM Bio-Tech no Pará.

O valor total do investimento, do qual participam bancos suíços e italianos, é avaliado em cerca de 45 milhões de dólares.

Os pequenos agricultores interessados em participar do projeto podem entrar em contato por meio do e-mail acmbiotech@gmail.com.

Ver ainda: ENTREVISTA-Brasil deve ver expansão de óleo de palma em breve

Fonte:

Sabesp anuncia início de coleta de óleo de fritura em Registro

Segundo superintendente Irineu Yamashiro, um litro de óleo é suficiente para poluir 25 mil de litros de água

O Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura (Prol) já é realidade em Registro. Seu lançamento foi anunciado última sexta-feira, 20 de março, durante a abertura da 6ª Semana da Água do Vale do Ribeira, pelo superintendente regional da Sabesp, Irineu Yamashiro.

“Trata-se de um programa relativamente simples, mas de expressivo impacto positivo, pois com ele conseguiremos evitar que muitos litros do óleo usado em cozinha contaminem rios, mar, solo e lençol freático”, explicou Yamashiro. Segundo ele, um único litro de óleo é suficiente para poluir 25 mil de litros de água.

A implantação do Prol em Registro é uma iniciativa da Sabesp, em parceria com a Prefeitura, a Associação Comercial (Aciar) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Cidadania do Vale do Ribeira (Idesc).

De acordo com a Assessoria de Meio Ambiente da Sabesp, o óleo de fritura polui os rios por conter carga orgânica elevada que, em sua digestão, requer oxigênio dissolvido, essencial à respiração dos peixes e outras formas de vida. O óleo também contribui para formar uma camada na superfície, que prejudica a oxigenação das águas.

Estima-se que 4 bilhões de litros de óleo de fritura sejam produzidos ao ano no Brasil, 2 bilhões dos quais são descartados após o uso. Do total descartado, estima-se que somente 5% sejam reciclados.

“Com o desafio de reduzir e até eliminar a poluição, o programa de reciclagem de óleo de fritura baseia-se em informação, conscientização e na implantação de um sistema de coleta do óleo usado”, explicou Irineu Yamashiro.

Segundo ele, 30 mil folhetos informativos impressos pela Sabesp estão sendo distribuídos de casa em casa, junto com a conta mensal de serviços de água e esgoto, e três pontos de coleta instalados em Registro estão aptos a receber o óleo usado. São eles: a sede do Cidadão Catador, na Rua Chile, nº 48, Vila Ribeirópolis (Pedreira); a agência de atendimento da Sabesp, à Avenida Prefeito Jonas Banks Leite, 400, centro; e o Departamento Municipal do Bem Estar Social, à Rua São Francisco Xavier, 165, centro.

Além disso, integrantes do projeto “Cidadão Catador”, que já recolhem papelão, alumínio e plástico na cidade, começaram a coletar também o óleo usado de cozinha.

De acordo com o superintendente da Sabesp, todo o óleo coletado no município será encaminhado para reaproveitamento na produção de biodiesel. “Além de reduzir a contaminação do ambiente, o programa ainda contribuirá para gerar renda aos catadores”, concluiu Irineu Yamashiro.

Fonte: Diário de Iguape

Pesquisas com pinhão manso avançam na Embrapa


A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, coordena atualmente um programa de pesquisa com ações em todas as áreas da cadeia produtiva, envolvendo melhoramento genético, biologia avançada, desenvolvimento de sistema de produção, colheita e pós-colheita que visa a qualidade do óleo, destoxificação da torta e estudos sócio-econômico-ambientais.

Participam do programa diversas unidades da Embrapa, presentes nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e Norte, e parceiros do setor público e privado que dão suporte ao desenvolvimento das ações locais de pesquisa.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia e coordenador do programa, Bruno Laviola, considerando que o pinhão manso é uma cultura perene, estima-se que serão necessários entre 2 a 5 anos para que se tenham as primeiras cultivares melhoradas e informações científicas embasadas sobre o sistema de produção nas diversas regiões do Brasil. A Embrapa Agroenergia, em parceria com a Embrapa Cerrados, está trabalhando na caracterização e enriquecimento de uma coleção pinhão manso, com acessos de origem de diversas regiões do Brasil e exterior. Também, desenvolve ações para dar suporte técnico-científico à caracterização botânica e molecular de espécies e cultivares, visando subsidiar o registro de cultivares e encurtar caminhos para a obtenção de uma genética melhorada. A coleção de germoplasma caracterizada servirá de base para implantação de um programa de melhoramento genético do pinhão-manso visando à obtenção de cultivares com maior produtividade e qualidade de óleo, tolerantes a estresses bióticos e abióticos e com outras características de interesse agronômico.

Para o pinhão manso se tornar viável com a produção de óleo combustível, alguns desafios já foram lançados. De acordo com Laviola, existem diversos aspectos que podem dificultar da cultura na cadeia produtiv. “Há grandes desafios. Não existe cultivares, sendo que a diversidade ainda desconhecida. Há carência de informação e domínio tecnológico desta cultura. A colheita ainda é desuniforme, o que onera o custo de produção”, ressalta o pesquisador. Além disso, o pinhão manso é susceptível a pragas e doenças e a torta obtida após extração do óleo é tóxica, o que impede a agregação a este co-produto pela sua utilização na ração animal.

No Brasil já existem alguns plantios distribuídos principalmente nas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste. Os plantios comerciais de pinhão manso ainda estão em fase inicial de implantação, com idade menor ou igual a três anos. Embora o pinhão manso esteja sendo amplamente adotado por produtores é importante ressaltar que a espécie ainda não possui domínio tecnológico que garanta rentabilidade no seu cultivo. Laviola destaca que o pinhão manso se tornou uma matéria prima atrativa para produção de biodiesel por apresentar um elevado potencial de rendimento de grãos e óleo: a produtividade do pinhão manso pode ser de três a quatro vezes superior a da soja, que está em torno de 500 litros/ha. Além disso, o pinhão manso é uma espécie não alimentar, ou seja, não concorre diretamente com a agricultura de alimentos. A espécie possui, também, características compatíveis com o perfil da agricultura familiar: é uma espécie perene, não necessita de renovação anual do cultivo, dependente de mão-de-obra e os espaçamentos adotados permitem, nos primeiros anos de cultivo, o consórcio com outras culturas, podendo se produzir em uma mesma área energia e alimento. Estas características somadas a outras fazem com que o pinhão manso se torne uma oleaginosa com potencial para atender ao Programa Nacional de Produção de Biodiesel. | www.cnpae.embrapa.br

Fonte:

O bagaço de cana como alternativa energética

25/03/09 - Tornou-se preocupação mundial a busca por fontes seguras, limpas e renováveis de energia elétrica, de forma a se reduzir efetivamente a emissão na atmosfera de gases que contribuem para o chamado efeito estufa. No Brasil, mesmo com o descompasso existente entre o crescimento econômico e o fornecimento de eletricidade necessário ao desenvolvimento, vivemos uma situação privilegiada para enfrentar este desafio.

Os projetos de geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana-de-açúcar representam um diferencial para o desenvolvimento sustentável no País. Segundo avaliação do Instituto Brasil Acende, os canaviais brasileiros existentes poderiam gerar energia equivalente a cerca de 14.000 MW. É uma capacidade semelhante à da usina hidrelétrica de Itaipu à disposição dos agentes privados, esperando para ser desenvolvida.

Ainda tímida diante do potencial, a cogeração seguramente vai crescer exponencialmente e se consolidar como fonte importante de energia. Atualmente, a participação da bioeletricidade na matriz energética brasileira é de 3%, o que equivale a aproximadamente 1.400 MW médios. Em 2020, serão 14.400 MW. Segundo dados da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), o setor sucroalcooleiro deverá investir R$ 45 bilhões até 2015 em projetos de cogeração.

Quanto maior o incentivo à produção de etanol e açúcar, maior o potencial de energia elétrica gerada a partir da queima do bagaço. Somente entre 2005 e 2007, a energia elétrica gerada a partir da biomassa no Brasil cresceu aproximadamente 20%.

A safra de cana-de-açúcar passou de 318 milhões de toneladas para 514 milhões de toneladas, devendo chegar à impressionante marca de 730 milhões em 2010, segundo estimativas recentes. A cogeração pode ser um dos grandes pilares do setor elétrico brasileiro. Sendo assim, o desenvolvimento da cogeração no País terá o efeito benéfico de alavancar a indústria brasileira de equipamentos. As usinas de cogeração usam tecnologia 100% nacional. Desde as caldeiras, turbinas, o projeto de engenharia utilizado, o insumo (cana-de-açúcar), todos os componentes são brasileiros.

Condição que já transformou o Brasil no maior especialista de geração de energia elétrica por meio da biomassa. Equipar usinas de açúcar e álcool para gerar energia a partir da queima do bagaço de cana no futuro será um fator preponderante de geração de empregos e renda, aumentando a ocupação da capacidade industrial brasileira.

A cogeração também cria uma oportunidade para a venda de créditos de carbono. O conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) que avaliza mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) aprovou mais de 140 projetos brasileiros de geração de energia, aproximadamente a metade deles de cogeração.

Além disso, há uma complementaridade única entre a energia elétrica gerada a partir de hidrelétricas e a partir do bagaço de cana. O regime de chuvas nas regiões Sul e Sudeste concentra a maior frequência de precipitações de novembro a abril. Nos demais meses, os reservatórios das hidrelétricas ficam reduzidos e diminuem a produção de eletricidade, algumas vezes a níveis preocupantes, obrigando o acionamento de usinas termelétricas movidas a gás natural.

Na cultura de cana-de-açúcar, por sua vez, a safra se desenvolve predominantemente entre abril e novembro, ou seja, teríamos uma carga adicional de energia gerada a partir do bagaço justamente quando o regime de chuvas nos principais centros consumidores é menor.

Gargalos existentes à geração de eletricidade aos poucos vão sendo solucionados. O custo de conexão das usinas de biomassa ao sistema elétrico nacional, alto para um único produtor, poderá ser compartilhado entre vários empreendedores, segundo regulamentação recente. A discussão agora avança para a precificação da bioeletricidade, que precisa ser competitiva.

A biomassa como fonte de energia renovável tem papel de extrema relevância no cenário brasileiro. Cabe aos principais agentes do País não perder essa excelente oportunidade.


Paulo Cezar Coelho Tavares - Vice-presidente de Gestão de Energia do Grupo CPFL Energia - 18/03
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Pesquisadores da Embrapa discutem avanços da pesquisa em agroenergia

A equipe do projeto de pesquisa "Fontes alternativas potenciais de matérias-primas para produção de agroenergia", estudo conduzido por vinte e uma Unidades da Empresa Brasileira de Agropecuária - Embrapa e parceiros, está reunida nesta semana, na Embrapa Cerrados (Planaltina - DF), para avaliar as pesquisas conduzidas com pequi, macaúba, tucumã, entre outras espécies, e definir ações a serem executadas ao longo do ano.

A pesquisa está avaliando, entre outros aspectos, o teor e qualidade do óleo, viabilidade para produção de biodiesel e resistência a pragas e doenças das espécies. "A pesquisa começou como uma corrida. Largaram várias plantas, hoje algumas lideram", diz o pesquisador Nilton Vilela Junqueira, da Embrapa Cerrados, líder do projeto.

Junqueira comenta que as pesquisas visam domesticar espécies silvestres de plantas nativas do Brasil para produção de óleo. Para o pesquisador, o estudo, que prossegue até 2011, já evolui e a equipe irá selecionar duas ou três espécies para aprimorar as pesquisas. Ao longo da semana, os pesquisadores farão o relato das atividades desenvolvidas nos planos de ação de pesquisa em pequi, macaúba, tucumã e pinhão-manso.

Outros assuntos abordados no primeiro dia do encontro foram proteção intelectual e registro comercial de cultivares. José Robson Sereno, chefe geral da Embrapa Cerrados, e Frederico Ozanam Durães, chefe geral da Embrapa Agroenergia, destacaram na abertura do evento a importância do trabalho em parceria em torno de um tema capaz de contribuir para a diversificação da matriz energética brasileira.”O Brasil tem uma agenda pública para o negócio de agroenergia”, afirma Frederico Durães. Ele salienta que agroenergia é um negócio de alta competitividade e cooperação, com o incremento do fator inovação para fazer diferença no mercado.

Para Durães, a substituição da matriz fóssil por combustíveis renováveis é possível com competitividade, inovação e cooperação. O pesquisador defende os arranjos produtivos locais e regionais de biocombustíveis para produção e consumo no mesmo local. "É um princípio básico da energia renovável", diz.

Alexandre Strapasson, diretor do departamento de cana-de-açúcar e agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), destaca que "há grande expectativa em torno das pesquisas da Embrapa", tanto no âmbito nacional como também em outros países. “A Embrapa tem condições de atender a toda essa expectativa de desenvolvimento de tecnologia para a agroenergia, trabalhando em conjunto com o Ministério”, diz o diretor. Strapasson salienta ainda que as novas espécies para produção de biocombustível podem ser uma alternativa de renda para os produtores. "Para não derrubar floresta, é preciso convencer o produtor sobre a viabilidade econômica".

O diretor do MAPA lembra que o "cenário de muita demanda para a pesquisa e a crise mundial" é um momento propício para reflexões conjuntas sobre políticas públicas para a agroenergia. Em 2008, segundo dados do Ministério das Minas e Energia, o uso do biocombustível evitou a importação de 1,1 bilhão de litros de diesel de petróleo, o que rendeu aproximadamente US$ 976 milhões para o Brasil. O país bateu recorde na exportação de etanol com um total de 5,16 bilhões de litros vendidos no ano passado. Por: Gustavo Porpino e Daniela Garcia Collares .

. [ Chefe da Embrapa Agroenergia fala da importância da cooperação e da competitividade no negócio agroenergético].

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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Projeto experimenta cultivo de pinhão manso associado a pastagem

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) participa de um projeto para o cultivo de pinhão manso consorciado a braquiária, que está sendo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Refinaria Nacional de Petróleo Vegetal - Fusermann Biodiesel, e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). O objetivo é associar o cultivo da planta, de cujo fruto se extrai o óleo para fabricação de biocombustível, à pecuária leiteira.

O sistema traz vantagens adicionais para o produtor familiar, ao proporcionar diversificação de renda, segundo técnicos especialistas. O programa é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que investiu R$ 45 mil no projeto.

Segundo o coordenador técnico regional da Emater-MG de Juiz de Fora, Antônio Domingues de Souza, tudo começou a partir de uma parceria entre a Embrapa Gado de Leite e a Fusermann Biodiesel, empresa sediada no município de Barbacena. Há 15 anos, a refinaria procurou a Embrapa, que trabalha com sistemas silvipastoris (pastagens consorciadas com espécies arbóreas/arbustivas), para propor um convênio de cooperação técnico-científica, com vistas a aprofundar conhecimentos referentes à viabilidade da associação do pinhão manso com a produção de forragem.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Carlos Renato Tavares de Castro, membro da equipe responsável pelo projeto, a intenção "é gerar informações que possam esclarecer sobre a polêmica de que áreas destinadas à cultura de matéria-prima para biocombustíveis competem, ou não, pelo espaço destinado à produção de alimentos para a sociedade".

As atividades do projeto começaram no mês de janeiro deste ano, com o plantio consorciado de pinhão manso e braquiária, numa área de dois hectares e meio, em um campo experimental da Embrapa, no município de Coronel Pacheco, Zona da Mata mineira. No local, estão sendo testados diversos espaçamento do consorcio. Tanto pelo método tradicional (semeadura a lanço) ou conforme os preceitos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, conhecida nos meios técnicos como ILPF, em que se aplicam sub-doses de herbicida na pastagem já existente e faz-se o plantio direto na palha (no caso, a semeadura do milho), sem arar e nem gradear o solo.

A proposta é que a área destinada à pesquisa seja utilizada como unidade demonstrativa para treinamento dos extensionistas da Emater-MG e em futuras visitas técnicas de produtores rurais. As atividades estão sendo negociadas entre os parceiros envolvidos no projeto, segundo informações da Embrapa. A empresa considera que o pinhão manso é uma das mais promissoras espécies oleaginosas passíveis de utilização como matéria-prima para fabricação de biodiesel.

Para o coordenador técnico regional de Meio Ambiente da Emater-MG, o engenheiro florestal Gilberto Malafaia, além dos aspectos econômicos e estratégicos envolvidos, o uso de combustíveis de origem não fóssil é uma das formas de preservação ambiental. "A liderança brasileira na produção e o uso de biocombustíveis já é reconhecida internacionalmente", argumenta. "Ademais, o sistema de consorciação proposto é de adoção viável para a agricultura familiar, possibilitando a diversificação de renda, por meio da obtenção de dois produtos: animal e florestal", reforça o pesquisador a Embrapa, Carlos Renato Tavares de Castro.

Segundo o coordenador da Emater-MG, Souza, apesar de o sub-produto da extração do óleo de pinhão para fabricação de cosméticos (torta), ser tóxico para os animais, é rico em proteína e já existem estudos para torná-lo viável ao consumo animal. "Existem resultados parciais promissores quanto ao desenvolvimento de técnicas de destoxificação desse material para viabilizar o seu uso na alimentação animal", informa.

De acordo com os técnicos envolvidos no projeto, o os resultados do projeto deverão ser conhecidos num prazo de até três anos e caberá à Emater-MG divulgar o sistema silvipastoril entre os produtores rurais. "Vamos avaliar se a alternativa é realmente interessante para o pecuarista e, se for, vamos divulgar", informa o coordenador da Emater-MG, Antônio Domingues. Segundo ele, os extensionistas irão receber treinamento específico sobre a nova cultura e orientação sobre o manejo do sistema proposto, para posterior divulgação da tecnologia e assistência técnica aos produtores interessados em adotá-la.

PINHÃO MANSO

De acordo com a publicação Cultivo de Pinhão Manso Para Produção de Óleo Combustível, de Luiz Antônio dos Santos Dias e colaboradores, a planta pertence à família Euphorbiaceae, a mesma da mandioca, mamona e seringueira, sendo um arbusto de crescimento rápido, que pode atingir de três a cinco metros de altura. Ao ser consorciado com pastagens, o gado pode ser inserido no sistema tão logo as plantas atinjam altura de 50 cm.

Essa espécie arbustiva libera látex, um líquido leitoso que é tóxico e pode queimar a pele. Mas segundo o pesquisador da Embrapa, Carlos Renato Tavares de Castro, a presença do látex pode estar relacionada ao fato de os animais não consumirem as folhas quando ainda verdes e presas à planta mãe, vantagem adicional ao sistema por possibilitar a introdução precoce dos animais nas áreas consorciadas, sem necessidade de proteção das mudas contra pastejo ou danos físicos causados pelos animais. Ainda, relatos de pecuaristas que já possuem o Pinhão Manso em suas pastagens atestam que as folhas secas, caídas ao chão, são frequentemente consumidas pelos animais, não causando-lhes qualquer problema aparente.

Segundos técnicos da área, os lucros obtidos com a cultura de pinhão manso variam conforme a região de cultivo devido a flutuações nos valores de insumos, mão-de-obra e mudas. Na região de Barbacena, o Projeto Jatropha, que incentiva o plantio de pinhão manso, e é liderado pela Fusermann Biodiesel, vem analisando o cultivo da planta desde 2005. Foi observado que o lucro do produtor deve girar em torno de R$ 963,00/ha/ano com a exploração da cultura destinada à produção de biodiesel.

Com informações da Embrapa Gado de Leite.

FONTES:

Emater-MG
Assessoria de Comunicação da Emater-MG
Telefone: (31) 3349-8021

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Algodão tem potencial para produção de biodisel no PI

07/01/09 - O pesquisador José Lopes Ribeiro, em pesquisa, informa que o algodão e o girassol têm potencial para a produção de biocombustíveis no estado do Piauí e Maranhão. Estudos desenvolvidos pela Embrapa Meio-Norte ao período de 8 anos revelaram uma produtividade média no Piauí de 4,3 toneladas de algodão caroço por hectare.No maranhão, esse número chega a 4,2 toneladas. Tendo o caroço de algodão um teor de 18% à 20%.

Nesses 8 anos de estudos em 7 cidades de cada estado, foram implantados 82 experimentos. No Piauí Baixa Grande do Ribeiro e Uruçuí foram os municípios que tiveram a melhor média de produtividade. No Maranhão, as melhores produtividades foram registradas nos municípios de Tasso Fragoso, com uma variação de 2,7 toneladas por hectare a 4,2 por hectare.

As pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Meio-Norte indicam que o girassol é a mais novo opção para a produção de biocombustíveis,os estudos conduzidos em 5 municípios do Piauí e em e 5 do Maranhão, reforça a tese do pesquisador José Lopes Ribeiro: “ as condições de clima e sol, principalmente nos cerrados, são favoráveis ao desenvolvimento da cultura”.

Em 29 experimentos de avaliação de genótipos de girassol, conduzidos num período de nove anos, a produtividade variou de 1,1 tonelada de grãos por hectare a 1.9 tonelada de grãos por hectare. Mas a cultura do girassol ainda está em desenvolvimento no Brasil. De acordo com o levantamento do IBGE em 2008 a área colhida do Brasil com girassol foi de 90.493 hectares, sendo superior a 139 mil toneladas.


Fonte: Diário do Povo

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Biodiesel de gordura humana

O departamento de Saúde do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, está investigando o caso de um médico que teria usado a gordura retirada das pacientes durante procedimentos de lipoescultura como combustível para seus carros, segundo informações da revista Forbess.

A gordura, tanto animal quanto vegetal, contém triglicerídeos que podem ser extraídos para a produção de biodiesel.

O esquema do médico, que transformava a gordura retirada de seus pacientes em biodiesel para o seu carro - um Ford SUV - veio à tona durante outra investigação, de reclamações feitas por pacientes contra procedimentos cirúrgicos da clínica.

A clínica de Alan Bittner, chamada Beverly Hills Liposculture, funcionava na famosa cidade americana nos arredores de Los Angeles, considerada a "capital mundial da cirurgia plástica".

Ainda não está claro como Bittner transformava a gordura extraída em lipoaspirações em biodiesel - mas nos Estados Unidos e em outros países é cada vez mais comum a busca por alternativas como óleo usado de cozinha ou banha animal para a produção do biocombustível.

Em um site dedicado à promoção da reciclagem da gordura de suas pacientes,Bittner defende a idéia: "A grande maioria das minhas pacientes pedem que eu use a gordura retirada delas como combustível - e eu tenho mais gordura do que preciso usar. Não apenas elas perdem a barriguinha, mas também fazem sua parte em salvar o planeta".

Segundo a Forbes, usar gordura para alimentar motores de carros "pode ser ecologicamente defensável, mas é ilegal na Califórnia usar resíduos humanos hospitalares como combustível".

No website da clínica de Bittner, um comunicado avisa as pacientes sobre o fechamento da clínica, no dia 20 de novembro. Na nota, o médico diz que decidiu fechar o consultório porque teria resolvido trabalhar como voluntário na América do Sul.

Em outras páginas na internet, fóruns de discussão trazem comentários e reações de pacientes com o fechamento da clínica.

Uma delas afirma: "Honestamente, o que realmente mexeu comigo, acima de tudo é que parece que ele usava nossa gordura para fazer biodiesel. Como a cena do filme Clube da Luta, não é?", comenta.

No filme, o personagem Tyler Durden, interpretado por Brad Pitt, rouba gordura de clínicas de lipoaspiração para fazer sabonetes, vendidos por ele em lojas de departamento de luxo.

Fonte:

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Quem é o vilão?

Fica claro que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro.

Desde a época do Pró-álcool nunca se falou tanto sobre etanol. Na década de 1970, o combustível foi a salvação da primeira grave crise energética enfrentada pelo Brasil. Aos poucos, o petróleo retomou seu posto e o pobre combustível tupiniquim foi relegado a uma quase nobre insignificância, já que um herói, mesmo que enfraquecido, nunca deixaria de ser um herói.

Naturalmente, tratava-se apenas do primeiro round. As reservas naturais de petróleo já começam a dar sinais de cansaço, o preço do barril se eleva a cada pregão das bolsas, o que eleva ainda mais o preço na bomba para o consumidor, que é quem paga a conta. Todas essas peças já comporiam um cenário mais que perfeito para o surgimento de uma via alternativa, mas não bastou. Com mudanças bruscas na temperatura do planeta e fenômenos naturais que assolam cidades inteiras, o meio ambiente dá sinais de que algo precisa mudar, e rápido.

Como em todas as histórias de bandidos e mocinhos, por diversas vezes o mocinho é interpretado como um oportunista, que lança mão da desgraça alheia para agregar valor ao seu poder. Com o etanol não poderia ser diferente. A bola da vez foi a crise dos alimentos e declarações sem qualquer fundamentação técnica publicadas na imprensa mundial tentaram em vão fazer uma relação direta entre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos.

Há inúmeros fatos que refutam completamente tais afirmações. Em primeiro lugar, há uma crescente demanda no consumo de alimentos, impulsionada por países como China e Índia, concomitante a um aumento da população mundial e a uma elevação de renda dos países emergentes. Para se ter uma idéia, nos últimos 200 anos a população mundial saltou de 957 milhões para 6,7 bilhões de pessoas. E a projeção é de que em 2050 o mundo tenha nada menos que 9 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional aumenta também o desafio de se produzir mais para alimentar tanta gente. Em 2001, por exemplo, a China consumia por ano 450 milhões de toneladas de cereais. No ano passado, esse número saltou para 513 milhões de toneladas.

Outro ponto que sem dúvida interfere nos custos dos alimentos é o preço do petróleo que, segundo analistas do setor, deve chegar em breve à casa dos 200 dólares o barril. A explicação é simples. O petróleo é utilizado como matéria-prima para grande parte dos combustíveis utilizados no maquinário agrícola, no transporte de alimentos e na produção de fertilizantes. Talvez nem precisassem ser citadas as diversas barreiras tarifárias impostas aos mais variados insumos alimentícios em todas as partes do mundo. Ou seja, os custos para produção de alimentos tiveram uma grande elevação.

Entre tantas provas de que o etanol não é o vilão desta história, ouvi o mais interessante argumento dito por um produtor de biodiesel em um evento do qual participei em Nova Iorque. “Na Somália, por exemplo, um dos graves problemas é a falta de arroz. Até onde sabemos, hoje não há nenhum biocombustível sendo feito a partir do arroz, nem tampouco os biocombustíveis deslocam áreas de plantio de arroz”.

Tantos argumentos só justificam o que o mundo inteiro já viu. Hoje são consumidos em torno de 1 trilhão de litros de gasolina/ano. Caso fossem adicionados ao combustível 25% de etanol, seria criado um mercado de 250 bilhões de litros de etanol/ano. Para se ter uma idéia, hoje a produção brasileira representa menos de 25 bilhões de litros/ano. Contudo, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 25% de toda a frota de veículos no mundo poderão ser movidos a etanol até 2050.

Naturalmente, utilizar o argumento que incrimina o etanol de milho e o combustível da cana funcionaria como um belo susto àqueles que pensavam em investir maciçamente nesse setor. Mas essa argumentação durou pouco e não funcionou. Ao contrário, os investimentos externos nesse setor nunca foram tão intensos. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os investimentos externos diretos nas atividades agrícolas cresceram mais que em outros setores da economia, como indústria e serviços. Nos últimos sete anos houve um aumento de 500%, de 2,3% para 13,8% do total de investimentos.

A vantagem do Brasil está latente, para quem tiver interesse em ver. O potencial do país pode conduzi-lo ao papel de um dos mais importantes players desse mercado, afinal, projeções indicam que o país deve liderar o mercado As condições são ideais em todos os sentidos. Maior fronteira agrícola do mundo, com terras férteis e vasta área para o cultivo, clima e relevo adequados, know-how que vem evoluindo desde o Brasil colonial e um forte aporte de investimentos externos.

O setor sucroalcooleiro no Brasil vem se preparando para um novo patamar de crescimento, com uma maior profissionalização na gestão das usinas, diversificação de investimentos como a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar, busca constante por inovações tecnológicas no canavial, movimento de fusões e aquisições, abertura de capital, processo de Governança Corporativa, entre outras práticas que dão credibilidade ao mercado. Fica claro, assim, que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro. Para quem não acreditava no Brasil, observe os heróis e guerrilheiros angustiados com o canto do Macunaíma.

Marcelo Schunn Diniz Junqueira
Marcelo Schunn Diniz Junqueira é engenheiro agrônomo e CEO da Clean Energy Brazil.

Fonte: Clean Energy Brazil

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Brasil, algas e biodiesel: uma aposta que pode gerar riqueza

Quando Rudolf Christian Karl Diesel inventou o motor a combustão em 1897, desenhou-o para funcionar com óleos vegetais, como o de amendoim.

A história demonstra, portanto, que o interesse pela utilização do biodiesel não é novo. Entretanto, à época, por ser mais barato e mais fácil de produzir, o óleo feito a partir do petróleo ganhou o mercado e foi “batizado” com o sobrenome de Diesel.

Atualmente, calcula-se que o consumo mundial de diesel gira em torno de 684 milhões de toneladas, com potencial de crescimento de 8% ao ano. Já a produção mundial de biodiesel representa 0,035% do mercado, ou seja, 2,4 milhões de toneladas. Com o preço do petróleo atingindo patamares proibitivos, principalmente pelo efeito cascata que provoca em cadeias de produção dependentes de seus derivados e de seu freqüente uso como arma econômica, questiona-se a opção feita no passado e cada vez mais se aproxima ou retorna-se ao ponto de partida de Rudolf Diesel.

