terça-feira, 31 de março de 2009

No Brasil, a Mamona atrai produtor, mas não vira biodiesel

Produtores de regiões áridas do país investem na resistente oleaginosa e a vendem para a indústria ricinoquímica, que paga preços mais altos do que a indústria de biodiesel

Por Verena Glass

Semi-árido baiano - A Bahia é historicamente o maior Estado produtor de mamona do país. A cultura, que é uma tradicional alternativa para lugares de pouca chuva, chegou a ocupar 340 mil hectares do território baiano na safra 1984/85, época em que o Brasil ainda dominava o mercado internacional de óleo de rícino, principal destino do produto. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha o plantio desde 1977.

Apesar de o país ter perdido a liderança do mercado de óleo para a Índia e a China na década de 1990, quando houve uma diminuição significativa da área plantada de mamona na Bahia, a oleaginosa passou a compor a cultura produtiva do sertanejo baiano assim como o milho e o feijão, formando a "tríade de sustentação" da agricultura familiar do semi-árido da Bahia.

Isto se deu, de forma geral, em função de alguns fatores: a relativa resistência à seca, o conhecimento empírico do cultivo, a produção das próprias sementes, a facilidade de armazenamento, a boa produtividade e um mercado sempre demandante. Tudo isso transformou a mamona, plantada em sistema de consórcio com as culturas alimentares, em uma espécie de fonte fixa de renda, disponível ao longo do ano e mesmo em períodos em que a estiagem maltratava as culturas alimentares.

Dados de acompanhamento de plantio divulgados em março deste ano pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) sustentam essa boa fama da mamona. Tomando-se como base as safras de feijão, milho e mamona de 2007/08 na região de Irecê, maior produtora do Estado, por exemplo, foram perdidos, em função da seca neste período, 56,8 mil hectares de feijão e 69,8 mil de milho, contra perdas de apenas mil hectares de mamona.

Já a relação de preços das três culturas favoreceu, em termos de maior valor, o feijão, cuja saca de 60 kg foi vendida, em média, a R$ 150. A saca de milho atingiu um preço médio de R$ 25, e a de mamona, R$ 73. Se compararmos as 2.017 toneladas de feijão colhidas na região com as 55.770 toneladas de mamona, no entanto, houve um rendimento de R$ 5,04 milhões para a primeira cultura e de R$ 66,9 milhões, para a segunda - um diferencial significativo para o orçamento dos agricultores.

Na safra deste ano (2008/09), ainda mais castigada pela estiagem, dados da EBDA apontam que, dos 45,4 mil hectares de feijão plantados na região de Irecê, 23,8 tinham sido perdidos até meados de fevereiro. As perdas do milho no mesmo período atingiram 25,5 mil dos 154,9 mil hectares plantados, e apenas a mamona resistiu.

Entretanto, apesar do bom desempenho agrícola e econômico da mamona, os agrônomos da EBDA Valfredo Vilela e Ariosvaldo Morais avaliam que a oleaginosa não tem suplantado ou substituído as culturas alimentares em termos de área plantada. Hoje, como na década de 1970, o sertanejo vê a mamona como um complemento da economia familiar - baseada no milho e no feijão -, mesmo porque a alta do preço é um fenômeno mais recente, desencadeado pela entrada da indústria do biodiesel num mercado dominado pela ricinoquímica até 2005.

Opção do biodiesel não alterou rotina
A longa convivência do sertanejo baiano com a mamona criou uma cultura muito própria de comercialização, que pouco se preocupa com o destino final do produto. Quando há uma organização maior dos agricultores, algumas cooperativas negociam diretamente com a indústria, mas no geral o destino da produção que sai da propriedade são os galpões dos atravessadores.

