quinta-feira, 26 de março de 2009

Pesquisas com pinhão manso avançam na Embrapa


A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, coordena atualmente um programa de pesquisa com ações em todas as áreas da cadeia produtiva, envolvendo melhoramento genético, biologia avançada, desenvolvimento de sistema de produção, colheita e pós-colheita que visa a qualidade do óleo, destoxificação da torta e estudos sócio-econômico-ambientais.

Participam do programa diversas unidades da Embrapa, presentes nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e Norte, e parceiros do setor público e privado que dão suporte ao desenvolvimento das ações locais de pesquisa.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia e coordenador do programa, Bruno Laviola, considerando que o pinhão manso é uma cultura perene, estima-se que serão necessários entre 2 a 5 anos para que se tenham as primeiras cultivares melhoradas e informações científicas embasadas sobre o sistema de produção nas diversas regiões do Brasil. A Embrapa Agroenergia, em parceria com a Embrapa Cerrados, está trabalhando na caracterização e enriquecimento de uma coleção pinhão manso, com acessos de origem de diversas regiões do Brasil e exterior. Também, desenvolve ações para dar suporte técnico-científico à caracterização botânica e molecular de espécies e cultivares, visando subsidiar o registro de cultivares e encurtar caminhos para a obtenção de uma genética melhorada. A coleção de germoplasma caracterizada servirá de base para implantação de um programa de melhoramento genético do pinhão-manso visando à obtenção de cultivares com maior produtividade e qualidade de óleo, tolerantes a estresses bióticos e abióticos e com outras características de interesse agronômico.

Para o pinhão manso se tornar viável com a produção de óleo combustível, alguns desafios já foram lançados. De acordo com Laviola, existem diversos aspectos que podem dificultar da cultura na cadeia produtiv. “Há grandes desafios. Não existe cultivares, sendo que a diversidade ainda desconhecida. Há carência de informação e domínio tecnológico desta cultura. A colheita ainda é desuniforme, o que onera o custo de produção”, ressalta o pesquisador. Além disso, o pinhão manso é susceptível a pragas e doenças e a torta obtida após extração do óleo é tóxica, o que impede a agregação a este co-produto pela sua utilização na ração animal.

No Brasil já existem alguns plantios distribuídos principalmente nas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste. Os plantios comerciais de pinhão manso ainda estão em fase inicial de implantação, com idade menor ou igual a três anos. Embora o pinhão manso esteja sendo amplamente adotado por produtores é importante ressaltar que a espécie ainda não possui domínio tecnológico que garanta rentabilidade no seu cultivo. Laviola destaca que o pinhão manso se tornou uma matéria prima atrativa para produção de biodiesel por apresentar um elevado potencial de rendimento de grãos e óleo: a produtividade do pinhão manso pode ser de três a quatro vezes superior a da soja, que está em torno de 500 litros/ha. Além disso, o pinhão manso é uma espécie não alimentar, ou seja, não concorre diretamente com a agricultura de alimentos. A espécie possui, também, características compatíveis com o perfil da agricultura familiar: é uma espécie perene, não necessita de renovação anual do cultivo, dependente de mão-de-obra e os espaçamentos adotados permitem, nos primeiros anos de cultivo, o consórcio com outras culturas, podendo se produzir em uma mesma área energia e alimento. Estas características somadas a outras fazem com que o pinhão manso se torne uma oleaginosa com potencial para atender ao Programa Nacional de Produção de Biodiesel. | www.cnpae.embrapa.br

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Um comentário:

Danyy disse...

Olá
O que fazer com os restos de Pinhão Manso depois de tirar o óleo dele?