Pesquisas recentes indicam que a produção de biodiesel a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis. Com potencial de produção de óleo muito superior por área equivalente de cultivo do que as culturas tradicionais produzidas em terra e utilizadas na produção do biodiesel, as microalgas despertaram o interesse mundial e as pesquisas e estratégias dos investidores são, em sua maioria, mantidas em segredo. Enquanto a soja produz de 0,2 a 0,4 toneladas de óleo por hectare, o pinhão manso produz de 1 a 6 toneladas de óleo por hectare e o dendê, de 3 a 6 toneladas de óleo por hectare. Alguns, mais otimistas, afirmam que com um hectare de algas pode-se produzir 237 mil litros de biocombustível; outros, mais contidos, informam que em uma superfície equivalente a um hectare semeado com alga pode-se produzir 100.000 litros de óleo.

Sendo possível cultivá-las em água salgada ou doce em ambiente que disponha de calor e luz abundantes, é inegável que o Brasil possui condições ideais para a produção de microalgas, em especial na Região Nordeste. De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável. Sem dúvida, um achado.

Atentos ao movimento mundial, empresas públicas e privadas e o Governo brasileiro estão investindo no desenvolvimento da produção de biodiesel a partir de microalgas. Exemplos são a parceria entre a Petrobras, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Rio Grande, e o recente edital publicado em conjunto pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca e Aqüicultura e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O Edital nº 26/2008, de 11 de agosto de 2008, é o primeiro que tem como objeto o apoio a projetos de pesquisas que contemplem a aqüicultura e uso de microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel e tem previsão de repasse de R$ 4,5 milhões por meio do CNPq. Segundo o Edital, serão admitidos projetos que englobem todo o processo de produção e transformação em temas como: desenvolvimento de técnicas de cultivo de microalgas de baixo custo e que visem a produção de óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel; estudos de potencial de cepas de microalgas; avaliação da viabilidade econômica do processo global do cultivo à obtenção de biodiesel; processos mais econômicos e eficientes do que os convencionalmente usados para a coleta de microalgas e extração do óleo para a produção de biodiesel. As propostas poderão ser apresentadas até o dia 25 de setembro, os resultados serão divulgados a partir de 27 de outubro e os contratos firmados a partir de 1º de dezembro.

Como resultado da soma do crescimento da demanda por biodiesel no Brasil, estimulada pela publicação da Lei nº 11.097, de 14 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, com as condições climáticas e territoriais favoráveis à produção de algas no Brasil, têm-se condições apropriadas para o investimento em pesquisas, inovação e a instalação de novas plantas industriais para produção de biodiesel nas mais variadas regiões do país. Cenário que pode tornar o Brasil um país ainda mais atraente para os investidores interessados na produção de biocombustíveis, tanto para uso no mercado interno quanto para a exportação.

Investidores certamente não faltarão. O uso das algas como matéria-prima para produção de biocombustíveis vem sendo pesquisado em países como Japão, Estados Unidos da América, Israel, Alemanha, Portugal, Suíça, Argentina e Espanha. Exemplo de investimento é o anúncio feito pela Royal Dutch Shell e HR Biopetroleum, informando a construção de uma planta-piloto na costa de Kona, no Havaí, com o objetivo de cultivar algas marinhas e produzir óleo vegetal para conversão em biocombustível.

Importante observar que o litoral brasileiro, que é banhado pelo Oceano Atlântico, do Arroio Chuí ao Cabo Orange, possui 9.198 Km quando consideradas suas saliências. Além disso, a maior bacia hidrográfica do mundo, com 7.050.000 km² é a Bacia Hidrográfica Amazônica, que a ela podemos somar as Bacias do Rio São Francisco, dos Rios Tocantins e Araguaia e do Rio da Prata.

Efetivamente, caso a corrupção, a insegurança jurídica e a burocracia não atrapalhem esse promissor segmento, a economia nacional muito poderá se beneficiar.

Reginaldo Minaré
Advogado e Diretor Jurídico da ANBio

Fonte: Grupo Cultivar

Do:

Microalgas podem produzir 100 vezes mais biocombustível do que a soja

RIO - Na busca por fontes de energia menos poluentes e mais econômicas, pesquisadores brasileiros dão um grande passo ao mostrar a eficiência das microalgas, encontradas no litoral brasileiro, como matéria-prima para produzir biodiesel. A pesquisa, desenvolvida pelo Instituto de Biologia da Universidade Federal (UFF), sugere que as algas têm capacidade de gerar 90 mil litros de óleo por hectare ao ano, enquanto a soja, principal base do biodiesel do Brasil, produz apenas 500 litros por hectare. Além disso, as algas ajudam a combater o efeito estufa, uma vez que precisam de dióxido carbônico (CO2) para se reproduzirem.

– O projeto de tornar algas em biomassa é visto, hoje, como algo promissor. Uma das razões é o alto valor do petróleo, que esse ano chegou a atingir US$ 140 o barril. A diminuição do preço de custo de produção do biodiesel também contribuiu. E, atualmente, há uma extrema preocupação em retirar carbono da atmosfera – explica Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

A alternativa também não encontra obstáculos na agricultura. As microalgas são cultivadas em água e, como não possuem raíz, nem caule, demandam um espaço pequeno para se reproduzirem. Além disso, crescem mais rápido que qualquer outra planta. Num espaço equivalente a um hectare, por exemplo, as algas têm capacidade de produzir 100 vezes mais óleo que a soja.

– Em matérias-primas como soja e amendoim só é aproveitado um pedaço pequeno da planta, ou só o fruto, para gerar óleo. Já nas algas, todas as células são aproveitadas por isso a produção é alta – avalia Lourenço. – Não é preciso desmatar áreas para cultivá-las. E não entra em atrito com a produção de alimentos, já que ninguém come algas.

Antonio José Maciel, professor da faculdade de engenheira agrícola da Unicamp, diz que, mesmo o projeto estando em fase laboratorial, mostra-se promissor.

– É algo que poder ter alto potencial. Nosso país tem grandes condições de produção devido ao clima e à água, mas é preciso um programa de pesquisa que dê resultados para, assim, receber investimentos – afirma Maciel.

Embora os benefícios do biodiesel de algas prevaleçam, há questões que dificultam o investimento de instituições. Além do cultivo ser trabalhoso, e portanto, demandar uma equipe especializada – não pode ser elaborada por agricultores – precisa ainda de investimentos em pesquisas.

– A soja não precisa mais ser pesquisada, e já existem os particulares que a cultivam e vendem. Já o processo de produção de algas exige alto investimento. A separação das células que serão convertidas em biodiesel demanda muito recurso – confessa Lourenço. – O biodiesel de algas ainda não é viável, mas acredito que em cinco anos já vamos ter produção comercial em escalas grandes.

Redução de custos

A Petrobras também desenvolve, desde 2006, pesquisas com esse tipo de matéria-prima. Segundo a instituição, os próximos passos do projeto serão produzir maior quantidade de biomassa e aumentar o volume da produção de biodiesel de microalgas.

– Nosso maior desafio é buscar a redução de custos, o ideal seria reduzir bastante os gastos, o que só seria possível com tecnologia de ponta aplicada ao processo – avalia o oceanógrafo Leonardo Bacellar, pesquisador do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras.

Fonte:

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Cientistas produzem diesel com restos de café

Em uma pesquisa que combina duas das grandes obsessões dos norte-americanos - café e automóveis - cientistas da Universidade de Nevada em Reno produziram combustível diesel tendo por base restos de café.

A técnica não é complicada, reportaram os pesquisadores em artigo publicado pelo Journal of Agricultural and Food Chemistry, e a disponibilidade de café é tão grande que diversas centenas de milhões de litros de biodiesel à base de café poderiam ser produzidos a cada ano.

Mano Misra, professor de engenharia que conduziu a pesquisa com Narasimharao Kondamudi e Susanta Mohapatra, afirmou que descobriu por acidente que os grãos de café continham volume significativo de óleo.

"Certa noite, fiz um café mas me esqueci de bebê-lo", ele contou. "Na manhã seguinte, percebi que havia uma camada oleosa flutuando na superfície da bebida". Ele e sua equipe acreditavam que pudesse existir volume aproveitável de petróleo em grãos de café usado, e por isso visitaram diversas unidades da rede de cafés Starbucks em Reno e recolheram mais de 200 quilos de grãos de café usados.

Uma análise demonstrou que até mesmo os restos de café pós-moagem e fervura contêm entre 10% e 15% de seu peso total em óleo. Os pesquisadores utilizaram técnicas comuns na química para extrair o óleo desses grãos e transformá-lo em diesel. Os processos envolvidos não requerem uso especialmente intenso de energia, segundo Misra, e os pesquisadores estimaram que o biodiesel poderia ser produzido a um custo de cerca de 26 centavos de dólar por litro.

Um obstáculo, disse Misra, seria encontrar uma forma eficiente de recolher os restos de café. Não existem muitas fontes centralizadas de coleta de grãos usados de café. Mas os pesquisadores planejam montar uma pequena operação-piloto no ano que vem que usaria os restos fornecidos por uma empresa de moagem de café.

Mesmo que todos os restos de café do mundo fossem utilizados na produção de combustível, o total produzido equivaleria a menos de 1% do óleo diesel consumido ao ano nos Estados Unidos. "O método de maneira alguma resolveria os problemas mundiais de energia", disse Misra a respeito de seu trabalho. "Mas nosso objetivo é utilizar resíduos e transformá-los em combustível". E o biodiesel produzido à base de restos de café tem outra vantagem, ele disse: os gases de escapamento cheiram a café.

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Cenário de incertezas para cotações do óleo de palma no exterior

11/12/08 - Pressionados pela desaceleração econômica mundial derivada da crise financeira irradiada a partir dos EUA, os preços internacionais do óleo de palma despencaram nos últimos meses e têm poucas perspectivas de recuperação no curto prazo.

Ontem, na bolsa da Malásia, os contratos com vencimento em fevereiro, atualmente os mais negociados, até que subiram, US$ 11, e fecharam a US$ 441,22 por tonelada. Mas as perdas em relação ao pico histórico de US$ 1.353,70 alcançado pelos futuros de terceira posição de entrega em março passado preocupam produtores e exportadores.

Ainda que tenha pouca relevância no Brasil, responsável por pouco mais de 100 mil toneladas de uma produção total anual da ordem de 37 milhões de toneladas, o óleo de palma é o óleo vegetal mais consumido do mundo. A oferta é encabeçada por Malásia e Indonésia, e a rainha do consumo, é claro, é a China.

E são os chineses o principal foco de preocupação do segmento no momento. Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma, maior empresa do ramo no Brasil, afirma que os importadores do gigante asiático estão "fora do mercado", comprando apenas pequenos volumes, desde as Olimpíadas, em meados do ano. Com isso, afirma, os estoques dos exportadores crescem a olhos vistos.

Se os estoques da China são um mistério mesmo para os mais bem informados, tanto os de Malásia quanto os de Indonésia já superaram 2 milhões de toneladas, conforme Brito. A Malásia ainda conseguiu um bom aumento de embarques nos primeiros dez dias de dezembro (por isso os preços subiram ontem), mas em parte graças à Índia. Em tempos de recessão, diz o executivo, isso significa que, como em outros setores da economia, a tendência de consolidação parece inevitável.

Se no óleo de soja entre 70% e 80% da produção mundial é dominada por cinco ou seis grandes grupos, no óleo de palma a mesma fatia é dividida por entre 30 e 35 empresas. Empresas como as americanas ADM, Bunge e Cargill atuam nos dois mercados, e na palma disputam espaço com grandes companhias asiáticas.

Nesse contexto, medidas adotadas pelo governo brasileiro para facilitar as importações recebem duras críticas da Agropalma. Brito lembra que há dois anos o país eliminou a tarifa de importação de 10% que onerava o óleo da Colômbia, 5º maior produtor mundial. Em 2008, a tarifa do óleo de palmiste, que era de 10%, caiu para 2%. Extraído da polpa da palmeira, o óleo de palma, com distintos níveis de refino, é muito utilizado na alimentação - o azeite de dendê baiano é um exemplo. Já o óleo de palmiste, extraído da semente, serve às indústrias oleoquímica e de cosméticos, entre outras.



Fonte: Valor Econômico

Biodiesel feito de algas

11/12/08 - Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.

As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa.

“Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo”, destacou.

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.

Algas para aviação

Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.

Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal – uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo.

“O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea”, disse Lourenço.

Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel – ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores.

“Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene”, disse.

Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.

O projeto da UFF será um dos destaques de um Congresso da Associação Brasileira de Biologia Marinha que será realizado em abril de 2009, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.


Washington Castilhos
Fonte: Agência Fapesp

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Canudo-de-pito (Mabea fistulifera Mart)

O gênero Mabea contém cerca de 50 espécies, dentre as quais a Mabea fistulifera Mart., pertence à família Euphorbiaceae, é uma planta nativa, amplamente encontrada no Cerrado e em áreas de transição para Mata Estacional Semidecidual. Ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (LORENZI 2000). É normalmente encontrada agregada em bordas de mata e em locais com impacto antrópico acentuado. Sua presença é muito comum na região noroeste do estado de São Paulo. A floração desta planta ocorre de fevereiro a junho, atingindo o pico entre abril e maio (LORENZI 2000), que corresponde ao início da estação seca na região; por ocorrer durante o período de escassez de alimento, muitos animais utilizam seu pólen e néctar, produzidos em abundância, como fonte alternativa de alimento. Dentre esses animais encontram-se espécies de macacos (ASSUMPÇÃO 1981, FERRARI & STRIER 1992, PASSOS & KIM 1999), morcegos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996), gambás (VIEIRA et al. 1991), aves (VIEIRA et al. 1992, OLMOS & BOULHOSA 2000) e insetos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996).

Mede de 6 a 15 metros de altura, ocorre agregadas com raras presenças de indivíduos isolados. É uma espécie monóica, latescente. O fruto é uma tricoca, subgloboso, levemente tri-sulcados, de aproximadamente 15,5 a 19,0 mm de comprimento/diâmetro com epi-mesocarpo trincado. As sementes são oblongas a abovóides medindo de 6 a 10 mm de comprimento, incluindo a carúncula, e a 5 a 7 mm de largura com a rafe na parte central.

A maturação da semente ocorre de setembro a outubro, produzindo grande quantidade. É uma planta adptada a solos de baixa fertilidade e acidez elevada, sendo por isso muito utilizada em recuperação de áreas degradadas.

O rendimento do óleo das sementes de canudo-de-pito extraído da planta é da ordem de 40%.

É uma especie arbórea com boa capacidade de rebrota pós-fogo.

Conhecida popularmente como mamoninha do mato, leiteira preta, canudeiro e canudo de pito. É uma planta elegante e própria para arborização de ruas estreitas e sob redes elétricas. Como planta pioneira é adaptada à luz direta e pouco exigente em solo. É ótima para plantios mistos destinados à recomposição de áreas degradadas.

Fonte: Fontes Diversas

Ver também: Canudo-de-pito para Biodiesel

Canudo-de-pito para Biodiesel

Uma planta nativa do Cerrado e de áreas de transição para Zona da Mata mineira, conhecida como canudo-de-pito, pode ampliar, de forma promissora, as fontes de óleo para a produção de biodiesel, segundo pesquisas realizadas no Laboratório de Instrumentação e Quimiometria do Departamento de Química da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

As sementes de canudo-de-pito (Mabea fistulifera Mart), da família das euforbiáceas, produzem grande quantidade de óleo, na ordem de 35% de seu peso. Os constituintes principais desse óleo são os ácidos linoleico, também conhecido como ômega-6, com aproximadamente 20%, e linolênico, o ômega-3, com aproximadamente 70%.

Os trabalhos vêm sendo conduzidos pela estudante de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica, Flávia Elaine de Andrade Pereira, e por seu orientador, professor César Reis.

Quando se fala em biodiesel, exemplifica o orientador, pensamos logo em oleaginosas como mamona, pinhão-manso, soja, pequi, macaúba, indaiá, buriti, babaçu, cotieira e tingui, dentre outras. Mas o canudo-de-pito é uma espécie muito interessante, ainda não explorada para essa finalidade.

A planta é encontrada com facilidade em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, agregada em bordas de mata e em locais que sofreram impactos causados pela ação do ser humano de forma acentuada. Sua presença é muito comum na região noroeste do estado de São Paulo.

César Reis informa que a floração da planta ocorre de fevereiro a junho e a maturação da semente, de setembro a outubro, produzindo grande quantidade. É uma planta adaptada a solos de baixa fertilidade e de acidez elevada, sendo por isso muito utilizada em recuperação de áreas degradadas, principalmente por mineração.

A composição química do óleo lhe confere propriedades químicas e físicas importantes na produção de biodiesel. O alto teor de ácido linolênico confere ao biodiesel uma viscosidade muito baixa, quando comparada ao óleo de mamona, assemelhando-se muito à do óleo diesel. Essa característica faz com que o biodiesel obtido do óleo de canudo-de-pito seja mais fluido, o que facilita a sua injeção na câmara de combustão, através dos bicos injetores.

Além da viscosidade, outras análises exigidas pela portaria ANP 255/2003, que trata da especificação do biodiesel, foram realizadas para determinar estabilidade, oxidação, densidade, corrosividade ao cobre, teor de enxofre, teor de sódio e de potássio, índice de acidez e de saponificação, etc. Estando todas de acordo com essa Portaria.

Como avalia César Reis, as características do canudo-de-pito permitem que pequenos agricultores o cultivem como fonte alternativa de renda, satisfazendo, assim, o lado social do programa do biodiesel. Além disso, para o seu cultivo, não é necessário utilizar áreas destinadas à produção de alimentos, como é o caso da soja e de outras oleaginosas, pois ela se adapta em áreas que não seriam mesmo usadas para o cultivo de cereais e oleaginosas tradicionais.
MAIS INFORMAÇÕES
Professor César Reis
Telefone: (31) 3899-3066
E-mail: cesar@ufv.br
Universidade Federal de Viçosa
Coordenadoria de Comunicação Social da UFV
Telefones:(31) 3899-2112 - (31) 3899-1741
Telefax: (31) 3899-1475

Fonte: BlogVisão

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Biodiesel: para cada região, uma solução

A produção de matéria-prima para o biodiesel não precisa ser restrita aos grandes produtores ou a apenas uma cultura. As pequenas propriedades familiares e as entressafras, se bem aproveitadas, podem garantir ao Brasil a auto-suficiência energética sustentável.

“Exportar biodiesel nas atuais condições é ambientalmente insustentável. A substituição de importação é o objetivo imediato do setor”, garantiu Univaldo Vedana, analista de biodiesel do portal BiodieselBR.com.

A escolha da cultura de acordo com o mais adequado para cada região é essencial. Além de resultar em maior produção de óleo por hectare, não exige que o agricultor abandone os alimentícios ou mude radicalmente sua maneira de trabalhar.

“Só não podemos continuar cometendo erros previsíveis como a mamona no Rio Grande do Sul ou o girassol no Nordeste. Plantas anuais no Nordeste são um problema. Sem contar que plantar mamona no verão lá seria deixar de produzir arroz e feijão; como dar a arma ao bandido”, disse Vedana.

A agricultura familiar é solução viável ao abastecimento da indústria de biocombustível e pode levar emprego e renda ao campo. Embora a primeira tentativa governamental – a mamona – não tenha sido muito bem sucedida, o cultivo em pequenas propriedades ainda pode garantir vantagens econômicas, sociais e ambientais na produção de óleo vegetal.

Pinhão manso, leucena e moringa são exemplos que poderiam ser muito bem aproveitados pela região Nordeste. São indicados para áreas secas, não dependem de chuvas regulares e são adequados ao plantio em associação. Abóbora, gergelim, feijão guandu e outros, quando plantados em consórcio, são beneficiados da sombra e camada vegetal proporcionadas pelas oleaginosas.

Ademais, o cultivo em consórcio incrementa a renda dos produtores e alavanca a produção alimentícia. A demanda por mão-de-obra ainda acresce empregos ao campo e ajuda a fixar renda no local. A preocupação justifica-se do ponto de vista ético: a segurança energética deve se aliar à segurança alimentar e não desestabilizá-la.

A região Norte seria beneficiada com a produção do dendê. Entre outras plantas nativas, ele poderia ser utilizado para reflorestamento de áreas desmatadas pela pecuária, que se degradam rapidamente. “Só o estado do Pará estaria apto a produzir todo o biodiesel necessário para o país”, afirmou Donato Aranda, engenheiro químico e coordenador do Laboratório de Tecnologias Verdes (Greentec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No Sul, está comprovado o sucesso da canola, da linhaça, do nabo forrageiro e do girassol de primavera. No Centro Oeste, como em Goiás, a produção de girassol também foi eficaz. Nas áreas em que o plantio de soja ou milho já foi implantado, é possível utilizar-se da entressafra para o cultivo de plantas como girassol, amendoim, canola, crambe e linhaça.

Tal método evita o desmatamento por aproveitar as áreas já utilizadas pela safra de verão e funcionaria como uma resposta rápida à demanda das usinas. O empobrecimento do solo acaba retardado pelo processo, que é mais rápido nas monoculturas.

A agricultura mecanizada pode ajudar as grandes usinas a suprir os centros de maior demanda energética e, mais tarde, a exportar. Enquanto isso, a agricultura familiar encarrega-se de produzir variedade de oleaginosas, gerar emprego no campo e também alimentar as pequenas usinas regionais, evitando maiores gastos com transporte e driblando possível falta de infra-estrutura.

As pequenas usinas são viáveis à produção de energia para cooperativas e municípios. Possibilitar o desenvolvimento local não só gera distribuição de renda como garante melhor aproveitamento do potencial do país. As pequenas usinas são aliadas à retenção de riquezas locais e agregam valor à produção agrícola.

O uso inteligente das terras brasileiras pode assegurar ao país alimento e energia com vantagens sociais e ambientais. “Falta um Estado indutor, com política agrícola satisfatória”, colocou Vedana. São precisos, no entanto, revisão da carga tributária, concessão de benefícios e políticas agrícolas específicas e regionais para que o plano dê certo.

Por Nina Adorno

Fonte: Blog BioDolares

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Óleo de cozinha pode virar sabão e biodiesel

22/10/08 - Pelo simples fato de que o óleo de cozinha despejado na pia pode degradar o meio ambiente, a coleta seletiva do produto já deveria ser hábito da sociedade. Mas há mais a considerar: o óleo pós-consumo pode ser reaproveitado e utilizado para desenvolver novas substâncias e novos processos produtivos, movimentando a economia. Sabão, ração animal, massa para vidro e biodiesel são alguns produtos resultantes da reciclagem do óleo de cozinha. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e com o apoio do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), realiza estudos para viabilizar o uso de óleo de cozinha na produção de biodiesel em Pernambuco.

Atualmente, a pesquisa está concentrada nos laboratórios do Departamento de Engenharia Química da UFPE, mas uma unidade piloto para produção da substância está em processo de montagem na empresa Brastec, localizada no Recife. A previsão é de que comece a funcionar no próximo ano, com capacidade para produzir 200 litros de biodiesel diariamente. Contudo a expectativa dos pesquisadores José Geraldo Pacheco e Cláudia Bejan, esta da UFRPE, é construir uma unidade ampliada dentro do próprio campus da UFPE. "Queremos uma estrutura com capacidade para produzir até 500 litros de biodiesel por dia", diz Pacheco, que, junto com Cláudia, irá buscar financiamento para estrutura.

Para a produção de biodiesel, o óleo de cozinha é colocado em contato com um álcool, que pode ser o metanol ou o etanol, na presença de um catalisador, substância que acelera a reação química. A mistura reage durante cerca de uma hora, resultando em biodiesel e glicerina. Os dois produtos vão para um equipamento chamado de fio de decantação e separados. O álcool e a água que ainda restam no biodiesel são retirados por um processo de evaporação por aquecimento.

Já isolado, o biodiesel é purificado e submetido a mais de 20 tipos de análises, previstas em portaria da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A glicerina, que se constitui em resíduo no processo, pode ser purificada e vendida no mercado ou utilizada na produção de biogás. "Não é recomendado que ela seja queimada, para que não seja produzida acroleína, substância considerada tóxica", alertou Pacheco.

MENOS POLUENTE - O biodiesel é renovável e contribui menos que outros combustíveis para o aumento do aquecimento global. "Apenas 10% da massa que reage e resulta em biodiesel é constituída de metanol, um álcool oriundo do petróleo", explicou o pesquisador José Geraldo Pacheco, da UFPE. Caso seja utilizado etanol ao invés de metanol no processo de produção, o biodiesel em si não é poluente. "O que pode contribuir para a poluição ambiental é, por exemplo, o transporte, se for utilizado um combustível fóssil no veículo", acrescentou.

Na pesquisa conduzida pela UFPE e pela UFRPE, a idéia é também agilizar o processo de análise química de amostras do biodiesel produzido. "O infra-vermelho é capaz de analisar conjuntamente a viscosidade, a densidade e a composição de uma amostra do combustível, entre outros aspectos. Tradicionalmente, cada característica do biodiesel é analisada separadamente, utilizando-se diferentes equipamentos, o que torna o processo mais lento e aumenta os custos, que podem chegar a R$ 1 mil", explicou Pacheco. O uso de infra-vermelho para esse tipo de análise, no entanto, ainda não é aceito pela ANP. Também não há previsão da redução nos custos utilizando-se o novo método, já que a escala aplicada atualmente ainda é é experimental.


Fonte: JC Online

Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Queda no preço dos insumos impulsiona setor de biodiesel

07/11/08 - Na contramão da crise que atinge quase todos os setores do agronegócio o segmento de biodiesel reverte a tendência de paralisação nos investimentos e vive momento de expansão. A queda dos preços dos insumos no mercado internacional aliada a uma demanda interna firme está garantindo lucro às indústrias do setor que continuam com o preço de venda do produto fixado pelos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Se comparado aos momentos de maior alta na cotação em 2008, a redução nos custos com a aquisição do óleo de soja, principal insumo para a produção do biocombustível, já ultrapassa 30%. Na última quinta-feira, a tonelada do produto posto em São Paulo foi comercializada a R$ 1,94 mil a tonelada, valor bastante inferior a um dos picos de preço como no início do mês de março quando chegou a ser negociado a R$ 3 mil a tonelada. Em julho, antes de a crise financeira ser amplamente detectada, o biocombustível já dava sinais de desvalorização sendo negociado a R$ 2,5 mil a tonelada.

"Atualmente o setor está numa situação mais favorável e de certa forma a crise está beneficiando as usinas que não precisa tomar crédito no mercado. Elas estão comprando óleo de soja mais barato e isso está refletindo em margens mais vantajosas", avalia o analista da Safras & Mercado, Miguel Biegai, que acredita na manutenção da tendência pelo menos até o final de dezembro, quando as empresas devem terminar de entregar os volumes estipulados pelos leilões.

O cenário favorável que já fez com que grandes companhias do setor, como a Archer Daniels Midland Company (ADM) e o Grupo União, anunciassem nas últimas semanas projetos de expansão também atrai novos players, como a Companhia Brasileira de Energias Alternativas e Renováveis (CBEAR) que pretende investir 300 milhões de euros para produzir 600 mil toneladas ao ano, a partir de 2010.

Empresas que atuam em outras áreas também buscam se beneficiar do bom momento. Para acelerar sua entrada no mercado, a Gianezza está financiando projetos para a instalação de plantas industriais para refinar glicerina e ácidos graxos em empresas de biodiesel e frigoríficos que produzem sebo animal. Os empresários italianos também visitaram o Brasil para negociar instalação de uma fábrica na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná.

Para a Companhia o Brasil é uma referência no setor não apenas pelo potencial agrícola de gerar matéria-prima para produzir biodiesel, mas pelos subprodutos dele, ainda pouco explorados comercialmente. De olho nesse nicho a empresa irá financiar até 60% do valor de plantas.

De acordo com o executivo encarregado de desenvolver mercados para a Gianezza no Brasil, Hermes Magnani, o fato de o País ser um grande exportador de carne e grande celeiro de oleaginosas, além do crescimento da produção de biodiesel, faz com que a região seja uma das mais promissoras nesse segmento, concorrendo com Índia e China países onde a empresa já atua. "Pretendemos ainda esse ano assinar pelo menos quatro contratos", afirma Maganani. Segundo ele, devido ao potencial de expansão que a empresa optou em investir no País mesmo num momento de cautela dos investidores.

Mercado Externo

Em visita a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o embaixador João Pacheco, chefe da União Européia no Brasil, afirmou que até o ano de 2020, cerca de 10% do combustível dos países que compõem o bloco, devem ser provenientes de energias renováveis, o que abriria caminho para o Brasil se tornar um dos grandes fornecedores para a região.

"Nós produzimos pouco biodiesel e nada de etanol. Vejo que o Brasil, e em especial Mato Grosso, poderá ser o nosso grande exportador de combustível renovável", disse Pacheco, durante reunião realizada ontem.

Segundo a Famato, durante o evento que contou com a presença de um grupo de empresários e lideranças do setor produtivo, o embaixador ainda afirmou que já foram realizadas conversas com o governo brasileiro para fechar um acordo.

Fonte:

Da Agência

Biodiesel trangênico

10/11/08 - O melhoramento genético no setor de biocombustíveis parece ser o novo foco da Monsanto. A empresa iniciou uma parceria na área de pesquisa com a empresa israelense Evogene visando o desenvolvimento de novas variedades de matérias-primas voltadas à produção de biodiesel. Na última semana, a companhia já havia anunciado no Brasil a aquisição da Aly Participações Ltda., controladora da CanaVialis S.A. e da Alellyx S.A., numa negociação que atingiu a marca dos US$ 290 milhões.

Além do acordo para a pesquisa, a Monsanto comprou o equivalente a US$ 18 milhões em participação da Evogene, com possibilidade de comprar mais US$ 12 milhões no futuro numa negociação que estará sujeita a possíveis novas exigências da empresa israelense.