Em pequenos municípios como Itaitê (localizado na macrorregião produtora de Itaberaba) ou Cafarnaum (região de Irecê), o atravessador é quase uma entidade bancária, que recebe qualquer quantia de mamona e paga na hora, ou até adiantado. Mamona pode virar moeda de troca - três quilos de mamona por um quilo de arroz -, o dinheirinho da feira, ou a primeira mesadinha das crianças, que juntam restos e vendem no comércio por dois reais, explica o agrônomo da EBDA Valfredo Vilela.

Na opinião de muitos pequenos produtores do semi-árido baiano, a entrada da Petrobras no mercado de mamona do Estado, após a inauguração de uma usina de biodiesel no município de Candeias em 2008, resultou, até agora, numa oscilação favorável de preços - a saca de 60 kg atingiu um pico de R$ 86,00 no ano passado. Mas não foi suficiente para alterar a cadeia produtiva da cultura em termos de área plantada ou mesmo quanto às formas de comercialização.

A entrada da Petrobras no mercado de biodiesel está em linha com o plano estratégico 2009/2013 da empresa, divulgado em janeiro deste ano. Dos US$ 174,4 bilhões de investimentos previstos para o período, US$ 2,8 bilhões serão aplicados em agrocombustíveis. Uma das metas da empresa é atingir em 2013 a produção de 640 milhões de litros de biodiesel no país.

Apesar da atuação no mercado, a mamona não será transformada em biodiesel tão cedo. Com valor muito maior no mercado da indústria ricinoquímica, a parcela da oleaginosa adquirida pelas empresas de biodiesel também acaba destinada a ele, mesmo porque, no caso da Petrobras, as três usinas da empresa -Candeias, BA, Montes Claros, MG e Quixadá, CE - não tem equipamentos de esmagamento, operando apenas com óleo de soja comprado no mercado.

Apesar disso, a Petrobras planeja reforçar sua posição na Bahia. De acordo com o coordenador da Diretoria de Desenvolvimento Agrícola, Suprimento e Comercialização da Petrobras Biocombustível S/A, David Leal, a companhia tem a intenção de implantar um projeto amplo de parcerias com cooperativas, organizações sindicais e movimentos sociais para a promoção da mamona na agricultura familiar, tendo em vista principalmente o atendimento das exigências do Selo Combustível Social de aquisição de matéria-prima do setor para a usina de Candeias.

Segundo Leal, a empresa, que precisa comprovar a inclusão da agricultura familiar em até 30% do total de negócios da Petrobras para honrar as exigências do Selo, iniciou em 2007 um trabalho de divulgação de seu projeto de parceria que, a partir de 2009, inclui distribuição de sementes, assistência técnica, manejo de solo (principalmente descompactação das terras em áreas de menor produtividade) e contratos de compra e venda que garantem o preço de mercado ou um preço mínimo (calculado sobre a média dos preços dos últimos 36 meses) mais 10%, caso o mercado esteja pagando abaixo desse valor. Todos os contratos teriam vigência de cinco anos.

Movimentos sociais de olho na mamona
Com auxilio de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento de Luta pela Terra (MLT), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia (FETAG) e de cooperativas independentes, a Petrobras cadastrou, até final de fevereiro, 31,2 mil agricultores, afirmou Leal. Mas nem todos fecharam contrato com a empresa.

Na região de Itaitê, onde há nove assentamentos e um acampamento, o MST pretende estreitar as relações com a Petrobras através da Cooperativa Regional de Reforma Agrária da Chapada Diamantina (Coopracd, que tem um projeto de cultivo de mamona com a empresa através do programa Petrobras Fome Zero desde 2003). Mas, até o momento, os novos contratos ainda não foram formalizados em função da necessidade de ajustes, como os valores disponibilizados à assistência técnica e as formas de pagamento.