A Evogene é uma das principais empresas do mundo atuando na área de pesquisa direcionada à biotecnologia para o uso de biodiesel e já vem desenvolvendo pesquisas direcionadas às culturas de milho, soja, algodão e canola, mas a partir da parceria com a Monsanto a mamona passaria a ser incluída na lista de estudos prioritários.

A perspectiva para os primeiros resultados dos estudos é de médio prazo. O acordo de colaboração está previsto inicialmente para durar cinco anos e a pesquisa deverá abranger traços chaves da planta como produtividade, estresse ambiental e utilização do fertilizante.

O acordo deve resultar para a Evogene um aporte de US$ 35 milhões. A empresa poderá ainda cobrar royalties dos produtos gerados com os resultados das pesquisas.

A parceria é vista com cautela por pessoas ligadas ao setor de biodiesel no Brasil. Alguns players desse mercado temem que um possível pioneirismo de uma multinacional em sementes modificadas para a produção de biodiesel possa se reverter em custo adicionais para o produtor. "A Embrapa ou outras entidades locais poderiam receber incentivo para fazer uma parceria como essa, mas quem saiu na frente foi uma multinacional que irá cobrar royalties na hora de vender", diz o diretor de Tecnologia da AustenBio, Richard Fontana.

No Brasil, onde a soja ainda é disparado o principal insumo para a produção do biocombustível, as pesquisas ainda estão em fase inicial. De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Antonio Eduardo Pipolo, o processo para incorporar nas cultivares já adaptadas ao País uma alta concentração oléica pode demorar até 10 anos. "Na área de pesquisas com transgênico para esse setor podemos ficar para trás se não houver o investimento necessário", avalia.

Fonte:

Da Agência

Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Esgoto também é fonte de energia

Cientistas israelenses descobriram uma forma de aproveitar um dos materiais mais inúteis e nojentos que a cidade produz: o esgoto. Eytan Levy e Ronen Shechter desenvolveram uma célula combustível que é alimentada pelo trabalho metabólico de bactérias presentes no esgoto e gera energia elétrica.

A célula, uma espécie de bateria, tem o tamanho de uma garrafa PET e não precisa ser recarregada. O fluxo constante de água de esgoto bombeada para dentro da célula alimenta as bactérias. Conforme as bactérias digerem a matéria orgânica do esgoto, elas liberam elétrons, que ativam o circuito elétrico. Essas bactérias são encontradas naturalmente na água do esgoto.

A técnica de utilizar bactérias em baterias elétricas já é conhecida há mais de cem anos. Porém, a energia produzida na decomposição é pequena e os cientistas estão trabalhando agoar em uma forma de otimizar essa produção. “Se combinarmos alguns processos, poderemos obter até 1 kilowatt/hora para cada quilo de dejeto tratado”, disse Levy. Em escala industrial, isso significa obter megawatts a partir dos resíduos que todos os habitantes das cidades produzem diariamente.

(Thaís Ferreira)

Fonte:

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Empresa de Uberlândia coleta óleo usado

A indústria Cavalcante Biodiesel inaugurou a primeira filial em Uberlândia na semana passada e lançou no mesmo dia um projeto de coleta de óleo de cozinha usado. As empresas cadastradas recebem um recipiente coletor que é recolhido quando está cheio, sem custo para o empresário.

A gerente regional da indústria, Karen Ferrari, ressaltou que o óleo destinado à usina reduzirá a quantidade de gordura descartada na rede de esgoto, que chega a seis toneladas por dia, segundo dados do Dmae. Veja aqui a relação entre biocombustível e meio ambiente.

A indústria não vai pagar pelo produto coletado, mas o projeto prevê doação de cestas básicas, que serão adquiridas com o valor total do que o empresário receberia pela coleta do produto. O valor médio de comercialização é de R$ 0,20 por litro.
As empresas interessadas podem entrar em contato com o escritório da indústria em Uberlândia pelo telefone (34) 3084-5023. Segundo Karen Ferrari, cerca de 10 empresas já se cadastraram e a intenção é de que o projeto seja levado a condomínios, edifícios e residências.

A indústria de transformação de óleo de cozinha usado em biodiesel fica em Iguatama (MG) , no centro-oeste mineiro, a cerca de 350 quilômetros de Uberlândia.

Fonte: Correio de Uberlândia

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Alta da demanda de biodiesel retém óleo de soja no Brasil

30/10/08 - Após três meses de o governo decidir aumentar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, os efeitos nas indústrias de insumos que abastecem o setor já podem ser sentidos. Com 1% a mais na mistura - que corresponde à adição de 3% de biocombustível ao diesel (B3) -, é expressivo o impacto no volume de óleo de soja brasileiro que alcança o mercado externo.

A indústria do setor que em 2007 exportou 2,5 milhões de toneladas da matéria prima, este ano deve embarcar um volume 12% menor, ou 2,2 milhões de toneladas, é o que revela os dados e projeções da Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove). "A projeção de exportação para a próxima safra é ainda um pouco menor", afirma Daniel Amaral, economista da Associação Brasileira de Indústria de Óleos Vegetais (Abiove). Até agora o País exportou 1,8 milhão de toneladas de óleo de soja, de uma produção que deve chegar a 6,2 milhões de toneladas.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de óleo de soja referentes a agosto - mês seguinte à alteração da lei - ficaram em 210 mil toneladas, 107 mil a menos que as toneladas exportadas em julho. Essa significativa queda de 33%, reflete pelo menos parte do aumento da demanda interna pelo produto por parte das usinas produtoras de biocombustível. "É fato que o consumo interno de óleo de soja subiu de patamar e nós só estamos começando a sentir o impacto", analisa Miguel Biegai, da Safras & Mercado. Existe uma expectativa do setor de que até o final do próximo ano esse mesmo índice que já recuou o volume de óleo de soja exportado pelo País suba para 5%, o que poderia gerar um impacto ainda maior nas balança comercial do produto.

O crescimento da produção de biodiesel, estimulado pelo governo, pode impulsionar as importações de óleo de palma, matéria-prima que não alimenta nem 3% da produção nacional de biodiesel. De acordo com a publicação Oil World, entre janeiro e agosto a produção do combustível cresceu mais de três vezes na comparação anual, e atingiu 580 mil toneladas. No acumulado do ano pode chegar a 980 mil toneladas, ante as 353 mil toneladas de 2007. Mas Biegai, não aposta na opção pela importação de óleo de palma para sustentar essa alta. Em 2007, foi importado 148 mil toneladas do óleo, volume pequeno para o comércio mundial de 32,8 milhões de toneladas.

O diretor-executivo da União Brasileira do Biodiesel, Sérgio Beltrão, não acredita que a oscilação verificada no volume de óleo de soja embarcado seja conseqüência do aumento da demanda das usinas de biocombustíveis. Segundo ele, esse aumento "é facilmente atendido pela atual capacidade das indústrias brasileiras de esmagamento de grão e extração de óleo", e o perfil de exportação do País não seria em nada alterado. A capacidade instalada das indústrias produtoras de biodiesel é de três milhões de metros cúbicos ao ano. O B3 vai fazer circular no mercado brasileiro 1,3 bilhão de litros de biodiesel, 80% produzido a partir do óleo de soja.

Para a indústria de óleo, o fato de o produto permanecer no mercado interno não incomoda mais que as tarifárias elevadas. "Desde 97, o Brasil já perdeu US$ 19 bilhões de market share e agora vai perder ainda mais, calcula César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, companhia produtora de óleo de soja e de biodiesel.

Da Agência

Petrobras entrega primeira extratora de girassol do Rio Grande do Norte

O Programa de Biodiesel da Petrobras no Rio Grande do Norte inicia uma nova fase: a entrega de uma extratora de óleo vegetal ao Assentamento Canudos, em Ceará-Mirim. Com investimento de R$ 350 mil, o projeto foi realizado a partir de um termo de cooperação entre a Petrobras e a Cooperativa dos Produtores de Canudos (Copec). Essa é a primeira máquina extratora do Estado voltada para grãos de girassol.

O maquinário tem capacidade de gerar 120 litros de óleo de girassol por hora, beneficiando diretamente 500 famílias agrícolas e 100 famílias na utilização de co-produtos do grão.

Um dos produtos gerados é a torta de girassol, utilizada na criação de caprinos e ovinos, bem como na alimentação de tilápias criadas em tanques.

O principal resultado econômico para a Copec é a agregação de valor à produção dos pequenos agricultores, que vão passar a comercializar o óleo de girassol - mais valioso que a semente - para a produção de biodiesel. A presença da extratora também tem o papel de incentivar e alavancar a produção de girassol.

A extratora, que recebeu isenção de ICMS pelo governo do Estado, utiliza uma tecnologia ambientalmente correta, com tecnologia de extração a frio, sem utilização de caldeiras e, conseqüentemente, sem fazer uso de lenha. Isso contribui para melhoria e preservação do meio ambiente. O conjunto é formado por equipamentos de limpeza, prensagem e extração do óleo, filtragem e armazenamento.

No Rio Grande do Norte funcionam a Usina Experimental de Biodiesel I e a Unidade Experimental de Biodiesel II, que juntas já receberam investimentos de R$ 20 milhões e têm capacidade de produção de 20,4 mil toneladas por ano.

Fonte: Agência Petrobras

O CJP irá plantar 5 bilhões de mudas de Pinhão-Manso na Índia

Na Índia, o Centro de Promoção & Jatropha Biodiesel divulgou um plano para plantar 5 bilhões de mudas de Jatropha curcas para produzir 2,5 mil bilhões de galões de biodiesel por ano em Rajasthan, Gujarat e de Madhya Pradesh. O Centro disse que terá contrato com 30 zonais Bio Parceiros comerciais a nível do Estado, 210 Bairro Bio-business parceiros a nível distrital, e de 3.000 Bloco Bio-business Partners. A CJP propõe utilizar um modelo de contrato agrícola onde a CJP irá fornecer sementes e outros insumos e comprar de volta o óleo. O diretor da CJP, RR Sharma, disse em uma declaração de que a empresa está em discussão para expandir suas operações para a África Ocidental, bem como as Américas.

Fonte:

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Produção de Etanol com Algas

O Prof. Pengcheng \"Patrick\" Fu da Universidade de Hawaii (EUA) desenvolveu uma tecnologia inovadora, produzindo em escala etanol com cyanobacterias modificadas (blue-green-algae). Esta fonte nova de etanol não entra em conflito com a produção de ração e de alimentos e consome ainda CO2 no seu cultivo no sistema de photo-bio-reator de baixo custo, usando a luz solar.

Fu já desenvolveu cepas de cyanobacterias, que produzem etanol como resíduo e ganhou uma patente mundial com a sua invenção.

O teste no laboratório de biotecnologia em Hawaii utilizou photo-bio-reatores (PBR) com luz artificial e com luz solar. O sol funciona melhor, diz Fu. Transformando um resíduo em uma coisa útil é uma solução importante. As “blue-green-algae” necessitam somente sol e como nutrientes também um pouco açúcar, especialmente à noite no período sem insolação, usando o resultado da produção tradicional de cana, um pouco melasse. Assim temos uma solução interessante para a indústria do setor sucroalcooleiro.

Brasil e outros países tropicais ganham deste modo uma segunda opção, processando o etanol com o novo feedstock micro-algae. Assim cana de açúcar & algas podem atender juntos a grande demanda de etanol do mercado mundial. A produtividade de algas por hectare é no mínimo 10 até 20 vezes maior do que o rendimento da cana, dependendo só da verticalização do cultivo da altura do sistema de photo-bio-reatores verticais. Assim o Brasil poderia produzir mais e mais etanol, usando menos espaço. A produção em massa de etanol com algas poderia ser realizada em grande parte no Nordeste do país, perto dos portos marítimos, estimulando assim a capacidade de exportação desta região carente.

Um projeto nacional de produção em escala de etanol com algas seria um desafio, que necessita um projeto de Parceria Pública e Privada (PPP), envolvendo o Governo Federal, EMBRAPA, CTC – Centro de Tecnologia Canaviera, UNICA e Usinas de Álcool e Açúcar, bem como entidades como OCB e REDENET – Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica e principalmente universidades, especialmente centros de pesquisa de algas (como o LABIOMAR da UFBA e o Setor de Bioenergia da FTC, ambos em Salvador).

A tecnologia da empresa La Wahie Biotech vai ser ajustada agora para preparar uma planta experimental com alto rendimento, uma BIOFÁBRICA DE ETANOL DE ALGAS, um desafio técnico para o futuro próximo.

Professor Dr. Pengcheng Fu possui passaporte chinês e americano, foi convidado recentemente pelo Governo da China, de estruturar em Beijing um projeto piloto de etanol de algas. A equipe da empresa La Wahie Biotech Inc. em Hawaii coordena ações da matriz da empresa start-up e de uma ONG criada, da FUNDAÇÃO LA WAHIE INTERNATIONAL.

No Brasil está em fase de implantação uma filial em Aracaju-SE; representante é o Professor alemão Hans-Jürgen Franke, especialista em bioenergia.

Fu começou a formação em engenharia química, depois continuou com biologia. Ele estudou na China, Austrália, no Japão e nos Estados Unidos.

Ele trabalha também com a NASA, pesquisando o potencial energético de cyanobacterias para futuras colonizações na Lua e no Marte. Recentemente a empresa La Wahie Biotech ganhou avards e prêmios no campo de Pesquisa e Desenvolvimento. Daniel Dean e Donavan Kealoha, ambos estudantes da Universidade (law, technology and business) são parceiros de Prof. Pengcheng Fu.

Fu diz, que a produção de etanol na base de plantações do agrobusiness como cana de açúcar ou ainda milho é bastante lenta e gasta muitos recursos. Por esta razão ele optou para as cyanobacterias, que convertem a luz solar e o nocivo dióxido de carbono na sua alimentação e deixam como resíduo oxigênio e etanol.

Alguns cientistas pesquisam cyanobacterias para fabricar etanol, usando diferentes cepas. Mas a técnica de Prof. Fu é única. Ele resolveu inserir material genético dentro de um tipo de cyanobacterium, e agora o produto de resíduo é somente etanol, separado no circuito do sistema de photo-bio-reator através de uma membrana. Funciona muito bem, fala Prof. Fu. O benefício é que a tecnologia de Prof. Fu começa produzir em poucos dias grandes quantidades de etanol com custo inferior do que técnicas convencionais.

O parceiro de Prof. Fu no Brasil - na representação da empresa La Wahie Biotech Inc. em Aracaju - Prof. Hans-Jürgen Franke – está coordenando o desenvolvimento de um sistema de photo-bio-reator de baixo custo. Prof. Franke vai articular agora projetos pilotos no Brasil.

Com o sequestro de dióxido de carbono (CO2) a tecnologia revolucionária de produção industrial de etanol de La Wahie Biotech Inc. serve ainda, para combater o aquecimento global.

Contatos:
• Prof. Pengcheng Fu – E-Mail: pengchen2008@gmail.com
• Prof. Hans-Jürgen Franke – E-Mail: lawahiebiotech.brasil@gmail.com

Tel.: 00-55-79-32432209

Ass: Hans-Jürgen Franke
Do:

Relação entre os mercados de biodiesel e da soja

"Ainda não está tão interessante. As perdas acumuladas estão longe de serem compessadas, mas quem entrega hoje para o governo, consegue uma margem razoável de lucro", analisa Miguel Biegai da empresa de consultoria Safras & Mercados. No primeiro trimestre do ano, a Brasil Ecodiesel fechou o caixa com um prejuízo líquido de R$ 526 mil.

Esses prejuízos antes amargados podem ser explicados pelo alto preço do óleo de soja, principal matéria-prima do biodiesel, e que naquela época derrubou a barreira dos R$ 3 mil por tonelada. Hoje o produtor desembolsa cerca de R$ 2,1 mil para comprar uma tonelada do produto. "Era um cenário assombroso. As empresas entregavam o biodiesel a um preço irrisório, tinha usina parada, outras nem participavam dos leilões promovidos pelo governo. Quem participava levava prejuízo de até R$ 1 em cada litro", relembra o analista.

Segundo Biegai, o número de usinas em atividade no último trimestre já é bem maior, e os preços atuais promovem uma margem operacional que permite ao mercado fazer uma projeção mais otimista para o setor.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) estuda elevar a obrigatoriedade de biodiesel na composição do diesel de 3% para 4% já no próximo ano. Quando o índice operante for o B5, com 5% de biodiesel na mistura, a demanda pelo biocombustível no Brasil pode chegar a 2,4 bilhões de litros ao ano. Hoje essa mesma demanda fica em torno de 1,2 bilhões de litros. Quase todos eles abastecem o mercado interno, "volumes ínfimos alcançam o mercado europeu. Hoje essa demanda é obrigatória, graças às contas climáticas feitas pelo governo", pontua Miguel Biegai. Mesmo obrigatória, ele avalia que ela é ainda muito pequena para consumir toda a oferta disponibilizada pelas usinas brasileiras.

Hoje, o preço médio do litro de biodiesel é de R$ 2,60, e o custo de produção fica entre R$ 1,90 e R$ 2,20. O precioso litro de soja que abastece esse mercado atingiu hoje o razoável patamar de R$1,00, conforme rege a Bolsa de Chicago.

No próximo dia 15, a ANP realiza mais um pregão para comprar 64.800 de biodiesel e atender ao percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel vendido nas bombas com 3% do produto. A nova taxa está em vigor desde o dia 1º de julho, de acordo com a Resolução nº 2 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Fonte:

Do:

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Liberação do plantio comercial de Pinhão Manso

Liberação do plantio comercial de Pinhão Manso - Instrução Normativa
14 de Janeiro/08

Ministério da Agricultura divulgou em janeiro deste ano a instrução normativa que libera o plantio comercial do Pinhão Manso.

Leia a Instrução Normativa na integra: INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4, DE 14 DE JANEIRO DE 2008

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Pesquisa brasileira sobre microalgas é destaque na Superinteressante

As pesquisas de biocombustível a partir de microalgas conduzidas pelo Centro de Pesquisas da Petrobras-Cenpes, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande-Furg e Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, são destaques da edição 256 da Revista Superinteressante, de setembro de 2008. O projeto conta com a participação de professores, pesquisadores e estudantes da instituição e é coordenado pelo prof. dr. Marcelo D´Oca e pelo prof. dr. Joaquim Ariel Moron Villarreyes.

As microalgas, não-visíveis a olho nu, quando coletadas e tratadas, podem gerar biodiesel com alta produtividade. São capazes de crescer e se reproduzir em tanques, não usando espaço agrícola para serem cultivadas.

Somente 30 mil das 300 mil espécies de microalgas estão catalogadas pela Ciência. A pesquisa com biocombustível tem contribuído para esse processo, ampliando o conhecimento científico mundial sobre as microalgas.

As microalgas são coletadas, isoladas e identificadas, depois levadas para tanques de cultivo, para reprodução. Após quatro dias, são levadas para secagem e embaladas para evitar o contato com a luz e o oxigênio do ar.

Para a produção de óleo e de biodiesel, as microalgas secas são colocadas em reator para extração do óleo que será utilizado na fabricação do combustível. Esse óleo, de volta ao reator, é transformado em biodiesel por meio de reações químicas.

Fonte: Jornal Agora

Algas serão fonte para biocombustível do futuro

29/08/08 - As algas poderão se tornar a maior fonte ambientalmente correta para produção de todos os tipos de combustíveis - dos utilizados em automóveis ou em cortadores de grama até os que abastecem aviões de grande porte.

Como pequenas fábricas biológicas, as algas realizam a fotossíntese para transformar dióxido de carbono (CO2) e luz do sol em energia. E fazem isso de maneira tão eficiente que podem dobrar de tamanho várias vezes ao dia.

Pelo processo de fotossíntese, produzem lipídios e podem gerar até 15 vezes mais óleo por acre do que qualquer outra planta utilizada para produção de biocombustível. As algas têm a vantagem de se reproduzirem de forma extremamente rápida, seja em água salgada, doce ou até mesmo contaminada; no mar ou em tanques; sem ocupar terras agricultáveis.

O principal benefício ambiental, ao menos em teoria, é o maior crescimento das algas em ambientes com alta concentração de CO2 e matéria orgânica, como o esgoto, por exemplo. Partindo desse princípio, as algas podem ser aproveitadas para geração de biocombustíveis ao mesmo tempo em que seqüestram carbono.

Uma equipe da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, já estuda essa hipótese com o objetivo de determinar exatamente quão promissora é a produção de biocombustível a partir de algas.

Para a fisiologista de plantas da Universidade de Washington, Rose Ann Cattolico, a alga será a fonte de combustível do futuro. E ela não está sozinha nessa aposta - a empresa de investimentos Allied Minds, que trabalha com universidades para comercializar tecnologias em estágio inicial, juntou-se à Cattolico para formar a AXI, empresa que irá desenvolver a matéria-prima para os combustíveis de algas.

“As pessoas não imaginam quantos tipos de algas existem, desde as unicelulares até as grandes florestas de algas pardas, e cada uma delas se desenvolve de maneira diferente”, afirma a pesquisadora. “O que nós estamos tentando fazer é selecionar as melhores dentre as melhores, aquelas que produzem os lipídios certos para cada tipo de combustível em particular”.

Diferente de muitas culturas agrícolas, como a do o milho, cujo amido é o subproduto da fotossíntese, algumas algas produzem lipídios. Assim, um tipo de alga pode fornecer o óleo apropriado para o motor de um veículo; enquanto outra é útil para aquecimento doméstico; e uma terceira pode ainda gerar o lipídio exato para impulsionar um avião através do Pacífico. Há também a possibilidade de se utilizar as algas para outros fins, como a produção de os ácidos de Omega 3 - populares na dieta alimentar.

Até pouco tempo, o biocombustível a partir de algas era considerado uma idéia muito cara para decolar, mas Cattolico acredita que o desenvolvimento de extratos da planta que maximizam a produção do combustível pode ser parte da solução.

A previsão é de que os produtos estejam disponíveis para o público dentro de 10 a 25 anos. Nesse período será necessário criar toda a infra-estrutura, que vai dos serviços especializados às usinas de processamento, além da busca por investimentos do mercado. Análises mais otimistas acreditam que dentro de seis a oito anos já é possível ter algo usável, mas equipamentos e técnicas para isso ainda estão sendo desenvolvidos.

Fonte - Sabrina Domingos

Da Agência

Girassol ainda gera desconfianças em Campos

Hoje em Campos já existem estudos de adaptação climática, com mapas indicativos das condições especiais para o plantio das oleaginosas, matéria prima para o biodiesel. Quem cuida da área agronômica no município é a Pesagro, que aposta, entre todas as plantas, no girassol, rústica e apontada como ideal ao clima da região, uma cultura que agrega valores, propiciando ainda a exploração da apicultura.

O diretor e pesquisador do órgão, Silvino Amorim, explica que o girassol, considerado um dos óleos nobres na culinária, pode ser plantado no período de outono-inverno e, também, no verão. Silvino já tem tudo na ponta do lápis. Segundo ele, uma tonelada de semente de girassol pode produzir até 450kg de óleo.

E em termos de investimento para o produtor, os números também não deixam de ser satisfatórios. Silvino calcula que três hectares da plantação correspondam a dois mil litros de óleo, ou dois mil litros de biodiesel.

— Temos mostrando nossos trabalhos em torno do biodiesel em toda a região, incentivando o Sebrae e outros setores da economia para a criação de uma cadeia produtiva, desde à tecnologia, até à comercialização — diz Sivino.

Embora os órgãos locais tenham pesquisas e estudos prontos, na região não existe ainda produtor trabalhando para isso, só alguns de forma isolada e em pequenas áreas. Ainda paira desconfiança no ar.

Fonte: Folha da Manhã

Governo quer melhorar produtividade da mamona

O trabalho hoje se restringe aos municípios do Território Serra da CapivaraÁreas

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) apóia o Programa do Biodiesel no Piauí e está investindo na organização dos produtores de mamona no Território Serra da Capivara, que envolve os 13 municípios da região de São Raimundo Nonato, no Semi-árido piauiense.

O superintendente regional do MDA no Piauí, Adalberto Pereira, explicou, na manhã desta terça-feira (26), que o trabalho é feito em parceria com o Governo do Estado através de órgãos como o Emater e a Comunidade Kolping, uma ONG que há vários anos atua no Piauí.

Segundo Adalberto Pereira, o trabalho hoje se restringe aos municípios do Território Serra da Capivara, porque eles oferecem um solo mais propício para o cultivo da mamona. “O objetivo é melhorar a produtividade, para que o plantio de mamona possa realmente se transformar num investimento que promova a geração de emprego e renda."

Na região, os agricultores conseguem colher de 400 a 500 quilos de mamona por hectare, o que é considerada uma produtividade muito baixa. “Com a introdução de sementes selecionadas e novas técnicas de plantio, essa produtividade pode subir para até 2 mil quilos por hectare, numa cultura consorciada com feijão”, destaca Adalberto Pereira.

O superintendente que a empresa Brasil Ecodiesel, que mantém uma usina de biodiesel na cidade de Floriano, compra o quilo de mamona por R$ 0,65, mas no mercado de São Raimundo Nonato chega a custar até mais de R$ 1,00, principalmente nesta época do ano, quando o produto fica mais difícil.

Fonte: Ccom

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Zoneamento agroecológico do dendê é tema de oficina em Rondônia

Pesquisadores e técnicos discutiram nesta terça-feira, 26, os resultados preliminares do zoneamento agroecológico do dendê durante a VII Oficina Técnica do projeto Zondendê. O evento acontece na sala de treinamento da Embrapa Rondônia em Porto Velho das 8h30 às 12h.

Foi exposto o zoneamento agroecológico para a cultura do dendê em áreas desmatadas da região Amazônica, no caso no estado de Rondônia, pelo pesquisador da Embrapa Solos, Antônio Ramalho Filho, coordenador do projeto. Será feita apresentação geral do projeto Zondendê, Zoneamento Agroecológico do Dendê em Áreas Desmatadas da Amazônia Legal, e um balanço das atividades bem como os procedimentos metodológicos utilizados. Este projeto visa conhecer o potencial das terras para a cultura do dendê visando à produção de biodiesel. O projeto Zondendê é uma demanda do Ministério da Ciência e Tecnologia e é financiado pela Finep. Esse zoneamento, que teve início em 2005 e está na fase final, foca dois níveis tecnológicos, com alto nível e com baixos insumos, de forma a atender condições para a agricultura de larga e pequena escala.

Questiona-se a viabilidade da cultura no Estado em decorrência de significativo período de estiagem, explica o pesquisador, porém, espera-se que a resposta possa vir desse zoneamento, que será apresentado na oficina e discutido entre técnicos de instituições de Rondônia que poderão validar estes resultados.

O dendê apresenta alta produtividade de óleo, o qual é muito superior se comparado a outras oleaginosas com potencial para produção de biocombustível, além do fato de ser uma cultura já domesticada e de utilização comprovada na região. O pesquisador adianta que o Brasil tem potencial comparável a outros grandes produtores, como Malásia e Indonésia. No país, o cultivo do dendê está concentrado no Pará e sul da Bahia.

Com relação ao biocombustível, a Embrapa Rondônia, sob a coordenação do pesquisador Rodrigo Barros, em parceria com a Universidade Federal de Rondônia, UNIR, e a Embrapa Agropecuária Oeste, desenvolve pesquisas com as culturas do pinhão manso, pupunha, buriti e outras oleaginosas alternativas da região amazônica.

Fonte: Rondonoticias

Crambe é aposta para biodiesel

SÃO PAULO, 27 de agosto de 2008 - Uma nova alternativa para a produção de biodiesel no Brasil foi plantada no sul de Goiás: o Crambe. Com o nome científico de Crambe abyssinica, essa planta é da família das brassicaceae e tem a vantagem de ser tolerante à seca e às geadas. Ela floresce em 35 dias e a colheita pode ser em até 90 dias.

Os testes foram feitos durante a safrinha e tiveram bons rendimentos, segundo o analista e chairman da BiodieselBR, Univaldo Vedana. 'Foram empresas privadas que acreditaram no projeto, sem apoio governamental.'

De acordo com Vedana, o Crambe pode ser plantado até o início de abril no Centro-Oeste, epóca em que a soja já foi colhida 'Por ser uma cultura de inverno se torna um alternativa para a safrinha.'

Mas para melhorar a produção, o analista diz que são necessárias políticas públicas claras e objetivas. 'É preciso organizar as cadeias produtivas para cada produto.'

Vedana também defende a plantação de Cramber para a agricultura familiar. Ele afirma que a planta tem maior rendimento de óleo por hectare e exige o uso de mão-de-obra. 'Outras alternativas para a agricultura familiar são o dendê, pinhão manso, babaçu e macaúba, ou plantas em consórcio com alimentos.'

Univaldo Vedana participou do 4º Biodiesel Congress, que termina amanhã, em SãoPaulo.

(Sérgio Toledo - InvestNews)

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Falta de tecnologia impede biodiesel de girassol

SAFRAS (26) - A falta de controle sanitário na produção de girassol impede o expansão dessa cultura no País, o que dificulta a extração de biodiesel a partir dessa planta. Segundo o pesquisador e membro do Painel Científico Internacional de Energias Renováveis da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Décio Gazzoni, o Brasil não conseguiu resolver problemas tecnológicos 'simples' que permitiriam o melhoramento da produção.

'O girassol pode disputar o espaço da safrinha do milho para biodiesel.' O girassol responde por 8% do total de biodiesel produzido no mundo. Décio Gazzoni participou do 4 Biodiesel Congress, que começou hoje e termina no dia 28 de agosto, em São Paulo. As informações partem da InvestNews.

Fonte:

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Ambientalistas pedem explicação para Carlos Minc

25/08/08 - Alvo de críticas dos ambientalistas, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem encontro marcado na tarde desta segunda-feira com dirigentes das ONGs que atuam no setor. Os ambientalistas acusam o ministro de fazer seguidas concessões ao lobby ruralista, e vão entregar um manifesto em que condenam seu apoio ao plantio de espécies exóticas, como o dendê, em áreas desmatadas da Amazônia.

De acordo com os ativistas, Minc está contrariando seu discurso de posse, quando afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não permitiria a redução da reserva legal de áreas verdes na maior floresta tropical do mundo. O documento já circula na internet e traz a assinatura de 13 entidades, como WWF Brasil, Greenpeace, Amigos da Terra e Instituto Socioambiental.

Neste domingo, o ministro negou que seu aval à liberação de novas áreas de plantio de cana - em acordo com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes - ponha em risco a proteção do Pantanal. De acordo com Minc, o novo zoneamento da cana, que permitirá o plantio em terras do Planalto Pantaneiro, não ameaça as riquezas naturais da região.

- O Pantanal não vai virar canavial. Não vai haver nenhuma nova usina de cana no Pantanal - afirmou Minc.


O ministro negou que o acordo atenda a interesses da bancada ruralista no Congresso, como acusam as ONGs. Ele disse que o plantio da cana só será liberado em áreas hoje ocupadas por pastagens e outras lavouras.

Minc contestou trechos de reportagem publicada sábado no jornal "O Globo", informando que o presidente Lula assinará, nos próximos dias, um decreto com novas regras para o plantio de cana no Pantanal e na Amazônia.

- Isso ainda não está decidido. Pode ser um decreto ou uma portaria conjunta entre mim e o Stephanes - disse.

Leia a íntegra do manifesto das ONGs ambientalistas.

Fonte: - Bernardo Mello Franco

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Bioenergia recebe reforço de 25 toneladas de mamona

“O projeto de bioenergia no Piauí nunca parou, mas faltava uma coordenação. Outro problema é a assistência aos cerca de cinco mil agricultores familiares na região de São Raimundo Nonato”, explicou o coordenador adjunto do programa de biodiesel no Piauí, José Wellington Dias, durante a instalação de uma câmara técnica instalada na última quinta-feira (14) no auditório da Secretaria de Planejamento.

Ao final da reunião, o governo estadual e a Brasil Ecodiesel garantiram a entrega de 25 toneladas de sementes de mamona e outras 25 toneladas de feijão para os agricultores familiares utilizarem na safra 2008/2009. Além disso, segundo o secretário de Planejamento, foi sanada a dúvida no que diz respeito à coordenação do projeto. “havia uma expectativa de que o Sérgio Vilela (superintendente de Assuntos Estratégicos) fosse deslocado para outra missão. .

Técnicos do Emater, Embrapa, MDA e da Brasil Ecodiesel também discutiram sobre a o uso das oleaginosas na produção do biocombustível. Para eles, deve ser seguido o exemplo da Bahia, que não está fechado apenas na monocultura da mamona. A desinformação acerca do projeto tem, segundo José Wellington, levado a interpretações erradas não só por parte da imprensa, mas da própria Agência Nacional de Petróleo. “Dizer que a mamona não serve mais para o biodiesel me incomoda. Até porque é uma informação equivocada. Temos estudos avançados que comprovam, por exemplo, que a mamona também pode ser plantada em áreas baixas e não só acima dos 300 metros do nível do mar. Com isso, tivemos boa experiência no litoral e isso significa que toda a região norte do Piauí tem potencial para o plantio da mamona, em consórcio com outra cultura, de acordo com a característica do município, tomando por base o zoneamento”, explicou.

A iniciativa do deputado João de Deus (PT) em pedir audiência pública para discutir a viabilidade da mamona como matriz energética na produção do biodiesel foi comemorada. Presente à instalação da câmara técnica, o líder do governo na Assembléia Legislativa foi escolhido como interlocutor, uma vez que o projeto “carece de um respaldo político”.

“A audiência está confirmada para ao próximo dia 27 (quarta-feira) no Plenarinho da AL, às 15 horas. Queremos discutir não só a viabilidade da mamona, mas também a sua utilização em outras áreas. É importante ainda entender o papel de outras oleaginosas, como o etanol, soja e o girassol, na produção do biodiesel”, disse o parlamentar, cujo gabinete possui técnicos que vão acompanhar as discussões em torno do projeto, abastecendo o parlamentar de informações.
Wesslley Sales

Fonte: TV Canal 13

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Biodiesel de algas

Agência FAPESP – Os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Pesca e Aqüicultura (MPA) publicaram o primeiro edital para seleção de projetos de pesquisa que contemplem a aqüicultura e o uso de microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel.

Ao todo, serão repassados R$ 4,5 milhões por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As propostas devem ser apresentadas sob a forma de projeto e encaminhadas ao CNPq exclusivamente pela internet, por intermédio do formulário de propostas on-line.

Segundo o CNPq, serão admitidos projetos que englobem todo o processo de produção e transformação em temas como: desenvolvimento de técnicas de cultivo de microalgas de baixo custo e que visem a produção de óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel; estudos de potencial de cepas de microalgas; avaliação da viabilidade econômica do processo global do cultivo à obtenção de biodiesel; processos mais econômicos e eficientes do que os convencionalmente usados para a coleta de microalgas e extração do óleo para a produção de biodiesel.

A data-limite para submissão das propostas é 25 de setembro. Os resultados serão divulgados no Diário Oficial da União e na página do CNPq na internet a partir de 27 de outubro. Os primeiros projetos começarão a ser contratados a partir de 1º de dezembro.

Mais informações: www.cnpq.br/editais/ct/2008/026.htm

Fonte:

Mamona gera emprego e renda na região do semi-árido

O Brasil dispõe de diversas oleaginosas para a produção de biodiesel. Além de ser extraído de gordura animal, o combustível é derivado de óleos vegetais como os de soja, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, mamona e pinhão manso. No semi-árido, a mamona representa uma oportunidade de geração de emprego e renda porque a planta é resistente ao clima seco e tem mercado diversificado e crescente.

O Nordeste concentra 93% da produção de mamona que é direcionada a diferentes segmentos como a indústria de cosméticos e lubrificantes, além de usinas de biodiesel. Cerca de 29 mil agricultores familiares da Bahia e Sergipe vão produzir, até dezembro, 48,8 mil toneladas de grãos para a primeira usina de biodiesel da Petrobras, inaugurada em julho, em Candeias (BA). Deste total, 30,6 mil toneladas são de mamona e 18,2 de girassol.

Para o funcionamento da unidade, 58% do total de compra da matéria-prima foi adquirido da agricultura familiar, o suficiente para obtenção do Selo Combustível Social.

Safra - De acordo com a Conab, a produção de mamona no Brasil nesta safra será de 146 mil toneladas, 55,8% a mais que no ciclo passado. O aumento é resultado de um crescimento de área de 7,3% e melhora de 45,3% na produtividade, comparada ao período anterior. Os agricultores estão colhendo em média 875 quilos por hectare. Durante a safra 1997/98, por exemplo, a colheita rendia apenas 142 quilos por hectare.

Fonte:

Sábado, 9 de Agosto de 2008

Safra de soja atinge recorde de 60 milhões de toneladas

A safra de soja do Brasil na temporada 2007/08 foi estimada em um recorde de 60 milhões de toneladas, informou nessa quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu décimo primeiro levantamento de produção.

A estatal elevou a sua previsão em relação ao mês anterior, quando havia estimado a safra em 59,8 milhões de toneladas.

A colheita da soja em 07/08 já foi encerrada no Brasil, o segundo produtor mundial da oleaginosa atrás dos Estados Unidos.

Na temporada passada (2006/07), o Brasil produziu 58,4 milhões de toneladas.

Fonte:

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

São Paulo testa ônibus a hidrogênio

07/08/08 - Entre setembro e dezembro o ônibus movido a hidrogênio será testado pela empresa Metra, que opera no corredor São Mateus-Jabaquara, zona leste de São Paulo, com extensão de 32 km, abrangendo a área do Grande ABC. Nesta fase, o teste será sem passageiros. A partir de dezembro, será disponibilizado para os 285 mil passageiros diários que utilizam o corredor. A informação é do gerente de desenvolvimento da EMTU e responsável do projeto, Carlos Zundt. A tarifa será a mesma.

O executivo diz que é cedo para falar em frota, mas adianta que o contrato prevê a montagem de mais quatro unidades até chegar ao ponto de propor ao governo do estado um plano de médio e longo prazo de implantação efetiva do projeto. Por questões de cláusulas de confidência, fixadas entre os participantes do consórcio, não é permitido citar valores, embora Zundt deixe escapar que ele ultrapassa a casa dos R$ 22 milhões, em montagem , desenvolvimento, instalação do posto de abastecimento, entre outros itens.

O custo unitário por veículo, conforme o executivo, fica próximo do valor de dois trolebus, somando aí o valor da energia elétrica para movimentação. "O trolebus e o hidrogênio não poluem. A diferença é o custo da energia elétrica e o custo do hidrogênio. O processo e a tecnologia que estamos usando fogem de tudo o que se viu até hoje no mundo. Ele permite que qualquer fornecedor de células participe. Somado a isso temos montadoras de ônibus com preços relativamente baixos e alta qualidade. No cotação com americanos e alemães, nossos preços são mais satisfatórios." "Este projeto tem possibilidade de criar nova atividade econômica para o Brasil", vislumbra o presidente da EMTU, José Ignácio Sequeira de Almeida.

Fonte:

Da Agência

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

A pergunta que não quer se calar: O biodiesel a partir da mamona é viável?

Ao prestarmos atenção nos jornais, revistas e telejornais nos depararemos com várias matérias sobre o biodiesel.

Em outros casos encontraremos manchetes dizendo que o preço do petróleo se aproxima dos 150 dólares o barril. Por esse motivo, o biodiesel já pode ser considerado uma alternativa a essa crise.

Nosso país possui diversidade de solos, de climas e de culturas. Podemos explorar o biodiesel a partir da mamona, da soja, do girassol, da palma, do dendê e, até mesmo, de produtos de origem animal, como é o caso do sebo.

A cultura da mamona, além de ser uma alternativa para a produção de biocombustível, pode ser um potencial no resgate econômico e social das famílias rurais. O plantio da mamona pode ser um forte instrumento de renda para os produtores familiares que se inserirem no programa.

Esse nobre óleo feito a partir da mamona é utilizado pela indústria química e pela indústria de lubrificantes, entretanto pode ter sua demanda aumentada conforme prevê a “Lei da Oferta de Procura”, assim, o preço de mercado da mamona pode dobrar.

Esse programa, pela sua magnitude, pode ter estar apenas engatinhando. Hoje ele só está ocorrendo graças a subsídios. Há redução fiscal que chega até a isenção de 100% em alguns casos e claro há o financiamento do BNDES com juros baixos. O governo traçou a meta ambiciosa de produzir 800 milhões de litros de biodiesel por ano, o que significa uma redução de 160 milhões de dólares na importação de diesel. Diante disso, podemos afirmar que o impacto econômico é enorme, seja na redução das importações de petróleo e diesel refinado, seja na melhoria na balança comercial e no desenvolvimento regional fixando o homem no campo.

Há um grande risco de que a meta imposta pelo governo não seja cumprida, pois vem estimulando a produção do biodiesel a partir do óleo da mamona, principalmente na região do semi-árido do Nordeste. O risco está no fato de que para a mamona ser competitiva o subsídio deverá ser um tanto quanto “milagroso”.

O Jornal O Globo trouxe uma matéria dizendo que o mercado internacional de mamona paga aproximadamente mil dólares por uma tonelada de mamona (para produção de óleo de mamona) e o biodiesel produzido a partir de uma tonelada de mamona renderia quinhentos dólares, diferença essa que poderá inviabilizar o cumprimento da meta governamental. Para atingir o objetivo inicial o governo precisaria desembolsar aproximadamente dois bilhões de dólares em subsídios. Questionamento: O governo terá condições de manter o programa de pé? Esperamos que sim, mas vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos!

Marçal Rogério Rizzo: Economista, Professor Universitário, Especialista em Economia do Trabalho, Mestre em Desenvolvimento Regional pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Fonte: artigos.com

Mamona é viável para produzir biodiesel

As recentes polêmicas em torno da viabilidade da mamona como matéria-prima para o biodiesel não alteraram a posição do governo em relação à oleaginosa. Reunidos no III Congresso Brasileiro de Mamona, que acontece em Salvador até hoje, com participação de cerca de mil envolvidos na cadeia produtiva, técnicos da Embrapa e diretores da Petrobras reforçam a viabilidade da mamona como peça-chave do Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB). Segundo a Embrapa, os avanços tecnológicos em melhoramento genético estão permitindo superar as limitações da planta para a produção do biocombustível.

Na avaliação da Embrapa, o entendimento de que a mamona seria inviável para a produção de biodiesel por causa da alta viscosidade é uma "leitura precipitada" da Resolução nº 07 de 20.03.2008 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que estabelece as especificações de qualidade para o biodiesel. "Na verdade, nada muda na estratégia do uso de mamona, porque o problema só ocorreria se esse óleo fosse usado puro, o chamado B100. Mas, na mistura com outros óleos, como o de coco, soja ou dendê até 40%, obtêm-se um biodiesel de excelente qualidade", afirma o chefe-geral da Embrapa Algodão, Napoleão Beltrão.

O blend com outros óleos pode ser a saída inicial, mas a Embrapa aposta ainda no melhoramento genético para superar definitivamente o problema. "Um grupo de pesquisas na Espanha chegou a uma nova linhagem de mamona com baixa viscosidade. Estamos trabalhando no desenvolvimento de uma cultivar adaptada às condições de clima e solo do Brasil, que será plantada exclusivamente para o biodiesel", diz Beltrão.

A mamona começou a ser estudada no Brasil há quase um século, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Apesar disso, o conhecimento sobre a planta está em constante evolução. "Em ciência, tudo o que se sabe dobra a cada dois anos. Há muita coisa ainda por descobrir e por desenvolver. Há 20 anos, ninguém acreditava na soja, porque ela precisava de latitudes altas, e hoje esse grão é plantado em todo o país", lembra Beltrão.

Outra alegação contrária à mamona, a desestruturação da cadeia produtiva e o cumprimento dos contratos pelos pequenos produtores, também foi rebatida. O ex-ministro de Desenvolvimento Agrário e atual diretor da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, defende que a oleaginosa seguirá sendo a opção estratégica da nova subsidiária da estatal, a Petrobras Biocombustível, e aposta no associativismo e no cooperativismo.

"Estamos garantindo a compra da produção, com preço justo, e já planejamos fazer contratos com prazo de até cinco anos. Queremos estabelecer com esses produtores uma relação de longo prazo, economicamente justa, social e ambientalmente correta", disse Rosetto. A Petrobras Biocombustível paga cerca de R$ 0,88/kg pela mamona em baga. A semente utilizada é fornecida pela empresa.

Fonte: (José Pacheco Maia Filho)

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Diversos sobre Mamona e biodiesel

O blog do Luis Nassif* faz uma ótima analise sobre a questão da mamona como matéria-prima para o biodiesel e trás um apanhado sobre a questão.

Afinal, a mamona é a oleaginosa adequada para o biodiesel? Esta semana, uma reportagem da “Folha” informava que a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) considerou-a inapropriada.

Em março deste ano, a ANP divulgou a resolução nº 7, indicando que a mamona não se enquadraria nos parâmetros técnicos para a produção do biocombustível. Isso por causa da alta densidade do insumo, diferente dos óleos extraídos, principalmente, da soja, pinhão manso e algodão.

A mamona é de alta viscosidade, servindo para aplicações muito mais nobres. Embora esse mercado especial não seja dos mais relevantes, é provável que uma produção mais sistemática de óleo de mamona acabaria sendo desviada para aplicações de melhor rentabilidade.

Mesmo assim, a Embrapa mantém pesquisas e defende matéria-prima

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Em entrevista a Lílian Milena, do Projeto Brasil), o Chefe de Negócios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/ Embrapa Algodão, Liv Soares Severino, continua apostando na planta. Há 18 anos ele realiza pesquisas com mamona. E, para ele, a alta viscosidade não cria problema para continuar a utilizar o seu óleo.

“O Brasil, por exemplo, sempre produziu o óleo a partir da planta, temos tradição no cultivo sendo que entre as décadas de 70 e 80 o país era o principal produtor no mundo. Já a partir de 6 há 7 anos para cá, a mamona passou a ser aplicada na fabricação do biodiesel”, explicou.

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A quantidade do óleo que pode ser adicionado ao diesel convencional e sem comprometer a qualidade de combustível é de até 40%. Se hoje a indústria do setor utilizasse toda a mamona produzida para este fim, chegaríamos a um índice de 6% em relação ao total de oleaginosas usadas no biocombustível, “mesmo com a densidade natural do insumo”, ressalta o pesquisador.

Por enquanto, o problema maior é que o país não consegue produzir o suficiente para atender a demanda atual, a maior parte da qual para a indústria química.

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A Embrapa Algodão participa de um grupo de pesquisas na Espanha. Lá, foi descoberta uma linhagem de mamona típica do país europeu que não tem o mesmo problema de viscosidade que as espécies brasileiras. “É claro que antes de aplicarmos essa nova variação no país precisamos respeitar um processo legal de quarentena da planta em laboratórios onde serão feitas investigações para ver se a espécie carrega algum tipo de inseto ou doença”, complementou.

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O Ministério de Minas e Energia também rebateu a informação de que o governo federal teria desistido de trabalhar em pesquisas e na possível implantação da mamona. Segundo o MME, ainda há alternativas e ajustes que precisam ser feitos para adequação.

Para utilizar a mamona seria necessário adicionar outro tipo de produto até chegar a uma densidade compatível para misturar ao diesel ou para se obter o biodiesel, de acordo com dados da ANP.

Até fevereiro, a mamona participava apenas com 0,17% da produção total do biodiesel que atende o mercado, enquanto a soja representava cerca de 68,41% do setor (hoje tem participação de 77,35% dos insumos usados).
Mas o próprio MME explica que a queda da participação da mamona se deve ao aumento de preços no mercado internacional.

Por Tio Almir da Bahia

Para quem quiser mais informações sobre o tema, estará acontecendo na semana que vem, de 04 a 07 de agosto, o III Congresso Brasileiro de Mamona aqui em Salvador, no Bahia Othon Palace ( não é brinquedo não!). Veja mais informações no link abaixo. clique aqui

Eu participo de um projeto de biodiesel a partir da mamona lá nos sertão da Bahia, no Raso da Catarina (terra aonde Lampião se escondia).

Todos os pesquisadores me alertam sobre este detalhe de que a mamona presta mais para lubrificante do que para combustível. Porém, o que vejo mais vantagem na mamona é o fato de ser um combustível social: ela nasce até no meio da caatinga!

Como diria Djavan: Qualquer sujeito, sem eira nem beira, tem lá no fundo do quintal, um pé de macaxeira....

Nassif,

V. faz muito bem de trazer a mamona à baila. O commoditie traz oportunidade rara p/ produtores no NE, inclusive, como se sabe, uma componente de fator social extraordinária.

Por Xikito Affonso Ferreira

Vc. faz bem de apontar a notícia da Folha porque arriscamos nos deixar arrastar, de novo, pelo jornalismo do catatstrofismo. Se mamona vale mais p/ lubrificante do que como combustível, ótimo. Mas a grande notícia p/ o país é a saca a R$ 45 ou 70, que assim se habilitam um monte de terras hoje sem uso.

Andei pesquisando ensaiando p/ entrar no mercado da mamona, nele impera a improvisação completa. Não se questiona produtividade, não se ousa no investimento com melhores sementes e práticas, etc. Mamona no Brasil ainda é pouco mais do que extrativismo.

Por Dalmace

Se a mamona é tão ruim assim como estão falando, porque a Petrobrás acabou de inaugurar uma fábrica de biocombustíveis em Candeias, na Bahia ?

A fábrica tem capacidade para produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano, que vai se basear quase exclusivamente na agricultura familiard, no total, 55 mil agricultores 215 municípios da Bahia e de Sergipe foram cadastros para fornecer as matérias-primas para a usina. Clique aqui.

Por Adrian Hänzi
Diretor Gerente BOM Brasil Óleo de Mamona

Prezado Sr. Nassif,

leitor assiduo do seu blog, gostaria de passar informações sobre o setor da Ricinoquimica. anexo segue um artigo de entrevista recente.

Brasil tem grande potencial para rícinoquimica

A cultura da mamona tem um potencial ainda não mensurado para a economia brasileira. Apesar dessa oleaginosa ter entrado recentemente na pauta nacional para a produção de biodiesel, ela tem de longa data uma grande importância na produção de derivados (ricinoquímica) e em outros setores da indústria. Essa constatação pode ser feita com os grandes investidores do setor que estarão em Salvador, entre os dias 04 e 07 de agosto, participando do 3º Congresso Brasileiro da Mamona.

“A produção nacional de baga de mamona pode tranqüilamente crescer para 200.000 toneladas métricas, beneficiando a agricultura familiar e o parque industrial instalado. O que precisamos realmente hoje no país é aumentar a safra e a produtividade da cultura no campo, o que pode ser alcançada fazendo com que os resultados das pesquisas da Embrapa cheguem ao produtor”, diz Adrian Hanzi, diretor-executivo da BOM - Brasil Óleo de Mamona.

O crescimento da demanda pelos derivados da mamona pode ser notado observando-se apenas os dados de importação de óleo de mamona pela empresa dirigida por Hanzi no primeiro semestre deste ano. Foram dez mil toneladas métricas compradas diretamente da Índia. Pelo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional deve girar em torno das 70 mil toneladas de baga de mamona em 2008.

“Os derivados de óleo de mamona produzidas pela ricinoquímica agregam muito mais valor ao óleo de mamona. A empresa continua investindo em novos produtos e melhoria de processos, para se ter uma idéia, só neste ano serão mais de 800 mil reais”, revela o industrial. Hanzi enfatiza que a safra brasileira de mamona precisa crescer, porque a demanda internacional esta crescendo, sobretudo na China, devido a alta dos preços de petróleo, o desenvolvimento de suas aplicações, e porque Índia, o maior produtor mundial de mamona, precisa produzir mais alimentos, incluindo mais óleos vegetais comestíveis, e portanto a possibilidade de crescimento da safra neste pais começa a ficar limitado.

“Precisamos juntar os esforços entre Embrapa, Secretarias estaduais de agricultura, MDA, Conab, indústrias, municípios e agricultores para trabalhar as deficiências que o setor tem, como carência de semente certificada a preços accessiveis, manejo e rotação, assistência técnica e credito, entre outras. Considero que é uma grande oportunidade de gerar renda para o campo, e para todo o setor, uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.

A Embrapa deve, na minha opinião, coordenar um programa de pesquisa e promoção da mamona igual que a Índia está fazendo nos últimos 35 anos, com melhoria permanente da semente, em beneficio do agricultor”, defende o executivo.

Vantagens da mamona

Adrian Hanzi diz que o óleo extraído da mamona é “único” entre todos os óleos vegetais por causa de sua composição química especial, por ser o único que contém um ácido graxo hidroxilado (ácido ricinoléico) “Ele confere uma grande versatilidade e permite substituir derivados de petróleo, tendo como grande vantagem o fato de se tratar de uma fonte de matéria prima renovável. O óleo da mamona é muito utilizado na produção das graxas para motores, como também na composição de tintas, cosméticos, poliamidas, detergentes, pigmentos, colas, resinas, poliuretanos, peças automotivas, cabos para telefonia etc. “Há uma pesquisa na USP que desenvolveu próteses à base do óleo da mamona, ficando comprovado que esse material agride muito menos o corpo humano”, acrescenta.

Fonte: Blog do Luis Nassif

* Luis Nassif foi introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003 e 2005, em eleição direta da categoria.

Ler também:
Os percalços enfrentados pelo Biodiesel no Brasil
MAMONA PERMANECE COMO OPÇÃO PARA PRODUÇÃO DE BIODIESEL

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

O poder do grão que hoje ocupa 21 milhões de hectares no país

O Brasil só começou a produzir soja em escala comercial nos anos 60. No início, semeou o grão no Rio Grande do Sul. Foi necessária uma década de pesquisas genéticas até que surgissem sementes adaptáveis ao clima tropical e técnicas de correção de solo para permitir o plantio do grão no Centro-Oeste. Nos anos 90, a soja chegou à Amazônia. Nesta década, passou a injetar prosperidade até em alguns dos rincões mais pobres do Nordeste. Converteu-se na principal atividade econômica da região que se estende do oeste da Bahia ao sul do Maranhão. O Brasil se tornou o maior exportador e o segundo maior produtor do grão. Por enriquecer o solo onde é cultivada, a soja ressucitou as lavouras de milho e algodão, que a substituem nos períodos de descanso da terra. Seu farelo é um dos principais ingredientes da ração de animais. Item básico da cozinha, seu óleo é também matéria-prima do biodiesel. Por tudo isso, a sja fez brotar, nos últimos anos, muitas cidades. Hoje, suas lavouras cobrem 21 milhões de hectares em 1 877 municípios de vinte estados.


CASO EXEMPLAR 1
Luís Eduardo Magalhães (BA)
Era só um posto de gasolina de beira de estrada. Em 1970, converteu-se em ponto de parada dos imigrantes do Sul que iam para o oeste baiano. Virou vilarejo quando a soja apareceu, no fim dos anos 80. Há sete anos, transformou-se no município de Luís Eduardo Magalhães, o centro da soja do Nordeste. Hoje, é a sede de vinte grandes empresas de processamento de grãos e fibras, com 44 000 habitantes. Na área de prestação de serviços, um dos destaques é o luxuoso Hotel Saint Louis, uma torre de sete andares com 76 suítes e um centro de convenções

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CASO EXEMPLAR 2
Balsas (MA)
A cidade de 79 000 habitantes, fundada em 1918 no sul do Maranhão, levou sete décadas para começar a prosperar. Isso só aconteceu depois que sulistas trouxeram a soja para a região. Parte da virada se deve à Fapcen, uma fundação de pesquisa dos agricultores que criou sementes adaptadas ao solo e clima locais. A soja pulverizou riqueza por Balsas, o segundo pólo do grão no Nordeste. Há vinte anos, o maranhense Ilson Mateus tinha um mercadinho. Embalado pela soja, transformou sua loja em uma rede de atacado e varejo que faturou 800 milhões de reais no ano passado. “Vou no ritmo da soja”, diz.

Leia também:
De grão em grão
Uso da soja como matéria-prima para a produção de biodiesel

Fonte: Revista Veja - 23/07/2008
Do:

Camalote do Pantanal pode virar bioenergia do futuro

Embrapa estima que anualmente 1 milhão e 700 mil toneladas de camalotes desçam o rio.

Eles fazem parte do cenário do rio Paraguai. Descem mansamente o canal, rio abaixo, com destino incerto. Parecem poucos, porque flutuam isoladamente quando se desprendem das baías, mas são milhares no período do pico da cheia, entre março e junho. Agora são estudados como biomassa para biocombustível

O biólogo Ivan Bergier Tavares de Lima, pesquisador de tecnologias em bioenergia e geociências da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) estima que anualmente 1 milhão e 700 mil toneladas de camalotes desçam o rio.

É um volume importante para o trabalho que apresentou no final de julho na Conferência Internacional sobre Áreas Úmidas (o 8º Intecol), que reuniu cerca de 600 pesquisadores de todo o mundo em Cuiabá, Mato Grosso. Bergier estuda a utilização do camalote como biomassa para biocombustível.

São dois tipos de plantas flutuantes que crescem nas baías do Pantanal, vão de desprendendo e tomam o canal do rio Paraguai. Levam o nome científico de eicchornia crassipes e ciperáceas, mas são popularmente conhecidas como camalotes ou água-pé, nome indígena que significa “levado pelo rio”, e já estão incorporadas à paisagem pantaneira.

É uma planta de reprodução rápida. “As ciperáceas são diferentes porque possuem solo. Como a cada ano cresce e morre, dentro deste ciclo natural acaba formando um solo submerso, que serve de abrigo para animais, como cobras, e insetos pegam uma carona e descem o rio sobre elas. Até cervos já foram vistos viajando sobre as ciperáceas”, explica o pesquisador ao Diário Corumbaense.

Com a ajuda de uma câmera colocada na margem, na chamada curva da Marinha, em Ladário, Bergier realizou longas filmagens para ter uma idéia do volume de plantas que descem o rio Paraguai – a quantidade é muito maior durante a cheia do Pantanal, inclusive com bancos maiores. Elas seguem a calha do rio na parte mais funda, onde é maior a velocidade.

“Os pilotos pantaneiros costumam dizer que basta seguir o camalote para não se ter problema, porque ele sempre desce pela parte mais funda, e mais rápida, do rio”, destaca o pesquisador.

Grande parte dessas plantas fluem e vão parar em Porto Murtinho. Ainda não se sabe o que ocorre, se elas se decompõem durante o trajeto, no corpo d’água, ou se vão parando e fazem parte na circulação de matéria, de alimento ou de abrigo para algumas espécies.

“A função delas na baía nós já sabemos, é exatamente essa, têm um papel importante na dinâmica do ecossistema. Mas ainda pesquisamos sobre sua função ecológica quando ela entra no canal do rio, principalmente jusante (ao longo do curso do rio até à foz)”, afirma o pesquisador. “Em Porto Murtinho, que recebe um grande volume dessas plantas aquáticas, elas chegam a fechar o canal, provocam bloqueios para a navegação”, acrescenta.

Outra questão em estudo sobre a biomassa é saber se estará sempre disponível para gerar energia, porque o maior volume de camalotes que descem o rio está diretamente associada às cheias do Pantanal. “Vai depender do ciclo hidrológico”, observa Bergier. Por isso o estudo inclui uma pesquisa detalhada sobre a oscilação das cheias. “Depois do período da seca na década de 60, e depois das cheias em 1974 e 1975, os níveis máximos permaceram relativamente mais altos depois do período de seca.