No assentamento do Baixão, um dos mais organizados da região e que comporta hoje 140 famílias, a mamona sempre foi um cultivo importante, apesar de complementar às culturas alimentares. Segundo o presidente da Coopracd, Edivando dos Santos, que também preside a Associação dos Assentados do Baixão e coordena o setor de produção do MST na região, apesar do projeto da Petrobras Fome Zero (que incluiu a construção de três galpões, a aquisição de vários veículos, um escritório em Itaitê e assistência técnica), a cooperativa acabou vendendo em 2008 a maior parte de sua produção para a indústria de óleo de mamona Bom Brasil, sediada em Salvador. Essa companhia pagava preços mais altos (até R$ 80 a saca de 60 kg) do que os oferecidos pela Petrobras (R$ 55, em média).

"A Bom Brasil também pagava na hora, enquanto a Petrobrás demorava até 30 dias para efetuar os pagamentos. Como é a cooperativa que compra a mamona dos produtores e repassa à indústria, se não tivermos dinheiro em caixa para remunerar os agricultores, a coisa fica muito complicada", explicou Edivando. Segundo ele, houve pequenas vendas para a Petrobras para garantir a diversificação do mercado, mas em 2009 a política de comercialização continuará baseada nas melhores condições de oferta.

Já em Cafarnaum, município que é um dos maiores produtores de mamona do país e com cerca de 17,5 mil habitantes, a maioria na zona rural, a Petrobras ou outras indústrias de biodiesel, como a Brasil Ecodiesel, ainda não entraram no mercado, afirma o agricultor Iranildo Alves dos Santos.

Considerado um "grande" produtor - em seus 380 hectares, 70% da produção agrícola são de mamona não consorciada com milho e feijão, culturas que ocupam o restante da área -, Santos tem investido em melhoramentos de sementes e manejo, e comemora a alta dos preços impulsionados pelo biodiesel, mas de resto não vê diferença no mercado com a chegada das indústrias de agroenergia na Bahia.

"A Petrobras esteve aqui no ano passado, mas fez apenas uma explanação do projeto do biodiesel. Até o momento não me interessei, porque aqui temos grande desconfiança depois dos fracassos dos contratos com a Brasil Ecodiesel no passado, que não renderam nada a quem fez", explicou Santos.

Já o agricultor Firmino Rosa de Souza, que tem 43 hectares divididos com seu filho Joselito, não sabe o que é biodiesel nem quem são os compradores finais de uma pequena produção que é vendida aos atravessadores. Com a estiagem deste ano, a família de Joselito perdeu praticamente toda a produção de milho e feijão, e a mamona passou a ser um tipo de "seguro de vida", explica o agricultor. "Aqui, quando tudo acaba, a nossa sobrevivência depende da mamona, que ainda se segura. Sobre o biodiesel, fico só parado escutando. Não me preocupo para onde vai a minha mamona, na roça eu só penso mesmo em trabalhar".

Clique aqui e leia o último relatório sobre mamona produzido pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da Repórter Brasil.

Fonte:

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pesquisa mostra que palmeira inajá serve para biocombustível

A palmeira Inajá (Maximiliana maripa) pode ser uma das opções de oleaginosas para a produção de biodiesel no estado de Roraima, onde a planta se desenvolve em grandes áreas.

A constatação faz parte da tese de doutorado do pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Roraima), dentro do Programa de Biocombustíveis com a orientação da pesquisadora Ires Paula de Andrade Miranda do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT)

Os resultados mostraram que a palmeira passa a ocupar posição privilegiada na lista das oleaginosas promissoras, tornando-se estratégica dentro do Programa Nacional de Produção e usos de Biocombustíveis. Além disso, preenche quesitos relativos ao desenvolvimento regional, inclusão social e preservação ambiental.

O estudo mostrou ainda que o inajá, por meio de seus resíduos das sementes e frutos, também aponta grandes possibilidades de inserção na dieta de aves e suínos em mistura nas rações tradicionais desses animais.

Duarte enfatiza que o manejo desta palmeira em pastagens e roçados se torna uma alternativa interessante, pois devido a alta regeneração que ocorre nestes ambientes abertos, adaptação em solos pobres quimicamente, ausência de espinhos e a alta produtividade em óleos permite um manejo barato e fácil, gerando renda aos pequenos produtores rurais.

Segundo o pesquisador o inajá tem potencial para produzir mais de 3500 litros de óleo por hectare, baseado apenas na seleção de plantas promissoras existentes na região.

De acordo com Ires Miranda, responsável pelo Laboratório de Estudos em Palmeiras da Amazônia (LabPalm) do Inpa, o grupo desenvolve pesquisas de identificação, mapeamento com coordenadas geográficas e estudos ecológicos de palmeiras, considerando Roraima possuidor de grande incidência de inajá a qual tornou-se, segundo o grupo, a palmeira indicada para o aproveitamento racional, oferecendo possibilidades para a fixação do homem no campo e com isso evitando o êxodo e o aumento do desmatamento na Amazônia.

Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

quinta-feira, 26 de março de 2009

Óleo de dendê do Pará vira biodiesel na Europa

BELÉM - Representantes do governo do Estado reuniram sexta-feira com a empresa europeia ACM Bio-Tech, com o objetivo de protocolar intenções para construção de usinas de beneficiamento de dendê no Pará, nos municípios de Moju, Igarapé-Mirim e Mocajuba.

A produção e o beneficiamento de dendê serão realizados por meio de um acordo entre a companhia europeia e pequenos produtores paraenses, intermediado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e com o apoio estruturante do governo do Estado.

Os pequenos produtores cultivam em suas terras mudas de árvores compradas pela companhia europeia, que também cederá máquinas e equipamentos de cultivo. Em contrapartida, a produção dos agricultores deve estar comprometida com a ACM Bio-Tech.

A preços anteriormente concordados com as cooperativas dos pequenos agricultores, o pagamento será efetuado pelo Pronaf de forma adiantada, por meio de acordo feito entra a ACM e o MDA.

Em fase de instalação em Belém, a ACM já acordou com 450 famílias dos municípios de Moju, Igarapé-Miri e Mocajuba para a plantação de 3 milhões de mudas em uma área de 15 mil hectares. Em dois anos, na mesma área, devem ser plantados mais 6 milhões de mudas de dendê, algumas importadas do Equador.

Até o fim do ano, a empresa espera ter uma usina de beneficiamento capaz de produzir 500 toneladas de óleo por dia em cada município.

"O objetivo é exportar 20 mil toneladas de óleo bruto por mês, em um espaço de tempo de pelo menos 18 anos", explica Carmelo Màngiola, representante da ACM Bio-Tech no Pará.

O valor total do investimento, do qual participam bancos suíços e italianos, é avaliado em cerca de 45 milhões de dólares.

Os pequenos agricultores interessados em participar do projeto podem entrar em contato por meio do e-mail acmbiotech@gmail.com.

Ver ainda: ENTREVISTA-Brasil deve ver expansão de óleo de palma em breve

Fonte:

Sabesp anuncia início de coleta de óleo de fritura em Registro

Segundo superintendente Irineu Yamashiro, um litro de óleo é suficiente para poluir 25 mil de litros de água

O Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura (Prol) já é realidade em Registro. Seu lançamento foi anunciado última sexta-feira, 20 de março, durante a abertura da 6ª Semana da Água do Vale do Ribeira, pelo superintendente regional da Sabesp, Irineu Yamashiro.

“Trata-se de um programa relativamente simples, mas de expressivo impacto positivo, pois com ele conseguiremos evitar que muitos litros do óleo usado em cozinha contaminem rios, mar, solo e lençol freático”, explicou Yamashiro. Segundo ele, um único litro de óleo é suficiente para poluir 25 mil de litros de água.

A implantação do Prol em Registro é uma iniciativa da Sabesp, em parceria com a Prefeitura, a Associação Comercial (Aciar) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Cidadania do Vale do Ribeira (Idesc).

De acordo com a Assessoria de Meio Ambiente da Sabesp, o óleo de fritura polui os rios por conter carga orgânica elevada que, em sua digestão, requer oxigênio dissolvido, essencial à respiração dos peixes e outras formas de vida. O óleo também contribui para formar uma camada na superfície, que prejudica a oxigenação das águas.