Com a manutenção de volume de água e a flutuação das plantas que descem o rio Paraguai, haveria uma biomassa disponível, para ser usada como fonte de energia para a indústria ou mineração, matéria-prima para o desenvolvimento sócio-econômico regional. Outro estudo importante está focado em se saber a dimensão dos impactos, segundo Bergier.

“Temos alguns cálculos que vão depender do volume e dos impactos, porque eventualmente pode haver uma fauna associada a essas plantas, como cobras, insetos, por isso tudo deve ser muito bem detalhado antes de iniciarmos a 'corrida ao camalote'”, destaca o pesquisador.

Biomassa vegetal - A biomassa formada pelo camalote vem merecendo estudos aprofundados da equipe da Embrapa, segundo o pesquisador Ivan Bergier. Futuramente pode servir como alternativa para o uso do carvão vegetal e a cana-de-açúcar como fonte de energia. “De um lado é muito úmida, mas tem mais celulose. Dependendo da finalidade de energia, pode se produzir hidrogênio, metano ou se fazer carvão de biomassa vegetal. Pode ser utilizada para gerar hidrogênio e metano, para gerar biocombustível.

Deve ser analisado o poder calorífico do camalote. Tudo é questão de demanda e sustentabilidade ambiental. Não se sabe quanto poderia suprir a energia, mas deveria minimizar o desmatamento ou minimizar o uso de carvão de eucalipto. Tudo isso vai depender da quantidade e da sustentabilidade ambiental a jusante (rio abaixo), esse é o ponto crítico.

Fonte:

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Sonho da ''revolução'' do biodiesel de mamona chega ao fim no Piauí

Com a frustração da experiência, agricultores abandonam as terras e sobrevivem da doação de cestas básicas

Depois de três anos, o sonho do presidente Lula de produzir biodiesel de mamona parece ter chegado ao fim. Ao colherem este ano uma safra irrisória, os pequenos agricultores do projeto Santa Clara, localizado entre as cidades de Canto do Buriti e Eliseu Martins, no sul do Piauí, sobrevivem de favores, de cestas básicas, e estão convencidos de que plantar mamona não é um bom negócio.

A própria empresa Brasil Ecodiesel, encarregada do empreendimento, já procura alternativas à mamona e passou a fazer experimentos na região com outras plantas, como o girassol e o pinhão manso. Mas as iniciativas são preliminares, pois ainda faltam conhecimentos técnicos mais profundos sobre as culturas alternativas.

Como resultado do fracasso do empreendimento, a usina de produção de biodiesel mantida pela empresa em Floriano, a 260 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, está em ritmo lento e vem utilizando basicamente a soja como matéria-prima, na ausência da mamona. No projeto Santa Clara, a imagem é de abandono, com muitas famílias deixando a área e as casas, construídas no início do projeto, desocupadas e destelhadas.

PRIMEIRA COLHEITA

No dia 4 de agosto de 2005, Lula participou da primeira colheita de mamona no projeto Santa Clara, que serviria de modelo para a integração da agricultura familiar ao programa do biodiesel. Na época, o entusiasmo do presidente era grande. Ele chegou a dizer aos pequenos agricultores presentes na solenidade que era possível fazer "uma revolução" a partir da mamona. A realidade, porém, mostrou-se bastante diferente do sonho vendido pelo presidente.

"Não colhi mamona nenhuma este ano", disse o agricultor Pedro José de Souza Filho, que guarda uma foto de Lula, quando o presidente visitou a sua modesta casa, durante a solenidade da colheita de 2005. "Só colhi mesmo dois sacos de feijão." E Pedro não foi o único que não colheu nada ou quase nada.

No início do ano, uma praga de lagartas dizimou os primeiros plantios de mamona do assentamento. A empresa Brasil Ecodiesel, parceira dos agricultores no empreendimento, foi obrigada a fazer o replantio. Mas não houve tempo. Em algumas áreas, a empresa chegou a arar a terra, mas a maior parte ficou sem plantio, o que afetou o rendimento dos agricultores.

O montante da safra deste ano ainda não é conhecido, mas as evidências indicam enorme frustração. "A safra de 2008 foi um desastre", disse Lino Hipólito Neto, um dos líderes dos agricultores. Ele próprio não colheu uma saca sequer de mamona. A empresa Brasil Ecodiesel informou ao Estado que "os volumes são relativamente baixos frente ao tamanho do projeto de agricultura familiar que a empresa desenvolve no Brasil, com cerca de 30 mil famílias". Os agricultores, que são chamados de "parceiros", dizem que a produção vem caindo ano após ano.

Em 2005, o primeiro ano do empreendimento, a colheita foi excepcional. Um levantamento feito pelos próprios agricultores indica que a safra do ano em que Lula visitou o empreendimento foi de 1,8 mil toneladas. No ano seguinte, a produção caiu para 1,2 mil toneladas. Em 2007, ano de pouca chuva, a produção caiu para somente 643 toneladas. Este ano, acredita-se que a colheita não tenha chegado à metade daquela obtida no ano passado.

A expectativa da empresa Brasil Ecodiesel era que cada parceiro conseguisse uma produtividade de pelo menos uma tonelada de mamona por hectare. "Em 2005, alguns parceiros chegaram a colher 2 toneladas por hectare", lembrou Lino Neto. Mas a produtividade foi caindo a cada ano, por causa de uma série de fatores, incluindo a falta de correção do solo e a piora na qualidade das sementes utilizadas, segundo informaram os agricultores.

CÉLULAS

O projeto Santa Clara impressiona por suas dimensões. No início, eram 665 famílias distribuídas em 19 assentamentos, chamados de "células". Cada uma das famílias ganhou um lote de 8,5 hectares. Deste total, 5 hectares deveriam ser destinados ao plantio da mamona e 2,5 hectares ao plantio do feijão.

A empresa ficaria com 30% da produção de cada "parceiro" para cobrir os seus custos com o empreendimento e os adiantamentos de dinheiro feitos aos agricultores. Não seria permitido o cultivo de qualquer outro produto na área. Apenas um hectare ficaria para que o "parceiro" pudesse cultivar o que desejasse. Mas essa regra não foi seguida por todos. Como o cultivo da mamona não apresentou os resultados esperados, alguns agricultores passaram a plantar mandioca e milho para aumentar sua renda. A empresa terminou aceitando a solução.

Porém, mesmo com essa flexibilização, a sobrevivência dos "parceiros" está dependendo da boa vontade da Brasil Ecodiesel, que paga, por mês, R$ 164 para cada família e ainda distribui uma cesta básica. Mas isso é um favor prestado pela empresa, pois não está no contrato, e os agricultores não sabem como irão um dia pagar esses benefícios. Por causa das dificuldades, os agricultores estimam que cerca de 40 famílias já deixaram o empreendimento.

Fonte:

Domingo, 3 de Agosto de 2008

Secretaria de Agricultura de Taubaté desenvolvem pesquisa em Pinhão-Manso

Os institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Apta/SAA), em parceria com a Associação dos Amigos dos Bairros Rurais (AABR), sediada em Taubaté, o Núcleo de Sementes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati/SAA) e o Pólo Apta Vale do Paraíba estão iniciando o projeto “Pinhão-Manso: alternativa econômica, social e ambiental para a produção integrada de biodiesel”.

Aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com financiamento superior a R$ 111 mil, ele vai pesquisar a produção integrada do pinhão-manso à pecuária. O Instituto Biológico (IB) é o responsável pela certificação das sementes, o de Economia Agrícola (IEA), pelo levantamento de custo de produção, e o Agronômico (IAC) pela determinação da composição química das sementes.

Segundo a pesquisadora Cristina Castro, do Pólo Apta, o estudo irá gerar e validar tecnologias e processos para que a cultura da oleaginosa seja uma alternativa de renda aos produtores e pecuaristas da região. Além disso, busca-se reduzir o impacto ambiental gerado pelas áreas de produção de eucaliptos que abastecem a indústria de papel e celulose.

Três etapas

Iniciado em março deste ano, o projeto é composto por três etapas. Nesta primeira, está sendo feito um diagnóstico socioeconômico, tecnológico, cultural e do ambiente da região. Com os dados finalizados, serão estimados o custo de produção e o balanço energético do pinhão manso. A pesquisadora diz que os dados têm extrema importância para a formação da cadeia produtiva e para a determinação do preço final do produto, que ainda não está totalmente inserido no mercado comercial.

Na segunda etapa do projeto, serão monitorados três sistemas de produção silvopastoril, que combinam a produção de árvores, a pastagem e o gado numa mesma área, de forma integrada. Os pesquisadores avaliarão o desenvolvimento do plantio do pinhão-manso sob diferentes espaçamentos, integrado nas propriedades com bovinos de leite, corte e de ovinos.

Eles também vão monitorar o pinhão-manso em sistema de produção de monocultura, onde três tipos de leguminosas perenes serão usados como cultura de cobertura após a colheita das sementes, ou seja, nos intervalos de tempo em que o solo não é cultivado.

A previsão é que o resultado final esteja pronto em 2010, quando será finalizada a terceira etapa do estudo. Dessa forma, será determinada a qualidade do produto, por meio da certificação de sanidade e composição química das sementes colhidas nas lavouras experimentais.

Todo o projeto será executado nas propriedades particulares dos produtores da região do Vale do Paraíba, na cidade de Taubaté, onde já existem duas usinas de extração de óleo para biodiesel. Cristina enfatiza que o projeto objetiva, sobretudo, auxiliar os produtores interessados, atendendo às múltiplas necessidades de estrutura que a cultura do pinhão-manso demanda e com a organização da cadeia produtiva para a bioenergia.

Mais sobre a planta em A CULTURA DO PINHÃO MANSO - Jatropha curcas

Fonte: Diário de Taubaté

Diesel feito de cana

O primeiro diesel renovável, obtido da cana-de-açúcar, começará a ser produzido, em escala piloto, a partir do início de 2009, em Campinas, no Techno Park, anunciou ontem a Amyris-Crystalsev, uma joint-venture recém-formada pela Amyris Biotech, líder mundial no desenvolvimento da próxima geração de biocombustíveis, e a Crystalsev, uma das maiores tradings e comercializadoras de etanol do Brasil. A Santelisa Vale, usina de Sertãozinho, será a primeira produtora no mundo do novo combustível em escala comercial. O diesel de cana chegará ao mercado em 2010. O valor do investimento na joint-venture não foi revelado.

O diesel pertence à segunda geração de combustíveis renováveis a partir da cana (o primeiro foi o etanol). O presidente da Amyris, John Melo, explicou que o diesel é biologicamente formulado por meio da fermentação da cana para criar hidrocarbonetos, a mesma estrutura molecular encontrada em combustíveis tradicionais de petróleo. O processo de produção do novo diesel em uma usina é semelhante ao da produção de açúcar e álcool. A diferença é que, no momento da fermentação, a levedura Sacaromice cerevisiae (tradicional fermento biológico) que passou por um processo de reengenharia, separa o óleo existente no processo do caldo da cana. O óleo passa então pela finalização química obtendo, assim, hidrocarbonos.

Pesquisas e testes indicam que esse combustível alcançará escala comercial de forma mais rápida e econômica do que os biocombustíveis já disponíveis no mercado, além de reduzir em 80% as emissões em relação ao óleo diesel tradicional. A idéia não é a de substituir o diesel convencional, mas misturá-lo em altos níveis com outros combustíveis de petróleo.

BARRIL. Segundo Melo, é possível adicioná-lo a uma taxa de até 80%, mantendo as mesmas características. Para o consumidor, o preço será competitivo em relação ao petróleo fóssil, com barril até US$ 60. Hoje o barril está em US$ 120.

A Amyris investiu cerca de US$ 100 milhões no desenvolvimento de uma plataforma de tecnologia que permitiu a reengenharia de microorganismos em "fábricas vivas" para a produção sem danos ao meio ambiente de inúmeros produtos utilizando matérias-primas renováveis, como cana e celulose.

Essa tecnologia surgiu de um projeto para desenvolver uma fonte secundária de Artemísia, um ingrediente-chave para um remédio contra a malária. Nesse caso, a Amyris fez a engenharia de micróbios que podem produzir sinteticamente Artemísia para suprimir limitações atuais no fornecimento desse ingrediente.

AVIAÇÃO. O processo permite obter, além do diesel, gasolina e combustível de aviação. O foco, no entanto, será o diesel, informou o presidente da Crystalsev, Rui Lacerda Ferraz. O grupo não informou os investimentos que serão realizados no Brasil, mas a Santelisa Vale estima que aplicará entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões nas adaptações da usina para transformá-la em uma biorefinaria para a produção do diesel, diz o presidente da usina, Anselmo Rodrigues.

A meta é produzir um bilhão de galões de diesel de cana em cinco anos, a partir de 2010. Atualmente a Santelisa é a segunda maior produtora de açúcar e etanol do Brasil e primeira em co-geração de energia elétrica a partir do bagaço e espera moer este ano 18 milhões de toneladas de cana, produzindo 25 milhões de sacas de açúcar e 770 milhões de litros de etanol, além de produzir e exportar 420 mil Mwh de energia a partir do bagaço. Essa quantidade de energia é suficiente para abastecer uma população de um milhão de habitantes por ano.

Centro passa a ser vitrine

O centro de pesquisa e desenvolvimento da Amyris-Crystalsev em Campinas será uma espécie de vitrine da tecnologia de produção do diesel de cana, informou o diretor-geral da joint-venture, Roel Collier. A plataforma de tecnologia para fazer a reengenharia das leveduras já está pronta, ou seja, não será necessário desenvolver as leveduras no Brasil. Assim, nos laboratórios em Campinas serão trabalhados métodos e modelos para melhorar a tecnologia para escala comercial. "Em outubro começamos a operar um laboratório-piloto nos Estados Unidos e, a partir de 2009, começamos no Brasil a "tropicalizar" o processo, testando com todo tipo de caldo de cana, por regiões, entre outros", informou.

Ele disse que a Amyris decidiu lançar seu primeiro produto usando matéria-prima de cana-de-açúcar devido aos benefícios ambientais e contando com a posição mundial de liderança do Brasil na produção de combustível alternativo. O plano inicial é abastecer o mercado interno, mas a joint-venture planeja comercializar mundialmente os combustíveis renováveis. O mercado global de diesel é crescente, e a expectativa é de que atinja mais de dois trilhões de litros até 2020. Já no Brasil, projeta-se um crescimento de 45 bilhões de litros em 2007 para mais de 80 bilhões de litros em 2020.

A instalação do centro de pesquisa em Campinas, comentou Collier, levou em conta o fato de a cidade estar em uma região conhecida por ser um pólo de inovação e pela sua localização estratégica, entre São Paulo e o principal centro sucroalcooleiro brasileiro, Ribeirão Preto. O Techno Park hospedará, também, uma instalação piloto que deve começar a funcionar no início de 2009.

AS EMPRESAS

AMYRIS - empresa de tecnologia com sede em Emeryville, nos Estados Unidos, fundada em 2003. É uma empresa de capitais privados que incluem os investidores Kleiner Perkins Caufield & Byers, khola Ventures, TPG Ventures e DAG Ventures. Tem cerca de 150 funcionários e está focada atualmente em trazer para o mercado combustíveis de hidrocarbono renováveis como diesel, gasolina, combustível jato para a indústria de transporte

RYSTALSEV - responsável por comercializar produtos de 17 unidades produtoras no interior de São Paulo, Minas e Goiás, atua também na prestação de serviços para usinas, como uma trading company na compra, revenda de produtos e administração dos ativos do grupo. No ano passado assinou memorando com a Dow Chemical para a construção do primeiro pólo alcoolquímico integrado do mundo para a produção de polietileno com etanol de cana-de-açúcar

Santelisa Vale- segunda maior produtora de açúcar e etanol do Brasil e primeira na co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana. A empresa, com mais de 70 anos de história, é referência em tecnologia e inovação no segmento, oferecendo soluções de energia renovável. A empresa é resultante da fusão, no ano passado, entre a Companhia Energética Santa Elisa e a Companhia Açucareira Vale do Rosário

Fonte:

Polinização aumenta produtividade e favorece biodiesel

A apicultura pode ser uma aliada na polinização das culturas para produção do biodiesel. O combustível renovável ainda enfrenta limitações, principalmente o alto custo ligado à disponibilidade de matéria-prima. Por isso, a necessidade de aumentar a produção de oleaginosas por meio do melhoramento genético das plantas e a introdução de polinização com a ajuda de insetos.

Este tema também foi discutido nesta sexta-feira (30), em Cuiabá (MT), pelo professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria (RS), Sílvio Lengler, que também preside a Associação de Apicultores de Santa Maria. Ele ministrou a palestra “A apicultura e sua importância na polinização das culturas para produção de biodiesel”. O professor mostrou que pesquisas em cultivares de soja já comprovaram aumentos entre 8% e 16% na produtividade devido à polinização cruzada. As abelhas procuram as flores de soja em busca de pólen e néctar, cuja concentração de açúcares varia de 31% a 38%.

Lengler citou ainda uma pesquisa com a variedade Santa Rosa, da década de 70, no Rio Grande do Sul, cujo objetivo era verificar se as plantas se beneficiavam da presença de abelhas. Constatou-se que o grupo de plantas com abelhas teve resultado superior ao que não tinha os insetos. O número médio de vagens subiu de 91,68 para 147,49 por pé. O peso médio de vagens saltou de 36,54 gramas para 61,03 gramas e o peso médio de grãos por planta aumentou de 23,85 gramas para 39,65 gramas.

Distribuição - “Para efeitos de programas de polinização recomenda-se que as colméias devam possuir oito quadros cobertos com abelhas, quatro a seis quadros de cria e rainha nova”, sugeriu o pesquisador. Para ter sucesso, o produtor deve trabalhar com população equilibrada das colméias, ambiente com reserva de néctar e pólen, diferenças raciais, linhagens especializadas e ter preferência por diferentes espécies botânicas.

Esses são os fatores internos, mas ainda é necessário observar os externos, como condições climáticas, saturação de floradas, concorrência de espécies botânicas, distribuição das colméias, uso de atrativos e manejo fitossanitário.

Fonte:

Sábado, 2 de Agosto de 2008

Biodiesel de óleo de soja

Como diz um ilustre colega, o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, “as pessoas em geral não têm noção do tamanho do problema”. Vejamos alguns números da Abiove: na última safra (de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008), o Brasil produziu mais de 55 milhões de toneladas de soja. Processou cerca de 30 milhões de toneladas e exportou, na forma de grãos, 25 milhões de toneladas de soja. Consumiu internamente cerca de 10 milhões de toneladas de farelo de soja e pouco mais de 3 milhões de toneladas de óleo de soja. Exportou mais de 12 milhões de toneladas de farelo de soja e pouco mais de 2 milhões de toneladas de óleo de soja.

O teor de óleo no grão de soja é de apenas 18%. Portanto, o principal produto da soja não é o óleo de soja, mas sim o farelo – insumo fundamental para a produção de aves, ovos e suínos, fontes de proteína de baixo custo e alto valor.

Devemos, pois, deixar de exportar matérias primas, aumentar a nossa capacidade de processamento de soja e aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção de aves, ovos e suínos, tanto para o mercado interno quanto para a exportação, agregando valor à nossa produção e gerando emprego e renda, tanto no campo quanto na indústria.

Nesse ciclo virtuoso e em função da necessidade de uma alimentação mais saudável e balanceada, cada vez mais vai sobrar óleo: menos frituras, menos gordura vegetal hidrogenada e mais proteína! Sendo assim, creio que devemos ampliar o uso do óleo de soja na produção de biodiesel. Teríamos menos problemas de arteriosclerose e obesidade, além de um meio ambiente mais saudável.

Com as nossas 55 milhões de toneladas de soja, poderíamos produzir anualmente cerca de 10 bilhões de litros de biodiesel e atender 25% do nosso consumo atual de óleo diesel. E para os gourmets, poderíamos produzir tranquilamente óleos vegetais mais finos e mais nobres que o óleo de soja, tais como o de girassol, o de canola, o de dendê, o de algodão, o de milho, etc..

Fonte: Bloomingtrade

Biodiesel de Mamona

Comunicado Brasil Ecodiesel

Diante das recentes reportagens publicadas sobre as novas especificações do biodiesel estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e suas implicações sobre o biodiesel produzido a partir da mamona, a Brasil Ecodiesel vem por meio desta esclarecer que:

A resolução da ANP altera alguns parâmetros, mas não inviabiliza a produção de biodiesel feito a partir desta oleaginosa.

A Brasil Ecodiesel entende que o mercado de biodiesel de mamona continua sendo viável e promissor, através do uso de um mix de oleaginosas, estratégia que é um dos pilares do negócio da companhia. Esta postura sempre foi adotada pela empresa, a fim de evitar a dependência de uma única matéria-prima, resguardando-se de eventuais variações de mercado, bem como da competição com o setor alimentício.

Ainda que a soja seja a base para a produção das seis fábricas da Brasil Ecodiesel espalhadas pelo país - por ser a principal matéria-prima disponível no mercado em escala comercial -, a empresa associa outros tipos de óleos para compor a sua produção de biodiesel. Além da mamona e do girassol, a companhia presta especial atenção ao pinhão manso, oleaginosa com características semelhantes à mamona que vem sendo estudada pela Brasil Ecodiesel há quatro anos. A empresa adquiriu recentemente três novas fazendas, onde cultiva o pinhão manso e intensifica os estudos sobre esta oleaginosa;

Embora enfrente desafios climáticos no mundo todo, o potencial de crescimento do mercado brasileiro de mamona para utilização na produção de biodiesel é significativo. Para atender à nova especificação, é necessário que o óleo de mamona seja misturado a outro tipo de óleo vegetal numa proporção entre 20% e 30%, obtendo um biodiesel de excelente qualidade, ainda mais considerando suas melhores características de elevada estabilidade oxidativa, baixo índice de iodo, alta lubricidade, baixo ponto de congelamento e ponto de entupimento de filtro a frio, além de elevado número de cetanos.

Atualmente, são produzidas cerca de 150 mil toneladas de mamona por ano no Brasil, o que seria suficiente para produzir cerca de 70 mil toneladas de óleo. Para atender a demanda do B3 (3% de biodiesel adicionados ao diesel mineral), serão necessários 1,3 bilhões de litros de biodiesel no país, os quais poderiam ser produzidos com até 350 mil toneladas de óleo de mamona, representando um mercado potencial de aproximadamente 750 mil toneladas de mamona por ano, o que ilustra o tamanho do mercado que ainda pode ser explorado.

Considerando que tal crescimento poderá ocorrer na região do semi-árido, com produtividade média de 800 kg/ha, a produção brasileira de mamona poderia ser expandida para uma área adicional de cerca de 750 mil hectares, o que representaria até 300 mil novas famílias incluídas no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), com renda adicional de pelo menos R$ 600 milhões.

A Brasil Ecodiesel destaca ainda que a mamona foi a base da criação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) e apresentou-se como iniciativa fundamental para a inclusão do agricultor familiar na cadeia de produção industrial, principalmente no Nordeste brasileiro. A companhia acreditou e investiu nesta proposta ao estruturar uma cadeia integrando milhares de trabalhadores rurais pelo país e segue confiando nesta oleaginosa para aliar desenvolvimento econômico e social.

Do:

Petrobras mantém produção de biodiesel de mamona

A Petrobras Biocombustível divulgou nota informando que manterá a produção de biodiesel a partir de mamona. Segundo a empresa, os planos não serão afetados pela Resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) Nº 7, de 19 de março de 2008, que estabeleceu limites que impediriam a utilização do biodiesel de óleo de mamona puro.

A empresa esclarece na nota que "tanto nas ações em parceria com a agricultura familiar quanto na tecnologia que está sendo implantada nas novas usinas de produção de biodiesel, a meta da Petrobras sempre foi utilizar, inicialmente, misturas de até 30% de óleo de mamona como matéria-prima. O uso de 30% de óleo de mamona na produção de biodiesel atende integralmente à nova especificação da ANP".

Segundo a nota, algumas propriedades importantes serão inclusive melhoradas pela adição da mamona como matéria-prima. "Por exemplo, a adição de 30% de óleo de mamona ao óleo de soja melhora a qualidade do biodiesel produzido, enquadrando-o na norma européia e viabilizando sua exportação para regiões frias da Europa." Pelos cálculos da empresa, para viabilizar misturas nesta proporção, somente para as usinas de Candeias (inaugurada na terça-feira), Quixadá e Montes Claros (que deverão ser inauguradas em agosto), seriam necessárias 49 mil toneladas, mais do que todo o óleo de mamona produzido no Brasil na safra de 2007.

A Petrobras argumenta que a dificuldade para o uso de mamona na produção de biodiesel não ocorre pela viscosidade do B100 (100% de biodiesel) de mamona ou por qualquer outra de suas propriedades físicas ou químicas. "É conseqüência da baixa disponibilidade desta oleaginosa no mercado, uma vez que a indústria do óleo paga pelo óleo de mamona um valor acima do que seria hoje viável, economicamente, pagar para o segmento de combustíveis."

Fonte:

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Biocombustível não ameaça alimentos

Produtividade agrícola aumentou em 11 anos e permite convivência dos dois setores, conclui pesquisa da UnB

Para explicar a alta do preço de alimentos no mundo, o argumento mais comum é jogar a culpa na produção de biocombustíveis. Ou seja, a oferta de comida teria diminuído em decorrência da redução de áreas agriculturáveis para o setor, levando a uma inflação nas gôndolas dos supermercados. No entanto, um estudo feito na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB) mostra que essa explicação está equivocada, pois os dois setores convivem perfeitamente, sem que um afete a produção do outro.

Para que houvesse prejuízo à disponibilidade de alimentos no Brasil, as estatísticas deveriam apontar queda nas safras. Mas o que vem acontecendo é exatamente o contrário, diz a economista Isabel Murillo Hernandez, autora da pesquisa. A produtividade das culturas de milho, arroz e feijão cresceu entre os anos de 1995 e 2006. E o mais surpreendente: a produção agroalimentar tem aumentado sem precisar de novas terras.

As culturas alimentares, sem necessidade de ocupar novas áreas, deixaram disponíveis espaços para o avanço do plantio de matéria-prima para os biocombustíveis, como soja e cana-de-açúcar. “Por isso, não há como se falar em concorrência entre elas”, afirma a economista.

A produção de milho, por exemplo, aumentou de 36,2 milhões de toneladas para 42,6 milhões em uma década, período em que a produtividade cresceu de 2,5 toneladas por hectare (t/ha) para 3,2 t/ha, uma evolução de 27%. Além disso, o espaço ocupado por essa lavoura, que era de 14,1 milhões de hectares, passou para 12,9 milhões de hectares.

Quanto ao arroz, foram colhidas 11,2 milhões de toneladas em 1995 e 11,5 milhões em 2006, com aumento na produtividade, que era de 2,5 t/ha e foi para 3,8 t/ha. Esses fatores fizeram com que essas lavouras liberassem mais de 25% da área anteriormente utilizada, passando de 4,4 milhões de hectares para 3 milhões hectares.

O mesmo efeito se verifica com o feijão, cuja produção saltou de 2,9 milhões de toneladas para 3,4 milhões. A produtividade subiu de 0,5 t/ha para 0,8 t/ha, enquanto a área necessária para o plantio também foi menor, diminuindo de 5,3 milhões de hectares para 4,2 milhões de hectares.

Para a pesquisadora, os dados engrossam as vozes que defendem os biocombustíveis, tendo em vista declarações recentes de autoridades internacionais, como o Banco Mundial (Bird), de que a crise dos alimentos seria causada por essa fonte de energia limpa. “O preço do petróleo é que está afetando os custos de produção, que tem o efeito de encarecimento dos transportes e insumos”, afirma.

SOJA – O trabalho mostra, ainda, em números, o inegável avanço das culturas de soja e de cana-de-açúcar, puxado, em parte, pelos biocombustíveis. Ao contrário das culturas de alimentos, que se utilizaram apenas da melhoria de técnicas que aumentam a produtividade, essas lavouras também se valeram da ocupação de mais terras para incrementar a produção.

Entre 1995 e 2006, por exemplo, a produção da soja simplesmente dobrou. De 25,6 milhões de toneladas, saltou para 52,4 mi. A produtividade subiu de 2,1 para 2,3 t/ha, assim como a área plantada, que foi de 11,7 milhões de hectares para 22 milhões. Para se expandir, a cultura se aproveitou dos espaços liberados pelas lavouras de milho, arroz e feijão. Também pelas pastagens naturais e pastagens plantadas.

Por sua vez, as plantações de cana-de-açúcar, que gera o etanol, acompanharam a tendência da soja. Em termos de produção, os números são de 303,6 milhões de toneladas em 1995 e 457,2 milhões em 2006; produtividade de 65,4 t/ha para 73,9 t/ha; área de 4,6 milhões de hectares para 6,1 milhões de hectares.

Isabel diz que, em um futuro ainda distante, pode surgir uma competição via preços de mercado por áreas destinadas a culturas de produtos alimentícios e biocombustíveis, já que o empresário investe naquilo que oferece mais retorno. Nesse caso, entrarão em cena os arranjos institucionais para regular e estabelecer o equilíbrio da produção agroalimentar e agroenergética. A pesquisa mostra que, pelo menos por enquanto, a produção de alimentos deve se manter dentro do atual patamar da demanda, sem que a produção de biocombustíveis prejudiquem a oferta de alimentos.

A economista, que é funcionária do Ministério da Agricultura do Equador e vai retornar ao país, espera que os conhecimentos adquiridos sobre a experiência do Brasil auxiliem o seu país em decisões de políticas a respeito de investimentos em biocombustíveis.

Veja a relação entre aumento e diminuição de áreas plantadas por três macrorregiões no Brasil (de 1995 a 2006, considerando médias de crescimento):

- Norte/Nordeste

Aumentou

Soja: + 858,8 mil hectares
Milho: + 134 mil hectares

Diminuiu

Pastagens naturais: - 894 mil hectares
Pastagens plantadas: - 811 mil hectares
Arroz: - 87,8 mil hectares
Cana-de-açúcar: - 76,6 mil hectares
Feijão: - 51,9 mil hectares

- Sul/Sudeste

Aumentou

Soja: + 2.168,5 mil hectares
Cana-de-açúcar: + 153,3 mil hectares
Diminuiu

Pastagens naturais: - 875,8 mil hectares
Pastagens plantadas: - 616,5 mil hectares
Feijão: - 322,5 mil hectares
Milho: - 241,3 mil hectares
Arroz: - 26,8 mil hectares

(São Paulo)

Aumentou

Cana-de-açúcar: + 427,2 mil hectares
Soja: + 119,2 mil hectares
Diminuiu

Pastagens plantadas: - 213,1 mil hectares
Milho: - 83,6 mil hectares
Pastagens naturais: - 60,6 mil hectares
Arroz: - 49,4 mil hectares
Feijão: - 16,9 mil hectares
- Centro-Oeste

Aumentou

Soja: + 2.890,6 mil hectares
Milho: + 448,4 mil hectares
Cana-de-açúcar: + 103,1 mil hectares
Arroz: + 8,7 mil hectares
Feijão: + 5,8 mil hectares
Diminuiu

Pastagens plantadas: - 937,9 mil hectares
Pastagens naturais: - 371,7 mil hectares

(Goiás)

Aumentou

Soja: + 1.021,2 mil hectares
Cana-de-açúcar: + 55,9 mil hectares
Feijão: + 8,9 mil hectares
Diminuiu

Pastagens plantadas: - 430,9 mil hectares
Pastagens naturais: - 155,1 mil hectares
Milho: - 114,4 mil hectares
Arroz: - 40,6 mil hectares


CONTATO
Isabel Murillo Hernandez (imurilloh@yahoo.es) e Flávio Botelho (fbotelhofh@gmail.com)

Fonte: SECOM/UnB

Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Carvão "encarece" babaçu

Imperatriz (MA) - A coleta e a extração da amêndoa do coco de babaçu, atividade que responde pela renda familiar de mais de 400 mil mulheres nos Estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí, tem sofrido um revés significativo desde que o potencial calorífico do carvão vegetal produzido a partir do coco inteiro ou de sua casca foi "descoberto" pelas indústrias siderúrgicas de produção de ferro-gusa abastecidas pelo minério de Carajás.

Ativas na região há mais de um século, as quebradeiras de coco babaçu, reconhecidas e incluídas pelo governo federal no conceito de População Tradicional no início de 2007, desenvolvem uma das atividades extrativistas economicamente mais importantes da região amazônica.

Apesar do desmatamento acelerado, os babaçuais ainda ocupam cerca de 18 milhões de hectares nos quatro estados. As quebradeiras, via de regra "sem-terra", coletam tradicionalmente cocos de palmeiras localizadas em toda a região, independentemente do cadastro fundiário da terra. A amêndoa do babaçu é utilizada para a fabricação de azeite, leite ou sabão. O mesocarpo é matéria-prima para produção de farinha, e o carvão da casca serve justamente para consumo próprio das famílias (no aquecimento dos fogões à lenha) ou para venda no mercado local.

A partir de 2001, no entanto, a rápida expansão de atividades agropecuárias e a conseqüente derrubada massiva das palmeiras de babaçu, bem como o "fechamento" de babaçuais (restrição de acesso a propriedades privadas por parte de fazendeiros e pistoleiros), desencadearam a luta pela Lei do Babaçu Livre. Em tramitação no Congresso Nacional - mas já vigente em alguns municípios -, a medida surgiu da preocupação das quebradeiras, que iniciaram uma série de campanhas e lutas pela preservação da atividade extrativista e dos próprios babaçuais. Mas foi a repentina valorização do coco como matéria-prima para fabricação de carvão vegetal que, mais agudamente desde 2005, começou a impactar não apenas a renda, mas toda a cultura das quebradeiras.

De acordo com o Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que atua nos quatro estados, o coco, que até pouco não tinha valor comercial para os fazendeiros, passou a ser um produto de mercado. Se, por um lado, essa valorização pode brecar o desmatamento dos babaçuais, por outro restringiu ainda mais o acesso das quebradeiras ao produto e começou a modificar toda a atividade de extração.

Segundo Ana Carolina Mendes, coordenadora técnica MIQCB em São Luís (MA), muitas quebradeira tem sido transformadas em meras "catadeiras", atividade de coleta do coco inteiro para fazendeiros, guseiras ou carvoarias, com remuneração miserável, que, além de não proporcionar a renda necessária para a manutenção da família, também priva as mulheres dos subprodutos do babaçu. "Hoje, pagam R$ 1,00 pelo saco de coco. Deste tanto, a quebradeira poderia tirar 12 kg de amêndoas (o bastante para produzir 1,5 litro de azeite, vendido a R$ 6,00 em média), 1 kg de mesocarpo, vendido a R$ 6,00, e quatro latas de carvão de casca, vendido a R$ 2,50 a lata", afirma Maria Querubina da Silva, coordenadora do MIQCB em Imperatriz (MA).

No pequeno povoado de Mundo Novo, a de 50 km de Imperatriz (MA), as cerca de 15 famílias que vivem exclusivamente do babaçu passaram a sofrer ameaças dos fazendeiros desde 2005. "São cinco grandes fazendeiros que hoje moram em uma área já destinada à criação da reserva extrativista (Resex) da Mata Grande. Hoje, os babaçuais são arrendados para siderúrgicas de Açailândia (MA). Quem entra nas áreas leva bala. Aconselhamos que ninguém tente", afirmou Ribamar da Silva, presidente da Associação da Resex Mata Grande, que já foi ameaçado de morte. "Quando soube do arrendamento, não consegui dormir à noite. Não tenho renda de nada, a única renda é o coco do babaçu", arremata a quebradeira de coco Antônia Lima.

Na comunidade do Mundo Novo, município de Amarante (MA), a cerca de 150 km de Imperatriz, praticamente a totalidade dos babaçuais foi arrendada por uma carvoaria pertencente a uma fornecedora das siderúrgicas Ferro Gusa Carajás (FGC), pertencente à Vale, e à Terra Norte Metais, em Marabá (PA). De acordo com a presidente da associação local de quebradeiras, Ivaneide de Andrade, a parcela de amêndoas que ficavam com as próprias quebradeiras caiu de 70% para 50%, depois que a arrendatária passou a vender o óleo para uma empresa. A mesma arrendatária paga ainda, segundo o relato de Ivaneide, R$ 0,90 pelo saco de 60 litros para catadores de coco. "Desde que começou o arrendamento, a vida ficou muito difícil. Muita gente fica sem atividade entre dezembro e abril, na baixa da safra", explica.

Na comunidade do Grotão, também em Amarante (MA), muitas quebradeiras têm sido obrigadas a comprar o coco para manter sua pequena clientela de azeite e carvão. Um carregamento de carro de boi é vendido de R$ 35,00 a R$ 50,00, o que deixa pouquíssimo lucro para as quebradeiras. "Alem disso, é o comprador de azeite e carvão que está colocando o preço que quer nos nossos produtos. Aqui vendemos o litro do azeite por R$ 4,00 e o saco de carvão por R$ 6,00. É muita humilhação", desabafa a quebradeira Raimunda de Andrade.

Biodiesel

Em 2004, o governo do Maranhão começou a elaborar um projeto de produção de biodiesel a partir do babaçu no intuito de aproveitar o potencial do Estado, que detém cerca de 80% dos babaçuais da Amazônia Legal. No âmbito do Programa Biodiesel do Maranhão, foi criado um grupo de trabalho com o objetivo de estudar a viabilidade e competitividade técnica, econômica, social e ambiental do "agronegócio do babaçu", além de um projeto para uma planta piloto que recebeu R$ 700 mil do Fundo Setorial de Energia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Segundo o pesquisador do Núcleo Biodiesel da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Adailton Maciel, o projeto acabou paralisado por problemas técnicos, mas as dificuldades para a criação de um programa de porte de biodiesel de babaçu são grandes. "Não é possível sustentar uma indústria de biodiesel apenas com o extrativismo. Além do mais, a questão social que envolve as quebradeiras de coco é muito complexa. Hoje não temos condições de fazer biodiesel de babaçu, e nem sei se teremos", afirmou o pesquisador.

O projeto preocupa o MIQCB. De acordo com a assessora técnica do movimento em Imperatriz, Maria José Viana, a agregação de valor comercial com a utilização do babaçu para produção de biodiesel poderá aprofundar os problemas já sentidos com a valorização do produto por parte da indústria carvoeira e siderúrgica, o que poderia criar uma verdadeira crise social.

Notícia relacionada:Babaçu livre

Leia o relatório "O Brasil dos Agrocombustíveis - impactos das lavouras sobre a terra, o meio e a sociedade: soja e mamona", primeiro de uma série de documentos sobre o tema.

Confira o site do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveisaqui.

Fonte:

Adimplência do Pesa é até 1 de outubro

Brasília, 23 - O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) divulgou nota hoje com esclarecimentos sobre a renegociação das dívidas dos produtores rurais. O deputado é relator da Medida Provisória (MP) 432, que trata do assunto. Ele lembrou que a resolução 3.583 do Banco Central, de 1º de julho, manteve em adimplência até 1º de outubro apenas as operações do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa), com risco do Tesouro Nacional.

O artigo 3º da resolução alterou o artigo 1º da resolução nº 3.537, de 31 de janeiro de 2008, estabelecendo prazo adicional para pagamento das prestações com vencimento entre 1º de janeiro a 30 de setembro de 2008. Sobre essa mudança, Heinze destaca que a grande maioria das pendências do Pesa são de ordem da União e podem ser pagas até outubro.

Na nota Heinze explica que cerca de R$ 4 bilhões estão no risco do Banco do Brasil e instituições privadas e têm de ser liquidados pelos produtores na data do contrato. "Dívidas que não são risco do Tesouro devem ser pagas conforme foi acertado com o agente financeiro, caso contrário terão um acréscimo de cinco pontos percentuais nas taxas de juros e o valor a ser pago pode triplicar", disse.(Fabíola Salvador)

Fonte:

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Agricultores cultivarão amendoim para biodiesel

SÃO LUÍS - Agricultores familiares rurais de São Luís vão plantar amendoim para ser usado como biocombustível. Na semana passada o empresário paulista Carlos Vasque, da Amendo-Oil, assinou termo de compromisso, com a Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar (Coopaf) e a Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento, para fornecimento de sementes para cultivo junto com a oleaginosa pinhão manso, usada na indústria do biodiesel. A empresa também se comprometeu em comprar toda a produção de amendoim, pelo prazo mínimo de 25 anos.

Na ocasião, foi firmado também convênio de cooperação técnica e financeira, entre a Prefeitura, a Coopaf e a empresa Curcas Diesel do Brasil para a realização de ações voltadas para a implantação de projetos de biocombustível, a partir do pinhão manso. A parceria com a empresa começou em abril deste ano, quando o empresário Mike Lu assinou termo comprometendo-se a fornecer sementes de pinhão manso aos agricultores e a comprar toda produção de grãos.

As parcerias firmadas com as empresas Amendo-Oil - beneficiadora de amendoim para fabricação de óleo para uso combustível e humano – e a Curcas Diesel, incluem o plantio experimental de 2,5 hectares de pinhão manso consorciado com amendoim nas comunidades de Calembe e Maracujá, em andamento há 60 dias e o cultivo de 10 hectares na localidade de Rio dos Cachorros, cuja área servirá de Unidade de Validação Tecnológica. O agricultor Roberto Tasaka fornecerá a área para plantio e a mão-de-obra. Já a Secretaria Municipal de Agricultura e as empresas parceiras entrarão com os insumos, tratos culturais, tecnologia, acompanhamento e avaliação dos resultados. O Programa São Luís Bio prevê o plantio de uma de 100 hectares de pinhão manso consorciado com amendoim, milho, feijão, abóbora, entre outros produtos comestíveis.

Fonte: Imirante.com

Mapa aprova zoneamento agrícola para amendoim, sorgo e milho

Portarias aprovando o zoneamento para o plantio do amendoim em São Paulo, do sorgo no Rio Grande do Sul e do milho na Bahia, Maranhão e Piauí foram publicadas no Diário Oficial da União, nesta terça-feira (22). Relação dos municípios contemplados e notas técnicas acompanham as portarias. (Dilma Duarte)

Confira a íntegra das portarias:

Nº 147 - Zoneamento agrícola para amendoim em São Paulo

Nº 148 - Zoneamento agrícola para sorgo no Rio Grande do Sul

Nº 149 - Zoneamento agrícola para milho na Bahia

Nº 150 – Zoneamento agrícola para milho no Maranhão

Nº 151 – Zoneamento agrícola para milho no Piauí

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Brasil avança no valorizado mercado de óleo de palma

Impulsionado pela escalada dos preços internacionais, o mercado brasileiro de óleo de Palma assiste a um fortalecimento puxado por novos investimentos na expansão da produção e em unidades de beneficiamento. Com uma oferta atual pouco superior a 110 mil toneladas anuais, o país é apenas o 15º nesse ranking - historicamente dominado por Malásia e Indonésia -, mas sua área potencial para o cultivo da palma é a maior do mundo.

Em parceria com a Felda, agência do governo da Malásia, a Braspalma Agroindustrial vai criar em Tefé (AM), a 525 quilômetros de Manaus, um projeto de plantio e beneficiamento de palma. O investimento informado ao governo amazonense será de R$ 200 milhões. Ao Valor, o presidente da Braspalma, Iderlon Azevedo, informou, por e-mail, que esse valor é aproximado. "Isso dependerá da nossa eficiência", afirmou.

No momento, a empresa trabalha nos estudos de viabilidade técnica e econômica do projeto requeridos pelo governo do Estado. Os estudos começaram em maio. Segundo a programação inicial da Braspalma, o plantio começará em janeiro de 2009. Até meados de novembro, informou o executivo, o escritório da empresa deverá estar concluído.

A área de plantio será de 20 mil hectares e deverá beneficiar três mil produtores. O desenho da parceria prevê a doação do terreno pelo governo do Amazonas, financiamento pelo Banco da Amazônica (Basa) e assistência técnica da Braspalma.

A idéia da Felda é ter uma área total de plantio de 100 mil hectares, mas esse terreno adicional não será desenvolvido com a Braspalma, segundo Azevedo. "A Malásia estuda parceria com outras empresas além da Braspalma, em diversos países", afirmou.

O projeto em Tefé ressuscitará uma tentativa de transformar a cidade em pólo de produção de palma. Em 1984 foi criada a Empresa Amazonense de Dendê (Emade), controlada pelo governo estadual, mas o projeto, emperrado, acabou abandonado em 1993. A área e a estrutura física que serão ocupadas pelo novo projeto da Braspalma são os mesmos da Emade.

Ainda há poucas informações sobre a estrutura da parceria entre a Felda e a Braspalma Agroindustrial ou mesmo sobre a composição da empresa brasileira, que teria sido criada por um grupo da Malásia, liderado pela própria Felda. Iderlon Azevedo já atuou como representante do Conselho de Promoção do Óleo de Palma da Malásia no Brasil.

A Agropalma, empresa controlada pelo Banco Alfa e maior produtora de óleo de palma do país, prepara para o fim de agosto a inauguração de sua quarta unidade de processamento, localizada em Tailândia (PA). O investimento na fábrica - que, com capacidade para 60 toneladas de cachos de frutos frescos por hora, será a maior da companhia - é de R$ 70 milhões.

A empresa faturou R$ 395 milhões em 2007 e projeta para este ano receita de R$ 570 milhões. O crescimento estará fortemente ligado à valorização da palma no mercado externo, segundo Marcello Brito, diretor comercial da companhia. O aumento também deverá ocorrer com a melhora da produtividade - em 2007, a produtividade foi afetada por uma seca registrada em 2005. Nessa cultura, os efeitos das secas são sentidos dois anos depois.

A valorização global da palma tem ocorrido principalmente em virtude de seu crescente uso na fabricação de biodiesel. Nos últimos dois anos, o preço da tonelada do óleo subiu, em dólares, mas de 135% na bolsa da Malásia.

No Brasil, no entanto, os projetos ligados ao produtos têm como destino primordial o abastecimento da indústria de alimentos. "Fazer biodiesel no Brasil com óleo de palma, nesse nível de preço, é inviável", afirma Brito. Segundo ele, o preço do biodiesel, de cerca de R$ 2.600 por tonelada, ainda é inferior aos R$ 3 mil do óleo bruto em São Paulo, já incluídos 12% de ICMS. O óleo refinado, também em São Paulo e com ICMS incluído, é de R$ 3.700.

Na Agropalma, apenas 2% do faturamento vem da venda de biodiesel - na companhia, a produção do combustível, concentrada na unidade localizada em Belém, é feita a partir da oleína, um subproduto do óleo refinado. Na Braspalma, com seu projeto amazonense, a produção de biodiesel também não está nos planos imediatos. "Biodiesel, somente no futuro", informou o presidente Iderlon Azevedo.

Fonte:
Da Agência

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Produção de manoma deve dar salto de 55%

17/07/08 - A produção de Mamona (Ricinus communis L.) no Brasil, na safra atual, será de 146 mil toneladas, 55,8% a mais que no ciclo passado. Segundo estudo da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o resultado se deve, em parte, ao aumento do uso do óleo pela indústria em vários produtos. No caso da aviação, parte da colheita é destinada à produção de um fluido que impede o congelamento do combustível nos tanques dos aviões e foguetes.

A oleaginosa também é destinada à fabricação de lentes de contato, batom, espuma para colchões, tintas e adubos. ´A mamona é aproveitada em mais de 500 itens pela indústria química´, diz a analista da Conab, Zilá Áquila. Ela explica que a resistência da planta ao clima seco faz com que ela seja uma boa fonte de renda para famílias que a cultivam no semi-árido. Atualmente, cerca 93% da produção do Brasil está no Nordeste.

O aumento nesta safra é resultado de um crescimento de área de 7,3% e melhora na produtividade, que teve um incremento de 45,3%, quando comparada ao período anterior. Os agricultores estão colhendo em média 875 quilos por hectare. Durante a safra 1997/98, por exemplo, a colheita rendia apenas 142 quilos por hectare.

Mercado

Nos primeiros seis meses deste ano, o Brasil arrecadou US$ 6,18 milhões com as exportações de óleos derivados da mamona. Foram embarcados para fora do país 3.416 toneladas. O produtor recebe em média R$ 74 pela saca de 60 quilos. Fora do Brasil, o óleo extraído do vegetal foi negociado na bolsa de Roterdam, na Holanda, em média, a US$ 1.568. A bolsa desse país é uma das referências para os preços do mercado internacional.

Fonte:

Óleo de mamona é utilizado como fluído em avião

O Brasil vai colher na safra atual 146 mil toneladas de mamona, o que representa 55,8% a mais do que na colheita passada. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o aumento da produção foi estimulado pelo maior uso do óleo de mamona em vários produtos, até mesmo na fabricação de um fluido para aviões e foguetes.

O composto impede que o combustível congele quando submetido às baixas temperaturas enfrentadas em altitude. A mamona também é usada na fabricação de lentes de contato, batom, espuma para colchões, tintas e adubos.

A planta é resistente ao clima seco, o que a torna uma oportunidade para agricultores do semi-árido brasileiro. O Nordeste é responsável hoje por 93% da produção nacional do produto. Nesta safra houve crescimento de 7,3% na área plantada e de 45,3% na produtividade, em relação à última colheita. A produtividade atual é de 875 quilos por hectare, enquanto dez anos atrás era de 142 quilos.

O produtor nacional recebe R$ 74 pela saca de 60 quilos de mamona e, no primeiro semestre deste ano, houve arrecadação de US$ 6,18 milhões com a exportação de 3.416 toneladas de óleos derivados da planta. Na Bolsa de Roterdã, na Holanda, onde o óleo é negociado, o preço médio é de US$ 1.568 a tonelada.

Da:

Fonte:

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Tucumã pode virar biodiesel

Óleo de Tucumã (Astrocaryum aculeatum) pode ser transformado em energia. Pesquisas nesse sentido estão bem adiantadas.

CAMPINAS, SP — No interior do Estado do Amazonas, a distribuição energética é muito baixa. Das mais de 4.600 comunidades isoladas, apenas 32 são abastecidas de energia elétrica. Baseada nesses dados, a estudante de química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Banny Silva Barbosa, desenvolveu a pesquisa “Aproveitamento do óleo da amêndoa de tucumã na produção do Biodiesel”, na comunidade Roque, no município de Carauari (AM). O objetivo do trabalho foi desenvolver energia elétrica alternativa com os produtos da região, sem agredir o meio ambiente.

De acordo com Barbosa, a falta de energia elétrica impede qualquer melhoria de educação, saneamento e saúde. “Essa falta é responsável influencia diretamente nos baixos índices de desenvolvimento humano das localidades”, afirmou. Ela ainda ressaltou que, para suprir a demanda por energia, é necessário o uso de fontes alternativas que privilegiem a vocação energética local e a implantação de sistemas descentralizados e autônomos de produção.

A curto e médio prazo, a alternativa de geração de energia elétrica mais viável e que vem sendo utilizada na região é a geração térmica por motores movidos a diesel. Os custos de geração são muito elevados, principalmente devido ao transporte do diesel para essas localidades. “A substituição do diesel por biodiesel produzido localmente, a partir da biodiversidade, é uma excelente alternativa para a região”, explicou a estudante.

Fonte:

Ver também: Materias-Primas para a fabricação de Biodiesel, no Brasil e no Mundo

Amendoim tem zoneamento aprovado para Espírito Santo

Brasília (10.7.2008) - Portaria de zoneamento de risco climático da safra 2008/2009 da cultura do amendoim no Espírito Santo foi publicada na edição de quinta-feira passada (10) no Diário Oficial da União. O objetivo do zoneamento agrícola aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é identificar áreas aptas e os períodos de semeadura com menor risco climático para a cultura do amendoim (Arachis hypogaea L.). Nota técnica, indicando tipos de solos, períodos de semeadura e relação dos municípios aptos ao cultivo acompanha a portaria de número 140. (Dilma Duarte)

Confira a íntegra da portaria:

Nº 140 - Zoneamento para amendoim no Espírito Santo

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Área de cana em São Paulo, cresce 2%

A Secretaria de Agricultura de São Paulo divulgou na semana passada o quarto levantamento da safra paulista. A área de cana-de-açúcar cresceu cerca de 2% nesta safra, chegando a 4,9 milhões de hectares cultivados. Levantamento completo no site: IEA

Estadão



Fonte:

Mapa aprova zoneamento para algodão herbáceo e arroz irrigado

Brasília (14.7.2008) - Recomendações para o plantio do algodão herbáceo na Bahia, Maranhão e Piauí e de arroz irrigado no Rio Grande do Sul estão publicadas em quatro portarias publicadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Diário Oficial da União desta segunda-feira (14). A relação dos municípios contemplados pelos estudos e os períodos mais adequados ao plantio das cultivares estão detalhados nas portarias. (Dilma Duarte)

Confira a íntegra das portarias:

Nº 141 - Zoneamento para algodão herbáceo na Bahia

Nº 142 - Zoneamento para algodão herbáceo no Maranhão

Nº 143 - Zoneamento para algodão herbáceo no Piauí

Nº 144 - Zoneamento para arroz irrigado no Rio Grande do Sul

Fonte:

Mais informações: Portal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
E-mail:imprensa@agricultura.gov.br
Telefone:(61) 3218 2203 / 2204 / 2205
Fax:(61) 3322 2880

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Zoneamento de Oleaginosas auxilia na produção de Biodiesel

Brasília (20.3.2008)- De acordo com o coordenador de Agroenergia, da Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Frederique Rosa e Abreu, atualmente, 90% da matéria-prima utilizada no biodiesel são provenientes do óleo de soja, os outros 10% vêm do algodão, amendoim, Palma/Dendê (Elaeis guineensis, Jacq.), gergelim, girassol, mamona, canola e sebo ou gordura animal.

Por isso a Secretaria de Política Agrícola (SPA) vem fazendo o zoneamento agrícola de risco climático das oleaginosas destinadas ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). As oleaginosas contempladas são algodão, amendoim, canola, dendê, gergelim, girassol, mamona e soja.

Os zoneamentos estão sendo divulgados pelo Departamento de Gestão de Risco Rural em portarias publicadas no Diário Oficial da União à medida que a metodologia de risco seja concluída pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pelas instituições públicas de pesquisa. Desde 1996, já existe o zoneamento para as lavouras de algodão, soja e mamona.

Os técnicos têm estudos para ampliar este trabalho para outros estados, como é o caso do algodão em Rondônia; da mamona, que, além da região Nordeste foi ampliado para todos os Estados da região Centro-Sul na safra 2007, futuramente, Pará e Rondônia e da soja nos estados da região Norte, menos Tocantins, já concluído.

Serão finalizados ainda neste ano, os zoneamentos para a canola na região Sul, dendê nos estados do Maranhão e Piauí e girassol no Rio Grande do Norte e outros em andamento. As informações do zoneamento de risco climático especificam os tipos de solos, as cultivares e os períodos mais indicados para o plantio, bem como a relação dos municípios considerados aptos ao cultivo em cada estado.

De acordo com o coordenador-geral de Zoneamento Agropecuário, da SPA, Francisco José Mitidieri, o zoneamento estimula a oferta de matérias-primas para a produção do biodiesel, hoje concentrado no óleo de soja, uma vez que esse pacote técnico orienta os agricultores, os agentes financeiros de crédito de custeio agrícola e o enquadramento no seguro rural.

Confira os zoneamentos agrícolas de risco climático para culturas oleaginosas

Fonte:

MAPA atualiza lista de pragas quarentenárias

Brasília (9.7.2008) - A lista atualizada de pragas quarentenárias presentes e ausentes no Brasil, publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Diário Oficial da União, Instrução Normativa (IN) n.o 52, está em vigor desde 2 de julho. Com base nessa lista, o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) poderá aplicar medidas fitossanitárias de prevenção, controle, erradicação e monitoramento de plantas e seus produtos passíveis de veicular pragas.

A relação das pragas quarentenárias ausentes (A1) ampara a vigilância agropecuária internacional na fiscalização das mercadorias que chegam ao Brasil pelos portos de fronteira, portos e aeroportos. Pelas normas de trânsito internacional, uma mercadoria infestada por praga quarentenária pode ser impedida de entrar no País e, dependendo do caso, o comércio daquele produto entre os países pode ser suspenso. A lista de pragas quarentenárias ausentes subsidia a política do Mapa para prevenção e erradicação de pragas e, portanto, deve ser revisada periodicamente.

Já as pragas quarentenárias presentes (A2) também afetam o trânsito interestadual de vegetais e seus produtos, controlado pela certificação fitossanitária de origem e permissão de trânsito de vegetais. A relação dos estados onde ocorrem pragas quarentenárias foi atualizada com a revisão da IN 52 de 2007. Entre as novidades da lista está a retirada de oito espécies do gênero Helicônia como hospedeiro da sigatoka negra, pois uma pesquisa provou que elas são resistentes à praga.

De acordo com a Instrução Normativa Nº 52, a detecção de praga quarentenária ausente ou outra praga exótica, deve ser notificada ao Mapa e às instâncias intermediárias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, responsáveis pela vigilância fitossanitária na realização dos levantamentos para detecção, delimitação e monitoramento de pragas quarentenárias presentes.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Babaçu (Orbignya phalerata, Mart.)

Aspectos Gerais

Segundo a EMBRAPA, no Cerrado Brasileiro, é possível encontrarnos uma grande variedade de produtos florestais não madeireiros (PFNM) com posibilidades de uso comercial. Há indicações de 110 especies com potencial de uso, sendo as mais importantes o óleo de babaçu (Orbygnia oleifera), o óleo e fruto do pequi (Caryocar brasiliense), o fruto do araticum (Annona crassifora), a fava (Dimorphandra mollis) e a mangaba (Hacornia speciosa); a fibra de buriti (Mauritia flexuosa) e os extratos medicinais da copaíba (Copaifera langsdorffi), candeia (Eremanthus erytropappus), arnica (Lychnophora ericoides) e Jaborandi (Pilocarpus jaborandi.

Um dos mais importantes recursos na indústria extrativista brasileira, entre as palmeiras utilizadas, o babaçu é considerado o mais rico do ponto de vista econômico, pelo aproveitamento de todos os seus componentes, tendo, portanto grande valor industrial e comercial. O babaçu fornece matéria-prima para o fabrico de sabões e detergentes, margarina e óleos comestíveis, além de atender a um sem-fim de necessidades impostas pela vida cotidiana das populações rurais fixadas em suas áreas de ocorrência.

A espécie mais estudada no Brasil é a Attalea speciosa Mart. ex Spreng. com uma área estimada de ocorrência de 200.000 Km2, ocorre espontaneamente nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Pode ocorrer isoladamente nas florestas ou em áreas abertas, sendo mais frequentemente encontrada em áreas degradadas onde é considerada uma espécie pioneira e dominante.

Em Minas Gerais, as palmeiras são freqüentes ao longo do rio São Francisco e seus afluentes e, ao norte, em direção ao rio Urucuri. Em Goiás, acham-se na região norte, e, em Mato Grosso, a oeste. Solo arenoso e água disponível no solo são de importância para o sistema radicular e é talvez por isso que o babaçu ocorre tão intensamente em certas áreas e de modo muito esparso em áreas vizinhas.

O Babaçu (Orbignya phalerata, Mart.) é uma planta da família das palmáceas Arecaceae, dotada de frutos drupáceos com sementes oleaginosas e comestíveis das quais se extrai um óleo, empregado sobretudo na alimentação, além de ser alvo de pesquisas avançadas para a fabricação de biocombustíveis.

Sinonímia botânica: Attalea speciosa Mart. ex Spreng., Orbygnia martiana Barb. Henderson et al. (1995), O. phalerata Mart., O. martiana Barb. Rodr., Orbygnia speciosa (Mart. ex Spreng.) Barb. Rodr., Orbygnia oleifera, (ou O.). martiana

A denominação babaçu é comum a várias palmeiras brasileiras conhecidas também por outros nomes, como aguaçu, auaçu, baguaçu, bauaçu, coco-de-macaco, coco-de-palmeira, coco-naiá, coco-pindoba, guaguaçu, nostrana ou Attalea funifera, oauaçu, palha-branca, uauaçu.

Espanhol: babasú, shapaja, cusi, catirina.

Inglês: babasu palm.

Botânica/Descrição/Variedades

A Planta:

A palmeira chega a alcançar 20 metros de altura e pode ser aproveitada da raiz às folhas e pode ser encontrada em extensas formações naturais, principalmente no Nordeste.
A palmeira babaçu possui três estágios de crescimento. O primeiro constituído pelas pindovas, onde a palmeira apresenta até três folhas definitivas. O segundo denominado palmiteiro pode ser identificado pelo palmito, quase ao nível do solo. No terceiro, o caule já se encontra formado, correspondendo à fase anterior a adulta
Babaçu rendimento entre 1.500 e 2.000 l/há de óleo.
O óleo é de cor branca, levemente amarelada.

As Folhas:
As folhas são pinadas ou palmadas, com pecíolos longos, de cinco a dez metros de comprimento, em geral com bainha e pecíolo persistentes e fibrosos, com bainha abarcante, inteira e larga, as vezes com espinhos. A bainha muitas vezes envolve o espique (tipo de caule característico das palmeiras) e as bainhas das folhas mais novas. As folhas são geralmente inseridas em espiral formando um tufo na extremidade do caule. A prefoliação é do tipo plicada. Existem, em conjunto, 15 a 20 folhas ou palmas.

Os Frutos:
Pode possuir até 6 cachos ou mais por planta, sustentados por um pêndulo de 70 a 90 centímetros. Cada cacho possui de 240 a 720 frutos.
Os Frutos são drupáceos, com sementes oleaginosas e comestíveis, lenhosos, ovais alongados, de polpa fibroso-farinácea, podendo atingir de 5 a 15 cm de comprimento por 3 a 8 cm de diâmetro, chegando a pesar de 90 a 240 gramas. Esse tamanho depende das condições ecológicas e das variedades de cada espécie. Apresenta: epicarpo bastante rija; mesocarpo com 05 a 1,0 cm, rico em amido; endocarpo rijo, de 2 a 3 cm; e, sementes ou amêndoas, de 2 a 8 por fruto, com 2,5 a 6 cm de comprimento e 1 a 2 centímetros de largura.
A cor da casca do fruto maduro é castanha a amarronzada e a cor da polpa branca a bege.
Apesar do pico de amadorecimento dos frutos ocorrer de agosto a janeiro, o Babaçu possui diásporos remanescentes, isto é, possuem frutos praticamente o ano todo.
Apenas seis a oito por cento do peso do fruto correspondem às sementes, que encerram de 65 a 68% de óleo, utilizável na fabricação de sabões e detergentes e, após a refinação, para fins alimentícios e produção de margarina. Esse óleo é semelhante, em suas propriedades, ao de coco e de dendê e, como alguns outros, possui elevada quantidade de ácido láurico.

A Floração:

As flores sésseis, providas de cálice, são protegidas por espatas lanceoladas. O pico da Floração ocorre de janeiro a abril.

Usos do Babaçu

Perda zero (zero waste): Os cachos (de frutos) vazios, os resíduos do processo de extração do óleo - fibras e casca das amêndoas (endocarpo) podem atuar como combustíveis nas caldeiras (produzindo vapor para o processo de extração de óleos) bem como serem usados para geração de energia elétrica, cujo excedente pode ser direcionado para agrovilas, rede pública, outros.
Do broto, se extrai de boa qualidade, Quando maduro, a parte externa é comestível. Das folhas e espatas se fabricam esteiras, cestos, chapéus, etc.

O broto fornece palmito de boa qualidade. Quando maduro, a parte externa do fruto é comestível. Do óleo se produz margarina, sabão e cosméticos. O caule é empregado em construções rurais e as folhas na fabricação doméstica de cestos.

Uso alimentício:

• O broto fornece palmito de boa qualidade.
• Quando maduro, a parte externa do fruto é comestível.
• ÓLEO DE COCO BABAÇU: O óleo de babaçu é produzido das amêndoas retiradas do interior do fruto da palmeira.
Óleo comestível, apresenta propriedades parecidas com o óleo de dendê, com alto teor de ácido láurico.
Aplicação: Usado em muitos produtos alimentícios, com por exemplo, em tortas.
Também chamado de: Gordura de Coco, aguaçu, uauaçu, coco-de-macaco, coco-pindoba.

Uso oleoquímico:

O óleo de Babaçu pode ser empregado na produção de Biodiesel de excelente qualidade.

Uso medicinal:

O pó do mesocarpo do coco babaçu é popularmente conhecido como amido e tem sido usado como alimento e como medicamento por apresentar atividade antiinflamatória, imunomoduladora, analgésica e antipirética.

Uso industrial:

O óleo do coco de Babaçu é valioso na fabricação de cosméticos, perfumaria, sabonetes, sabões, detergentes, margarinas, banha de coco, etc.
O mesocarpo do fruto de Babaçu tem sido usado na produção de álcool etílico de boa qualidade, conhecido como álcool de babaçu. Por conter amido, o babaçu é a única palmeira no mundo que pode ser utilizada na produção de etanol. Na floresta nativa é possível encontrar, em média, 200 palmeiras por Km2. Cada planta, sem receber nenhum cuidado especial, produz no mínimo 2,5 toneladas de frutos por ha/ano. Quando as plantas são tratadas, a produção chega a 7,5 toneladas por ha/ano. Para se ter uma idéia, uma tonelada de frutos processados resultam em 80 litros de etanol, 145 kg de carvão, 40 Kg. de óleo e 174m3 de gás. Se considerarmos toda a reserva disponível de babaçu no país, o potencial de produção de energia chega a 5 mil Mega-watts. O que equivale a mais de 10% de toda a capacidade de geração de energia de origem hidrelétrica no Brasil.

Outros usos:
• O caule é empregado em construções rurais e as folhas na fabricação doméstica de cestos;
• O fruto, enquanto verde, serve para defumar a borracha;
• A casca, que pode ser utilizada como combustível para fornos e caldeiras, na forma de carvão vegetal(As cascas de babaçu armazenadas em um metro cúbico produzem 2,5 vezes mais energia do que o bagaço de cana e queimam melhor porque estão mais secas. Outra vantagem é que o babaçu ocorre em abundância em áreas onde normalmente a cana não vai bem. Trata-se de um sistema de geração de energia ecologicamente correto em locais onde a cana não é uma boa opção.);
• O estipe do babaçu, quando apodrecido, serve de adubo; se em boas condições, é usado em marcenaria rústica, como esteios e ripas;
• O endocarpo tem poder calorífico elevado, podendo ser usado para geração de energia; e,
• A torta de sementes, após a extração do óleo, pode ser utilizada na alimentação de animais e como fertilizante nitrogenado e fosfatado. Assemelha-se, em composição, à torta de coco.

Botânica/Descrição/Variedades

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Género: Orbignya
Espécie: O. phalerata
Nome binomial: Orbignya phalerata (Mart.)

Necessidades do Babaçu

Clima:
Regiões com índices pluviométrico acima de 1.000 mm e temperatura elevadas, entre 26
28 ºC ( Melo, V. e outros)

Solos:
Ocupa solos de formações diversas, tais como solos aluviais, hidromórficos, tatossolos e podzôicos ( Melo, V. e outros)
Não há plantações sistemáticas de babaçu. Toda a produção provém de palmeiras espontâneas. Os estados do Maranhão e Piauí são os maiores produtores. A cada ciclo de floração e frutificação, formam-se de dois a seis cachos, cada qual com 150 a 300 frutos, de modo que uma palmeira produz por ano cerca de 800 frutos.

BIBLIOGRAFIA


http://pt.wikipedia.org/wiki/Palmeira
http://www.biodieselbr.com/plantas/babacu/babacu.htm
http://www.emdiv.com.br/pt/brasil/geografia/371-o-babacu-na-vegetecao-brasileira.html
http://www.facabiodiesel.com.br/biodiesel/babacu.htm
Máquina vai permitir aproveitamento total do coco babaçu
ÓLEO DE COCO BABAÇU, no sitio da Campestre
RESPOSTA TÉCNICA: Babaçu; O cultivo, a industrialização do coco babaçu e máquinas utilizadas; Fabricação da amida 60 a partir do óleo de coco de babaçu; Extração do Óleo de Babaçu; Eliminação da palmeira de babaçu;
Silva, M. R., Distribuição do Babaçu em relação com os fatores geoambientais na Bacia do Rio Cocal, estado do Tocantins, 91p., 297 mm (UnB-IH-GEA-LSIE, Mestrado, Gestão Ambiental e Territorial, 2008).
Teixeira, M. A., BIOMASSA DE BABAÇU NO BRASIL, Departamento de Energia - FEM- UNICAMP.
Zoneamento Ecológico do Babaçu no Estado do Piauí


Ver também:

Carvão "encarece" babaçu

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Inajá (Maximiliana maripa)

O Inajá (Maximiliana maripa (Aublet) Drude), pertencente a família Arecaceae (Palmae), é uma palmeira, nativa do Brasil, pode ser encontrado da Amazônia ao Centro-Oeste brasileiro e em regiões adjacentes na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, tendo sua maior incidência no Estado do Pará e mais precisamente no estuário amazônico, onde parece ter a sua origem, chegando até o Maranhão.



Ela ocorre em áreas de florestas primárias e secundárias, campos naturais e cerrados, e, principalmente, em áreas alteradas pelo homem, especialmente as áreas de pastagens. Embora tolere áreas alagadiças, ela é mais adaptada aos lugares com solos bem drenados (FAO, 1983).

É tolerante a queimadas, pois, as plantas jovens, ao serem queimadas para o cultivo de pastagens, rebrotam com vigor e as sementes, que estavam em processo de dormência, germinam rapidamente.

No Acre, ela ocorre com mais freqüência na vale do rio Acre, especialmente nos Municípios de Rio Branco, Senador Guiomard, Plácido de Castro e Acrelândia (Ferreira, 2005).

Nomes Populares: Anaiá, Anajá, Aritá, Coqueiro-Anaiá, Inajá, Inajazeiro, Maripá e Najá.

Botânica/Descrição/Variedades

A Planta:

O inajá é uma palmeira de porte mediano, estipe solitário anelado, medindo de 3 a 20 metros de altura, com tronco de 15 a 25cm de diâmetro.

Ela ocorre em áreas de florestas primárias e secundárias, campos naturais e cerrados, principalmente, nas alteradas pelo homem, em especial as de pastagens, e que passaram por um processo de queimada.

As Folhas:

Suas folhas são rígidas, eretas e arranjadas em espiral no ápice do estipe em número de 11 a 25 contemporâneas, de 5 a 8 m de comprimento, dispostas em cinco direções.

As bainhas foliares possuem fibras densamente arranjadas, formando uma espécie de “pano”.

O pecíolo das folhas é bastante alongado e possui as margens afiadas e cortantes. As folhas ao caírem deixam fixas ao tronco, por um longo tempo, as bases parte dos seus pecíolos.

Bainha e pecíolo juntos podem medir entre 1,5 e 2,3 m de comprimento.

As pinas das folhas são arranjadas em várias direções, dando às mesmas um aspecto desarranjado.

Os Frutos:

Os frutos possuem casca fina e polpa suculenta e comestível, amarelada, pastosa e muito oleosa. Eles são relativamente pequenos e geralmente cobertos no seu terço inicial pelo perianto. Seu formato lembra um pouco os frutos da palmeira jaci (Attalea butyraceae) em menor escala (Ferreira, 2005). Cada fruto pode apresentar entre 2 e 3 sementes (Lorenzi et al., 2004). A dispersão das sementes é realizada por mamíferos (Zona & Henderson, 1989). Período de frutificação: de janeiro a julho (Lorenzi, 2000)

A Floração:

A floração da ocorre entre agosto-dezembro (Lorenzi, 2000), com suas inflorescências sendo interfoliares (Lorenzi, 2000).

A polinização é feita por abelhas nativas - Melipona spp. (Absy et al., 1980).

Necessidades do Inajazeiro

  1. Solos: O inajá é tolerante a inundações e a condições de baixa fertilidade do solo. Embora tolere áreas alagadiças, ela é mais adaptada aos lugares com solos bem drenados (FAO, 1983).
  2. Clima: Tropical
Usos do Inajazeiro

Os principais usos da espécie são:

  1. Frutos: Tem grande potencial para a produção de óleo. Cada um de seus cachos pode pesar mais de 50 kg e apresentar mais de 2.000 frutos. Além disso, o teor de óleo dos frutos é de aproximadamente 23% de óleo (Blaak, 1993) e a viabilidade para a extração em escala do seu óleo já foram realizados na Colômbia (FAO/CATIE, 1983).

    A polpa dos frutos é usada pelas comunidades indígenas no preparo de alimentos e seu endocarpo é queimado para extração de sal vegetal e produção de fumaça para a defumação de borracha (Moses, 1962; Braun, 1968);

  2. Amêndoa: Extrai-se um óleo amarelo, também comestível;

  3. Folhas: junto com as suas estipes, as folhas usado na construção de paredes e coberturas das malocas e nashabitações rurais. As suas fibras são aproveitadas na confecção de artesanato. Já o pecíolo, que é a base da estrutura de sustentação das folhas, é usado como ponta de flechas;

  4. Cacho: Bráctea peduncular é usada como brinquedo pelas crianças e utensílio para cozinha e, espata - base de sustentação dos cachos, é utilizada para a fabricação de assentos, utensílios usados para transportar água e como cesto; e,

  5. Palmito: de boa qualidade, é comestível.

Formação de Mudas

  • Extração, Tratamento e Viabilidade das Sementes: colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los do chão após a queda, os frutos assim obtidos podem usar diretamente para a semeadura, não havendo necessidade de despolpá-los.

  • Condições de Cultivo: colocar os frutos para germinar logo que colhidos em canteiros ou recipientes individuais.

  • Substrato: argiloso rico em matéria orgânica.

  • Desenvolvimento: Moderado.
Referência: Lorenzi, H. 2000. Árvores Brasileiras – Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. V.1. 3ªed. Editora Plantarum. Nova Odessa – SP. 368 p

Potencial Econômico

O inajá é rico em fósforo, magnésio e ácidos graxos, podendo ser usado como ração para aves, suínos e peixes, além de fornecer o palmito, farinha e óleo na alimentação humana; e garantir matéria-prima à indústria de cosméticos e de produtos farmacêuticos.

Outro aspecto que torna esta palmeira interessante é a possibilidade de manejar suas populações naturais em áreas de pastagens visando o seu adensamento, o que pode ser feito sem a necessidade de grandes investimentos financeiros. Em alguns lugares da Amazônia, como Rondônia e Pará, esta espécie forma grandes populações em áreas de pastagens, lembrando muito as extensas áreas dominadas por babaçu no estado do Maranhão.

Doenças e Pragas do Inajazeiro

Anel vermelho: enfermidade produzida pelo nematoide Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard = Rhadinaphelenchus cocophilus Cobb (Nemata, Aphelenchida: Aphelenchoides)

Sintomatologia: Os sintomas variam dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento das folhas basais, começando pela seca da ponta para a base. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da ráquis. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microorganismos saprófitas, e morte da planta. Plantas mortas apresentam o topo desnudo.

O sintoma interno é observado através de um corte transversal no estipe, apresentando-se sob a forma de um anel, de coloração marrom ou vermelha, medindo cerca de 4 a 6cm e distante da periferia cerca de 2 a 3cm.

Plantas afetadas devem ser destruídas.

Controle deve ser aplicado ao Bicudo ou Broca-do-olho-do-coqueiro (principal vetor de transmissão do nematoide).

Medidas de controle:
  • Erradicação de plantas mortas, com sintomas da doença ou não.

  • Desinfecção das ferramentas utilizadas no corte das plantas doentes.

  • Uso de armadilhas atrativas modelo Pet ou Balde contendo cana mais o feromônio de agregação Rincoforol (rhynchophorol) para captura do inseto vetor e monitorar a população da praga.

  • Uso de iscas vegetais impregnadas com inseticidas elimina a mão-de-obra exigida para a destruição manual dos insetos capturados.

  • Controle biológico: o uso de iscas vegetais contaminadas com esporos do fungo Beauveria bassiana é uma alternativa de controle que permite aumentar a infecção do agente microbiano. Após imersão na suspensão de esporos do fungo, as iscas são acondicionadas em armadilhas de auto-contaminação, que consiste em baldes plásticos contendo o feromônio da praga e com orifícios laterais que permitem a entrada e a saída dos nematoídes. Estes recipientes são distribuídos em pontos estratégicos fora da plantação e de preferência sob arbustos. Com a distribuição quinzenal de seis armadilhas de auto-contaminação em uma área de 10 ha obteve-se uma redução de 72% e 73% na população da praga no 1º e 2º ano de liberação do fungo.
Doenças Associadas ao Inajá

Doença de chagas: as bases dos pecíolos que persistem no caule após a queda das folhas velhas, formam refúgios onde roedores e marsupiais como Didelphis marsupialis Linnaeus, 1758 e outros hospedeiros de T. cruzi constroem seus ninhos, contribuindo dessa forma para manutenção de ciclos enzoóticos de transmissão de T. cruzi e T. rangeli (Naiff et al. 1998).

Classificação Taxonômica

Sinônimo(s):

Attalea macropetala (Burret) Wessels Boer
Attalea maripa (J.F. Correa da Serra) Martius
Attalea regia (Martius) Wessels Boer
Englerophoenix caribaea (A.H.R. Grisebach) O. Kuntze
Englerophoenix longirostrata (Barbosa Rodrigues) Barbosa Rodrigues
Englerophoenix maripa (J.F. Correa da Serra) O. Kuntze
Englerophoenix regia (Martius) O. Kuntze
Maximiliana caribaea A.H.R. Grisebach
Maximiliana elegans H. Karsten
Maximiliana longirostrata Barbosa Rodrigues
Maximiliana macrogyne Burret
Maximiliana macropetala Burret
Maximiliana martiana H. Karsten
Maximiliana regia Martius
Maximiliana stenocarpa Burret
Palma maripa J.F. Correa da Serra

Bibliografia Consultada

Palma/Dendê (Elaeis guineensis, Jacq.)

Aspectos Gerais

O dendezeiro é uma palmeira originária da Costa Ocidental da África (Golfo da Guiné) sendo encontrada em povoamentos sub expontâneos desde o Senegal até Angola; foi trazido, no século XVII, pelos escravos ao Brasil e adaptou-se bem ao clima tropical úmido do litoral baiano.

O principal produto do dendezeiro é o óleo extraído industrialmente da polpa do fruto - óleo de palma internacionalmente conhecido como palm oil - cuja demanda vem crescendo de forma acelerada e consistente há quase dez anos. As características especiais desse produto conferem-lhe grande versatilidade o que possibilita sua aceitação por industrias mundiais diversas. A cultura do dendezeiro é, provavelmente, a de maior potencial de crescimento no mundo dentre as culturas de significado econômico. Sua rentabilidade tem sido boa (apesar do investimento alto para a implantação) e os preços tem-se mantido estáveis em torno de USS 450 / tonelada de óleo de palma devido ao aumento de produção que tem acompanhado o crescimento do consumo.

Balanço mundial do óleo de palma (1997/98)
(em mil toneladas métricas)

  • Produção: Malásia (8.600), Indonésia (5.750) e Nigéria (590) destacando-se como maiores produtores.

  • Consumo: Indonésia (3.170), China (1.500) e Malásia (1.345) foram os maiores consumidores.

  • Importação: China (1.500), Índia (1.200) e Paquistão (1.050) mostraram-se os maiores importadores.

  • Exportação: Malásia (7.350), Indonésia (2.650) e Singapura (829) destacaram nas exportações.
OBS.: Na produção e no consumo o Brasil citou-se no 11º e no 13º lugares, respectivamente.

No Brasil a área colhida (1995) de dendê foi de 68 mil hectares e a produção do óleo de palma/ano está em torno de 80 mil toneladas: o país consome 280 mil toneladas de óleo de dendê e derivados e importa em torno de 180 mil toneladas mas tem mercado interno potencial de 400 mil toneladas/ano de óleo de dendê e derivados.

O Pará (70% da produção), Bahia e Amapá são as unidades maiores produtoras de óleo do Brasil.
O estado da Bahia possui uma diversidade excepcional de solos e clima para a cultura do dendezeiro; a área apta disponível é de 750 mil hectares de terras situadas em regiões litorâneas que se estendem desde o Recôncavo até os Tabuleiros do Sul da Bahia. A maior parte da produção (10 mil toneladas) de óleo de dendê é proveniente de dendezeiros subespontâneos de baixa produtividade e que somam cerca de 19.650 hectares; a área de dendezeiros cultivadas é de 11.500 hectares (indústrias de extração e produtores independentes) o que corresponde a 1,53% da área disponível total. Esses dendezeiros também apresentam baixa produtividade notadamente por terem ultrapassado o período econômico de produção (25 anos) bem como por apresentarem estado sanitário precário.

Usos do Dendezeiro

Do dendezeiro utiliza-se o fruto, cachos vazios dos frutos, cascas da amêndoa (caroço) e tronco.

Fruto: principal produto do dendezeiro; da sua polpa (mesocarpo) extrai-se o óleo de palma (óleo de dendê) e de sua amêndoa consegue-se o óleo de palmiste. Cada fruto produz nove partes de óleo de dendê para 1 parte de óleo de palmiste.

Óleo de palma (palm oil)

O óleo de palma tem uso alimentício, medicinal, oleoquímico e industrial.

  • Uso alimentício: direta/indiretamente o óleo faz parte de margarinas, de gorduras (para pães, biscoitos, massas, tortas) pó para sorvete, manteiga vegetal, óleo de cozinha, óleo de salada, azeite de dendê, vanaspati, entre outros; ainda é substituto para a manteiga de cacau e fornece vitamina E e beta-caroteno (pro-vitamina A).

  • Uso medicinal: algumas substâncias componentes do óleo tem propriedades anti-oxidantes, podendo representar papel protetor para células humanas, prevenir doenças cardíacas e câncer. Ademais dietas com óleo de dendê promovem a elevação do índice de colesterol benéfico no sangue em detrimento do colesterol maléfico (LDL).

  • Uso oleoquímico: o óleo de palma entra na composição de sabões, sabão em pó, sabonete, condicionador para cabelos, shampoos, velas tintas, detergentes, laminação de aço (siderurgia), emulsificantes, entre outros.

  • Uso industrial: é matéria prima para obtenção da estearina, oleína, glicerina, acido láurico, acido oleíco, ácidos graxos, esteres, entre outros.
Óleo de palmiste (palm kernel oil): De importância comercial é disputado por industrias alimentícias, de sabão e oleoquímicas; também pode ser substituto da manteiga do cacau e utilizado, também, na industria de cosméticos.

Perda zero (zero waste): Os cachos (de frutos) vazios, os resíduos do processo de extração do óleo - fibras e casca das amêndoas (endocarpo) podem atuar como combustíveis nas caldeiras (produzindo vapor para o processo de extração de óleos) bem como serem usados para geração de energia elétrica, cujo excedente pode ser direcionado para agrovilas, rede pública, outros.

Outros usos: Fibras das folhas e cacho de frutos vazios podem ser processados para confecção de materiais de média densidade para tampos de lareiras.

Os troncos derrubados, resultantes de replantios, podem ser transformados em móveis.

Da extração do óleo de palmiste resulta a torta de palmiste que contém 18% de proteína que pode ser usada na alimentação de animais ou ser usada como adubo orgânico para plantas.

Botânica/Descrição/Variedades

A Planta

O dendezeiro é conhecido cientificamente por Elaeis guineensis, Jacq., Monocotiledonae, Palmae. A planta também é conhecida como palmeira-de-óleo-africana, aavora, palma-de-guiné, palma, dendém (em Angola), palmeira-dendém, coqueiro-de-dendê. O fruto é conhecido como dendê.

O dendezeiro é uma palmeira com até 15m. de altura, com raízes fasciculadas, estipe (tronco) ereto, escuro, sem ramificações, anelado (devido a cicatrizes deixadas por folhas antigas). As folhas que podem alcançar até 1m. de comprimento, tem bases recobertas com espinhos. As flores são creme-amareladas e estão aglomeradas em cachos.

Os Frutos

Os frutos, nozes pequenas e duras, possuem polpa (mesocarpo) fibroso que envolve o endocarpo pétreo, nascem negros e quando estão maduros alcançam cor que varia do amarelo forte ao vermelho rosado passando por matrizes de cor alaranjada e ferrugem. Ovóides (angulosos e alongados) nascem em cachos onde, por abundância, acabam se comprimindo e se deformando. A polpa produz o óleo de dendê (óleo de palma, palm oil ou Palmenol), de cor amarela ou avermelhada (por presença de carotenóides), de sabor adocicado e cheiro sui-generis.

A Elaeis guineensis, segundo a espessura do endocarpo do fruto, é classificado em:
  • Macrocaria: possui frutos com endocarpo com espessura acima de 6mm; sem importância econômica.

  • Dura: fruto com endocarpo de espessura entre 2 a 6mm, com fibras dispersas na polpa. Usado como planta feminina na produção de híbridos comerciais.

  • Psífera: frutos sem endocarpo separando polpa da amêndoa. Usada como fornecedora de pólen na produção de híbridos comerciais.

  • Tenera: híbrido do cruzamento Psifera x Dura; tem endocarpo com espessura entre 0,5mm. e 2,5mm. e com anel de fibras ao redor do endocarpo. Suas sementes são recomendadas para plantios comerciais. Tem vida econômica entre 20-30 anos, produz 10-12 cachos anualmente, que pesam entre 20 a 30 kg (cada), portando 1.000 a 3.000 frutos (cada cacho). É boa produtora de inflorescencias femininas.

A semente ocupa totalmente a cavidade do fruto e contém o óleo de palmiste (palm kernel oil) que é esbranquiçado e quase sem cheiro e sabor.

No gênero Elaeis existem duas espécies de interesse comercial:

Elaeis melanococca Gaertn: nativa da América Latina também é encontrada no Brasil e conhecida como caiaué. Tem sido procurada para obtenção de híbridos com a Elaeis guineensis.

Elaeis guineensis: Macrocaria, Dura, Psífera e Tenera

Necessidades do Dendezeiro

Clima:

A planta requer temperatura média entre 25 e 27ºC (limites 24 e 32ºC) sem ocorrência de temperaturas mínimas abaixo de 19ºC por períodos prolongados; as chuvas devem proporcionar precipitações mensais mínimas acima de 100mm. (150mm. ideais) e total anual em 2.000mm. ou mais. A luminosidade deve ser, pelo menos, 1.800 horas/luz/ano com mínimo de 5 horas/luz solar/dia. A umidade relativa do ar em torno de 80% é ideal para a planta. A temperatura tem efeito sobre o número de folhas emitidas, número de cachos produzidos e teor de óleo nos frutos; a disponibilidade constante de água no solo (segundo quantidade e distribuição das chuvas) determina produções elevadas de cachos de dendê. Plantios em regiões com déficit hídrico prolongado devem ter suprimento com irrigação artificial.

Solos:

Devem ser profundos (profundidade efetiva acima de 90cm.), não compactados permeáveis (boa aeração e boa circulação de água), bem drenados com boa retenção de água, areno-argilosos a argilo-arenosos (25 a 30% de partículas finas) e não devem ser pedregosos. Ainda os solos devem apresentar bom teor de matéria orgânica e bom equilíbrio de elementos minerais.

O dendezeiro adapta-se bem a solos ácidos e desenvolve-se, normalmente, numa faixa de pH entre 4 e 6. Os terrenos para plantio devem ser planos a ondulados (declividade máxima em 5%) e altitude até 600m.

Formação de Mudas

A origem da planta e o processo de formação das mudas determinam o êxito da plantação comercial do dendezeiro. Na Bahia indica-se o uso de material reprodutivo da variedade Tenera para formação de mudas comerciais. A CEPLAC produz sementes pré - germinadas de Tenera. A formação de mudas passa pelas etapas de pré - viveiro e viveiro.

Pré - viveiro: ao receber as sementes pré - germinadas o produtor ou viveirista faz uma escolha separando aquelas que possuam caulículo e radícula com tamanho entre 10 e 15 milímetro para semeio imediato; as sementes restantes ficam por mais 4 a 8 dias na caixa de isopor que as trouxe para alcançarem tamanho de utilização. Em sacos de polietileno escuro de 10cm x 20cm x 5mm. (espessura), cheios com terriço de mata onde a semente pré - germinada é plantada; os sacos podem ser dispostos em canteiros com largura máxima de 1,2m. e com sombra inicial de 50% que vai sendo retirada à medida que a plantinha se desenvolve. Após 4 meses a muda deve apresentar 4 folhas lanceoladas estando apta para o viveiro.

Viveiro: é feito a céu aberto, localizado perto de fonte de água abundante, em terreno plano com ligeira inclinação (p/drenagem). Os sacos de polietileno devem ter dimensões 40cm x 40cm x 20mm, de espessura contendo 28 furos no terço inferior e com capacidade para receber 20-25 Kg de terriço; este deve ser retirado dos primeiros 10cm. de altura no solo, ser argilo-arenoso, rico em matéria orgânica, Passar o terriço através peneira (malha 2cm.) para eliminar torrões, madeira, pedra, outros; os sacos são enchidos - a terra comprimida por 3 ou 4 vezes no enchimento - e as mudas transplantadas com terriço. Os sacos são dispostos no viveiro em forma de triângulo equilátero com pistas de acesso de 5m. de largura. Se o tempo de viveiro for de 7-8 meses o espaçamento de viveiro deve ser 60cm. (entrelinhas) x 70cm. (entresacos) com população de 19 mil mudas/hectare; se o tempo for de 8 a 10 meses o espaçamento será de 50cm. com população de 14 mil mudas/ha e a duração for de 10 a 12 meses o espaçamento deverá ser de 85cm. x 100cm. com população de 10 mil mudas/ha. Após colocação do saco em posição definitiva e antes da repicagem verificar se a superfície do terriço está 2-3cm. abaixo da borda do saco.

Os tratos indispensáveis ao viveiro são irrigação, monda, adubação e controle de pragas.

Irrigação: o fornecimento de água deve ser elevado à medida que a muda cresce; para irrigação por aspersão da planta de até 2 meses de viveiro necessita de 250 ml./saco/dia (5mm.); entre 2 e 4 meses 300 ml./saco/dia; e de 4 a 6 meses 350 ml./saco/dia. A partir de 7 meses o viveiro exige mínimo de 8 mm/dia (80m3/ha/dia).

Monda: deve-se efetuar a eliminação de ervas daninhas (2 a 3 vezes/mês).

Adubação: deve-se preparar mistura contendo 3Kg de uréia, 4Kg de superfosfato triplo, 1 Kg de cloreto de potássio e 2 Kg de sulfato de magnésio e aplicar no saco segundo tabela 1, abaixo:


Tabela 1 - Quantidade de mistura / muda

A muda estará apta para o plantio definitivo com cerca de 60cm. de altura e 10 a 12 folhas definitivas. Necessita-se de 234 sementes pré-germinadas para formação de 143 mudas para plantio e mais 8-10 mudas para replantio.

Plantio

Escolha da área: deve ser plana preferencialmente, a ondulada (máximo 5% e aceitável até 8%) para facilitar as operações (preparo de área, tratos, colheita, transporte), Essa área deverá estar próxima à usina de beneficiamento.

Preparo da área: pode ser manual (broca, derruba, abertura de linhas e pontos de plantio); mecanizada (derruba, queima, enleiramento) ou mista (manual + mecanicanizado). Cada bloco ou talhão deve ficar separado do adjacente por uma faixa de 13,5m. de largura (para estradas para tratos culturais e transporte).

Cobertura vegetal: após o preparo da área recomenda-se o plantio de uma cobertura verde que se estabeleça rapidamente; indica-se o uso da leguminosa Pueraria phaseoloides (protege o solo, controla ervas daninhas e fixa ao solo nitrogênio atmosférico ). A semeadura é feita em toda a área utilizando-se 1 a 2 Kg de sementes por hectare, que tiverem a dormência quebrada por imersão em água quente (75ºC) de um dia para outro. Deve-se manter a leguminosa longe do dendezeiro fazendo-se 9 coroamentos da planta por ano.

Coveamento / espaçamento: piquetea-se a área adotando-se o espaçamento de 9m. x 9m., na forma de triângulo equilátero, que determina espaçamento de 7,8m. entre as linhas de plantio e população de 143 dendezeiros por hectare.

A cova, com dimensões de 40cm. x 40cm. pode ser feita manual ou mecanizada. Na abertura da cova separa-se a terra dos primeiros 15cm., que vai ser misturada a adubos e colocada no fundo da cova.

Plantio das mudas / consorciação: planta-se no início do período chuvoso; retira-se o saco plástico sem desmanchar o torrão e coloca-se a muda na cova com o coleto ao nível da superfície do solo. É necessário comprimir a terra em volta da muda e nivelar a área num raio de 1,5m. do pé do dendezeiro. O plantio do dendezeiro é feito em blocos ou talhões de 250 a 300m. de largura (28 a 33 plantas/linha) por 500 a 1.000m. de comprimento (63 a 127 plantas/linha de plantio).

A planta admite consorciação desde início do desenvolvimento até o início de produção - com culturas anuais e hortaliças (milho, feijão, macaçar, outras), desde que as linhas de cultura guardem distância da linha de plantio do dendezeiro sem estabelecer concorrência.

Tratos Culturais

Coroamento: Para evitar concorrência de ervas, afastar roedores e facilitar a colheita, capina-se em torno do dendezeiro ou pratica-se o "coroamento". Nos primeiros anos o raio do coroamento deve ser de 1,5m. em torno do dendezeiro o que pode ser aumentado para a colheita. Cinco coroamentos na época chuvosa e três no período menos chuvoso podem ser suficientes para proteger o dendezeiro.

Roçagem: A eliminação periódica da vegetação existente nas entrelinhas torna-se necessária nos primeiros anos pós plantio; isto facilita o estabelecimento, desenvolvimento da leguminosa e favorece as operações de manutenção do dendezal.

Adubação: Nos quatro primeiros anos pós plantio a adubação do dendezal é feita em função da fertilidade natural do solo e de experiências com plantios na região. Para desenvolvimento e produção do dendezeiro e segundo resultados da análise de solo pode-se recomendar os seguintes níveis de elementos para o dendezeiro, à saber:


Tabela 2 - Adubação do dendezeiro

(desenvolvimento e produção)


(1) - Repetir essas doses a partir do 3º ano

OBS.:
Fonte: Manual de Adubação e Calagem para o Estado da Bahia - 1989 CEPLAC / Embrapa / Nitrofertil / Epaba / Ematerba.
Doenças e Pragas do Dendezeiro


Roedores: mamíferos que danificam o pecíolo das folhas podendo atingir o meristema central causando morte da planta.

Bicudo ou Broca-do-olho-do-coqueiro: Rhyncophorus palmarum, Coleoptera - O adulto é besouro negro, com 46-50mm. de comprimento; a fêmea deposita seus ovos nos cortes das folhas e cachos. Esses ovos liberam lagartas esbranquiçadas sem patas, recurvadas que se alimentam do caule da planta abrindo galerias o que provoca secamento progressivo do dendezeiro. O bicudo é o principal transmissor do nematoide causador da doença anel vermelho.

O inseto é controlado com o auxilio de armadilhas feitas com pedaços de cana ou de tronco de palmeiras nativas (Bacaba (Oenocarpus bacaba)). Os pedaços são pulverizados com calda de Furadan 350 SL (120ml. para 20l. de água). As armadilhas devem ser renovadas semanalmente e queimadas após uso.

Broca-das-raízes: Sagalassa valida Walker 1856, Lepidoptera - Adulto é borboleta pequena, antenas cor escura; forma jovem é lagarta branco-creme que ataca o sistema radicular do dendezeiro destruindo-o totalmente.

O inseto é controlado através pulverizações no solo, num raio de 50cm. ao redor do tronco, com calda de Endosulfan (4g. do principio ativo por planta em 1 litro de água). Após 3 pulverizações anuais efetiva-se o controle.

Lagartas desfolhadoras:
  • Sibine fusca Stoll 1781: lagarta urticante, cor verde pálida a azul-clara, que vive em colônias de 10-60 indivíduos. Ataca, inicialmente, a parte inferior do folíolo e depois todo ele sobrando apenas a nervura central.
    O controle, com pulverizações com Carbaryl 85 M (Carvin, Sevin) com dose de 200g. do produto/100l. de água.
  • Brassolis sophorae Linnaeus 1758: lagarta com cor marrom-avermelhada e estrias longitudinais marrom-claras. Vivem em grupos, escondem-se durante o dia em ninhos formados por folíolos e teias.
    O controle é feito pela destruição dos ninhos e pulverização com Dipel ou similar com calda de 300g./litros de água.

estnia: Castnia daedalus, Lepidoptera - O adulto deposita ovos nas axilas da folhas; deles saem lagartas branco-creme que abrem galerias no pedúnculo do cacho (cabo), passam de cacho a cacho e vão ao tronco.

Pulveriza-se o pedúnculo dos cachos com agroquímicos à base de triclorfom 50 (200-240g. do produto comercial em 100l. água).

Anel vermelho: enfermidade produzida pelo nematoide Bursaphelenchus cocophilus (Nemata, Aphelenchida:. Aphelenchoides) - atacada a planta reduz o crescimento das folhas centrais que permanecem juntas formando coluna compacta e ereta; os folíolos podem mostrar-se enrugados, por vezes. As folhas em colunas começam a amarelecer e podem secar e apodrecer, as folhas intermediarias e baixas tornam-se amarelo-bronzeadas, há secamento foliar e morte da planta.

Plantas afetadas devem ser destruídas.

Controle deve ser aplicado ao Bicudo ou Broca-do-olho-do-coqueiro (principal vetor de transmissão do nematoide).

Fusariose: O agente causal é o fungo Fusaruim oxyspoorum f. sp elaedis; amarelecimento pálido (verde-limão) que progride das folhas mais velhas para as medianas como sintoma inicial. Com a evolução do amarelecimento provoca secamento rápido das folhas mais velhas que se quebram, folhas novas são atacadas e há a morte da planta. Não há tratamento curativo. Indica-se uso de variedades resistentes ou tolerantes.

Amarelecimento fatal: moléstia causa amarelecimento dos folíolos basais das folhas centrais (entre quarta e décima folha). Não há medidas de controle.

Machitez: doença causada pelo protozoário Phytomonas sp.; há coloração amarronzada nas extremidades do pecíolo das folhas mais velhas que progridem e causam secamento da folha.

Deve-se eliminar plantas doentes e queimá-las.

Colheita/Produção


A colheita é praticada ao longo do ano utilizando-se instrumentos variados (ferro de cova, foice) para coleta dos cachos (segundo idade e altura das plantas).

Quando frutos (não mais que dez) são encontrados soltos caídos ao pé da planta identifica-se o estágio ideal de maturação para fins de colheita. A maturação dos cachos ocorre ao longo de todo o ano o que exige que os intervalos de colheita sejam de 10 a 15 dias. O transporte dos cachos para o beneficiamento deve ser o mais rápido possível; das parcelas de plantio aos pontos à beira das estradas o transporte é feito por bois, burros, microtratores; da estrada para as usinas o transporte é feito em caminhões ou carretas basculantes.

Um plantio bem conduzido inicia produção comercial ao final do terceiro ano pós plantio com produção de 6 a 8 toneladas de cachos/hectare. No oitavo ano a produção alcança de 20 a 30 toneladas de cachos e até 35t./cachos/hectare. Até o décimo sexto ano esse nível de produção se mantém declinando, ligeiramente, até fim da vida útil produtiva do dendezeiro aos 25 anos. O rendimento do óleo de dendê é de 22% do peso dos cachos e rendimento do óleo de palmiste é de 3% do peso dos cachos.

Beneficiamento da Produção

Deve-se ser iniciado logo após a colheita. Consta das seguintes fases:

Esterilização/debulha do cacho: cacho é submetido ao vapor a água a 130ºC e 2kg./cm2 de pressão, por 60 minutos; isto evita desenvolvimento da acidez e facilita desprendimento do fruto; em seguida o cacho é levado ao debulhador para separar os frutos.

Digestão da polpa/prensagem: frutos vão ao digestor para liberar o óleo das células oleíferas e a massa que sai do digestor é prensada e o óleo de dendê é extraído. O que resta, sementes + fibras (torta) passa pelo pelo desfibrador para liberar a semente.

Descascação da semente / prensagem: Sementes são levadas ao polidor que retira restos de fibra, depois ao secador, por fim a descascadora centrífuga onde são quebradas. Separadas das cascas as amêndoas são trituradas e prensadas para liberar o óleo de palmiste e torta de palmiste. O óleo é então depurado e armazenado em tanques apropriados.

O óleo de dendê proveniente da prensagem - óleo bruto-passa por um clarificador (que elimina mucilagens e impurezas) e pelo depurador (que elimina grande parte da umidade). Ainda após passar por um secador é armazenado em tanques providos de aquecimento constante.

BIBLIOGRAFIA
Revista Globo Rural nº 153 (jul/98) e nº 143 (set/97) São Paulo/SP
SEAGRI / AIBA / BANCO NORDESTE/CREDICOOGRAP/IMIC - Revista Negócios Agrícolas, Ano II, nº IX, jan/99, Ano I nº I Dez/97. Salvador/BA
Guia Rural Plantar 1992 pg 100. São Paulo/ SP
EMBRAPA/SPI - Sain Parque Rural Série Vermelha Fruteiras - Dendê - 1995 Brasil - DF
MALAYSIAN PALM OIL PROMOTION COUNCH - Malaysian Palm Oil. São Paulo/SP
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA - CEPLAC - Folder " Alternativas para Diversificação Agronômica Região Sudeste Bahia". Bahia
FNP CONSULTORIA & COMÉRCIO - Revista Agrianual 99 pg 314 - Dendê. São Paulo /SP

Tucumã (Astrocaryum aculeatum)

Tucumã (Astrocaryum aculeatum G.F.W. Mayer) (Arecácea, palmeira) é uma palmeira que chega a medir até 20 m, geralmente solitária, de estipe com faixas de espinhos negros, folhas ascendentes, inflorescência ereta e frutos amarelos com tons avermelhados.

É nativa da Colômbia e de Trinidad ao Brasil, especialmente dos estados do Acre, Amazonas,Pará e Rondônia, sendo explorada ou cultivada por seu palmito e frutos comestíveis, pela sua madeira, usada para fazer brincos, pelo óleo das sementes, utilizada em cozinha, e também pelas folhas, das quais se extrai fibra de tucum, usualmente em redes e cordas que resistem à água salgada.

Outros nomes: acaiúra, acuiuru, coqueiro-tucumã, tucum, tucumã-açu, tucumã-arara, tucum-açu, tucumaí-da-terra-firme, tucumãí-uaçu, tucumã-piririca, tucumã-purupuru e tucum-do-mato.



Fonte:

Ver também:

A Produção de Biodiesel na Cadeia Produtiva e Sustentável do Tucumã do Amazonas(Astrocaryum aculeatum G.F.W. Mayer) (Arecácea, palmeira).

Fibra de tucumã-i como matéria-prima para o design têxtil: um estudo da viabilidade técnica

Palmáceas Oleíferas

A Embrapa Agroenergia participou neste mês, dia 11, do "5º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel, realizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). A Unidade coordenará o I Simpósio Brasileiro de Palmáceas Oleíferas para a Produção e Uso de Óleos e Biodiesel, que acontece durante o congresso, na própria Universidade, nos dias 10 e 11 de julho.

Segundo o chefe da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, o workshop vai possibilitar o levantamento do estado da arte de cinco palmáceas oleíferas, no que se refere à ocorrência natural, domesticação, potencial de produção de energia e outros usos. São elas: a Macaúba (Acrocomia aculeata (lacq ) Lood. ex Mart), a Palma/Dendê (Elaeis guineensis, Jacq.),o Tucumã (Astrocaryum aculeatum) G.F.W. Mayer), o Inajá (Maximiliana maripa) e Babaçu.

Durante a apresentação, Durães abordará pontos como desafios nacionais, energia de biomassa, diagnóstico do biodiesel e visão estratégica da utilização de palmáceas.

A idéia é apresentar, além do trabalho da Embrapa Agroenergia, no que diz respeito ao uso de palmáceas para biodiesel, o esforço corporativo de PD&I para o produto. Durante o evento, os participantes se dividirão em grupos para estabelecer os principais pontos para a pesquisa e, em seguida, os trabalhos serão apresentados.

As inscrições para o simpósio terão início às 8h, no local do evento. Além da Embrapa, participam também o Instituto Agronômico (IAC), Universidade Federal do Paraná (UFPR), organizações não governamentais, entre outros.

Fonte:

Ver ainda: Biodiesel e código florestal retomam questão de espécies exóticas

Biodiesel de dendê, uma alternativa ecológica

7 de Julho de 2008 - Entre as oleaginosas cultivadas, o dendenzeiro ou palma (Elaeis guineensis, Jacq.), é a planta que apresenta a maior produtividade por área cultivada. Produz, em média, 10 vezes mais óleo do que a soja. Em condições ecológicas excelentes, pode produzir até 8 toneladas de óleo por ha/ano. Na Amazônia, produções de 4 a 5,5 toneladas de óleo/ha/ano são normalmente obtidas tanto nas pesquisas da Embrapa quanto em plantações comerciais. Essas resultados são possíveis em quase toda a Amazônia, com regime de chuvas melhor distribuído e déficit hídrico de até 200 mm/ano.

O dendê é uma planta perene, uma palmeira de grande porte. Com as práticas culturais adotadas no seu cultivo, constitui-se em um sistema de produção agroindustrial, com aceitável estabilidade ecológica e baixos impactos negativos ao ambiente. Tem a vantagem de ser um sistema altamente produtivo e permanentemente valorizado, em substituição à agricultura itinerante e ao extrativismo predatório da floresta, dominantes na Amazônia e insustentáveis, além de baixa capacidade de geração de renda.

A planta produz três anos após o plantio e tem sua produção é distribuída ao longo do ano, por mais de 25 anos consecutivos. É excelente atividade para a geração de empregos permanentes, com excelente remuneração, ideal para projetos de colonização. A dendeicultura é uma das poucas opções viáveis para a Amazônia, contribui com o meio ambiente, sem limitações tecnológicas. A dendeicultura irrigada poderá ser uma grande opção sustentável para a geração de ocupação e renda para as regiões menos chuvosas da Amazônia (Sul do Pará, Rondônia, etc), pré-Amazônia (Mato Grosso, Maranhão, Tocantins) e até mesmo para o Nordeste e o cerrado brasileiros, com potencial de produção que pode chegar até 8 toneladas de óleo/hectare/ano.

O fruto de dendê produz dois tipos de óleos, extraído por processos físicos: pressão e calor, sem uso de solventes químicos. O óleo de palma ou dendê ocupa hoje o 1 lugar na produção mundial de óleos e ácidos graxos, ultrapassando a soja. Graças ao seu baixo custo de produção, boa qualidade e ampla utilização, o óleo de palma é aplicado como matéria-prima para diferentes segmentos nas indústrias alimentícias, de sabões e cosméticos, oleoquímicas e farmacêuticas. Atualmente, é mais usado na indústria alimentícia, responsável pela absorção de 80% da produção mundial.

O óleo de dendê está entre os mais qualificados para o biodiesel, por sua composição, alta produtividade, seu baixo custo, produção distribuída ao longo de todo o ano, oferta regular e crescente, além de destinar-se a áreas de distintas de produção, não competindo com outros cultivos alimentares. O biodiesel precisará contar com todas as vantagens do óleo de dendê para realizar todo o seu potencial social, econômico e ecológico na matriz energética brasileira e mundial.

Fonte: - Caderno C - Pág. 8

Edson Barcelos - Especialista em Dendê, Pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental e Atual Diretor Presidente do IDAM - Instituído de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas.

Domingo, 6 de Julho de 2008

TECA (Tectona grandis)


Tamanho: 20 a 35 m de altura e 0,95 m de diâmetro, na idade adulta.

Polinização: abelhas e diversos outros insetos.

Clima: próprio das regiões tropicais quentes, livres de geadas. No Brasil, a teca se desenvolve melhor nas regiões com temperaturas médias anuais acima de 24ºC.

Regime Pluviométrico: precipitações entre 1.200mm a 2.500 mm, com período seco ideal de 3 a 5 meses de duração.

Solo: deve ser profundo (mais que 1,5 m), bem drenado, arejado e razoavelmente fértil. Os solos de textura média são os mais indicados e solos ácidos não são adequados para seu cultivo.

Frutos: cilíndricos, de cor marrom, com quatro sementes. A primeira frutificação ocorre aos 5 ou 6 anos de idade. A coleta de frutos é feita manualmente no solo ou diretamente das árvores.

Germinação: variável (10 a 70%) devido à dormência e à maturação incompleta pós-colheita.A germinação das sementes é aumentada pelo armazenamento adequado, pelo período de um ano ou mais. A dormência ou demora na germinação pode ser de alguns dias até um ou vários anos. Para acelerar a germinação, os frutos são colocados sob água corrente durante 24 a 72horas e em seguida secos ao sol. Este procedimento deve ser repetido durante uma a duas semanas, com o objetivo de reduzir o período necessário para germinação de dez até 20 dias.

Produção de Mudas: deve-se adquirir sementes de boa qualidade, de fornecedor credenciado e idôneo. A implantação da cultura de teca pode ser realizada através de mudas de raiz nua,denominada muda-toco, que pode ser transplantada para recipientes individuais ou ser diretamente plantada no campo. A desvantagem é que sua produção demora de quatro a onze meses. Ultimamente, tem-se produzido mudas em saquinhos plásticos e tubetes.

Espaçamento: iguais ou maiores que 2,5m x 2,5m (1.600 plantas/ha ou menos), produzindo os melhores resultados e evitando a necessidade de desbastes freqüentes. Um espaçamento interessante é o 3 m x 2 m.

Tratos silviculturais

Poda: recomenda-se a poda para restringir o núcleo nodoso do tronco a um diâmetro de 10 a 12 cm, valorizando a madeira. As alturas de poda poderão ser diferentes, mas a retirada da copa viva não deve ultrapassar um terço do total, devendo-se relembrar que 70% do valor de uma árvore está em seu terço inferior, evidentemente quando não ocorrerem defeitos na madeira. Nesta porção do tronco é que se deve investir

Controle de ervas daninhas: é necessário rigoroso controle de ervas invasoras, pois a planta é sensível à competição por umidade.

Controle de formigas e outras pragas: formigas cortadeiras e formiga-limão são grandes inimigas da teca. Os danos observados vão desde cortes nas folhas a corte do ápice da árvore, causando brotação lateral das árvores, comprometendo a forma das mesmas. Também acontecem ataques esporádicos de lagartas tais como: a lagarta-de-cartucho (Spodoptera frugiperda J.E. Smith, 1797) e a Hyblaeapuera (Cramer, 1777) (Lepdoptera: Hyblaeidae), sendo esta uma praga de grande importância para a cultura da teca, já que é um desfoliador que causa danos severos em outras partes do mundo

Produtividade

A produtividade média situa-se entre 10 a 15m /ha/ano, totalizando de 250 a 350 m /ha ao longo de 25 anos num regime com 4 desbastes.Cerca de 50 a 60% da produção total é colhida no corte final, correspondendo a cerca de 150 e 230m3/ha.

Utilização

Madeira: a madeira adulta é praticamente imune a ataques de fungos e cupins.

A madeira da teca tem extraordinária beleza e excelente qualidade em todos os aspectos, e apresenta trabalhabilidade fácil.

A teca pode ser utilizada em carpintaria em geral, para tornearia e fabricação de chapas. É considerada como insuperável na construção naval, e extremamente adequada para todo o tipo de construções dentro e fora de água.

Fonte: EMBRAPA Florestas

Tectona grandis (Teca)

Teca é nova opção na indústria mundial

Mudas de Teca - Disponível aqui até 17/10/2008

Opções de Oleaginosas para o Biodiesel no Brasil

O programa nacional de biodiesel é hoje uma realidade em constante adaptação e estruturação, até porque não poderia ser diferente, haja vista a sua tão recente criação e implementação feita em tempo “record”, mérito dos empresários brasileiros, que entenderam e atenderam a convocação do governo para gerar mecanismos de combate aos efeitos negativos nas questões ambientais do uso de combustíveis fósseis e a necessidade urgente da produção de um substituto ambientalmente viável. Aliado a isso, a disponibilidade de alternativas de matérias-primas para o processamentoexplicariam os triunfos do projeto do biodiesel. Este contexto promissor tornou o biodiesel uma ótima opção para agregar valor a produtos tradicionais, como a soja.

Apesar do incentivo do governo para a produção de biodiesel usando mamona e dendê como uma forma de inclusão social, e da disponibilidade de diversas matérias-primas para o processamento, temos visto que a principal oleaginosa usada, hoje, para produção de biodiesel é a soja. A razão disso é muito simples de se entender: Apesar de o grão de soja conter apenas 18% de óleo, exigindo mais área que outras oleaginosas, por exemplo, enquanto a soja produz 600kg de óleo por hectare, o dendê produz 6.000kg, o que exige apenas 10% da área para produzir a mesma quantidade de óleo, o agronegócio da soja é o mais bem estruturado para atender esta grande demanda gerada em tempo tão curto, pois é a cultura com maior organização da cadeia produtiva, com sistema de produção dominado, mercado estabelecido e diversificado, grande capacidade de resposta e muito adequado às condições de clima e solo, conta com uma produção expressiva e com preços competitivos muito bons em relação às outras opções. Portanto, nos próximos anos, dificilmente a soja será superada como fornecedora de matéria-prima do biodiesel.

Com relação à pesquisa da soja como fonte de biodiesel um dos principais aspectos positivo, apontam os pesquisadores, é que o grão tem alta capacidade de resposta a induções de mercado, no curto prazo. Se o mercado exigir a semeadura de mais um milhão de hectares a cada ano, durante os próximos 15 anos, o setor responderá tranqüilamente, sem sobressaltos. Outro ponto positivo, é que na técnica da produção de biodiesel a partir da soja já é possível fazer sem a utilização do hexano, um elemento altamente poluidor e utilizado tradicionalmente para extrair triglicérides de óleos vegetais a partir da matéria-prima bruta, antes da fabricação do biodiesel. No caso da soja, o ciclo de extração é fechado, ou seja, o hexano extrai o óleo da soja, depois o óleo é separado do hexano, que é utilizado novamente para extrair óleo da soja. O hexano nunca é perdido no processo.

No que se refere à geração de empregos, observa-se que a opção pelo biodiesel de soja não é a mais apropriada, sobretudo quando comparada com a produção de biodiesel de outras oleaginosas, como é o caso da mamona. Uma usina moderna de beneficiamento de soja, com capacidade de esmagamento de 2,5 t/dia, pode empregar 40 pessoas e o acréscimo, de 2.500.000 t/ano geraria em torno de 11.000 empregos; enquanto a produção de biodiesel de mamona tem como meta prevista pelo Governo Federal para 2010 assentar 153 mil famílias e gerara 1.350.000 empregos em toda a cadeia produtiva do biodiesel. Esta meta é resultado de uma projeção da capacidade de produção de 1.500.000 t/ano de biodiesel de mamona que permitirá uma mistura de até 5% ao diesel. Dessa forma, tomando-se como referência a mamona, o biodiesel de soja não tem sustentabilidade social.

Baseado nestes dados, podemos realizar algumas reflexões sobre a sustentabilidade da produção de biodiesel a partir da soja que podem ser inferidas, desde que adotadas as premissas básicas de não aumento da área plantada e da manutenção do óleo de soja como subproduto do agronegócio da soja.

Quais sejam:

  1. a sustentabilidade econômica estará assegurada porquanto a utilização da soja possa diminuir a capacidade ociosa do complexo das instalações de esmagamento, com a perspectiva de flexibilidade para expansão e a promoção da descentralização destas instalações de forma a favorecem a produção regional do biodiesel sem grandes impactos no preço final do biocombustível;
  2. o biodiesel de soja tem sustentabilidade estratégica duvidosa e politicamente incerta na medida que é mantida a tendência do esmagamento ficar em poder de grandes grupos econômicos, com forte influência de capital estrangeiro, associado ao seu natural vínculo com as leis do mercado financeiro, além de não gerar um número significativo de empregos, o que a torna socialmente excludente, como o foi o PROALCOOL; e,
  3. as discussões sobre a questão ambiental da produção de soja no Brasil não sofrera grande modificação, pois pressupondo a manutenção da área da sojicultura o balanço de carbono permanecerá inalterado, a novidade ficará por conta dos benefícios resultantes da redução de emissões de GEE, inerentes à queima de um combustível vegetal, dependentes das proporções de mistura do biodiesel ao diesel.
Vejamos a situação das outras matérias-primas que poderiam concorrer com a soja:
  • Óleo de Algodão. Considerado como subproduto pela indústria têxtil, tem como seu principal uso destinado à indústria alimentícia, ainda tem o seu uso voltado para o biodiesel restrito a algumas poucas usinas. Uma maior utilização desse óleo esta limitada a capacidade de sua absorção pela indústria têxtil.
  • Óleo de Canola (Azeite de Colza). Além de cara, a produção no Brasil é muito pequena. O que o país produz é destinado à alimentação humana.
  • Óleo de cozinha usado. Apesar de seu aproveitamento para a produção de biodiesel ainda ser pequeno existe uma tendência de crescimento devido os baixos custos de aquisição do produto e do apelo ecológico da sua retirada dos sistemas de esgoto.
  • Óleo de Dendê. Possui um grande potencial de utilização para a produção de biodiesel além de ter uma produção elevada por hectares e produzir um óleo de excelente qualidade, possui, ainda, um elevado potencial de ocupação de áreas desmatadas da Amazônia.Apesar do seu óleo ser caro e muito usado em produtos alimentícios, deverá ter uma importante expressão na produção de biodiesel. Para exemplificar o potencial do Dendê para o biodiesel, podemos usar os dados de pesquisas que mostram que o uso de apenas 5 dos 28 milhões de hectares com alta aptidão para a produção de palma disponíveis para o seu plantio e supondo uma produtividade média de apenas 4 ton/ha/ano, muito abaixo das 8 ton/ha/ano possíveis por essa cultura, poderia tornar o Brasil auto-suficiente em óleo Diesel, com a geração de milhões de empregos diretos e indiretos.
  • Óleo de girassol. Como o girassol no Brasil é plantado em épocas distintas da época de semeadura das principais culturas de alimentos, existe uma grande perspectiva de aumento não só da produção como da área de plantio. Ainda existe um grande espaço para a produção de óleo/torta de girassol, usados na alimentação humana e animal, e para a produção de biodiesel.