Estima-se que 4 bilhões de litros de óleo de fritura sejam produzidos ao ano no Brasil, 2 bilhões dos quais são descartados após o uso. Do total descartado, estima-se que somente 5% sejam reciclados.

“Com o desafio de reduzir e até eliminar a poluição, o programa de reciclagem de óleo de fritura baseia-se em informação, conscientização e na implantação de um sistema de coleta do óleo usado”, explicou Irineu Yamashiro.

Segundo ele, 30 mil folhetos informativos impressos pela Sabesp estão sendo distribuídos de casa em casa, junto com a conta mensal de serviços de água e esgoto, e três pontos de coleta instalados em Registro estão aptos a receber o óleo usado. São eles: a sede do Cidadão Catador, na Rua Chile, nº 48, Vila Ribeirópolis (Pedreira); a agência de atendimento da Sabesp, à Avenida Prefeito Jonas Banks Leite, 400, centro; e o Departamento Municipal do Bem Estar Social, à Rua São Francisco Xavier, 165, centro.

Além disso, integrantes do projeto “Cidadão Catador”, que já recolhem papelão, alumínio e plástico na cidade, começaram a coletar também o óleo usado de cozinha.

De acordo com o superintendente da Sabesp, todo o óleo coletado no município será encaminhado para reaproveitamento na produção de biodiesel. “Além de reduzir a contaminação do ambiente, o programa ainda contribuirá para gerar renda aos catadores”, concluiu Irineu Yamashiro.

Fonte: Diário de Iguape

Pesquisas com pinhão manso avançam na Embrapa


A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, coordena atualmente um programa de pesquisa com ações em todas as áreas da cadeia produtiva, envolvendo melhoramento genético, biologia avançada, desenvolvimento de sistema de produção, colheita e pós-colheita que visa a qualidade do óleo, destoxificação da torta e estudos sócio-econômico-ambientais.

Participam do programa diversas unidades da Embrapa, presentes nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e Norte, e parceiros do setor público e privado que dão suporte ao desenvolvimento das ações locais de pesquisa.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia e coordenador do programa, Bruno Laviola, considerando que o pinhão manso é uma cultura perene, estima-se que serão necessários entre 2 a 5 anos para que se tenham as primeiras cultivares melhoradas e informações científicas embasadas sobre o sistema de produção nas diversas regiões do Brasil. A Embrapa Agroenergia, em parceria com a Embrapa Cerrados, está trabalhando na caracterização e enriquecimento de uma coleção pinhão manso, com acessos de origem de diversas regiões do Brasil e exterior. Também, desenvolve ações para dar suporte técnico-científico à caracterização botânica e molecular de espécies e cultivares, visando subsidiar o registro de cultivares e encurtar caminhos para a obtenção de uma genética melhorada. A coleção de germoplasma caracterizada servirá de base para implantação de um programa de melhoramento genético do pinhão-manso visando à obtenção de cultivares com maior produtividade e qualidade de óleo, tolerantes a estresses bióticos e abióticos e com outras características de interesse agronômico.

Para o pinhão manso se tornar viável com a produção de óleo combustível, alguns desafios já foram lançados. De acordo com Laviola, existem diversos aspectos que podem dificultar da cultura na cadeia produtiv. “Há grandes desafios. Não existe cultivares, sendo que a diversidade ainda desconhecida. Há carência de informação e domínio tecnológico desta cultura. A colheita ainda é desuniforme, o que onera o custo de produção”, ressalta o pesquisador. Além disso, o pinhão manso é susceptível a pragas e doenças e a torta obtida após extração do óleo é tóxica, o que impede a agregação a este co-produto pela sua utilização na ração animal.

No Brasil já existem alguns plantios distribuídos principalmente nas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste. Os plantios comerciais de pinhão manso ainda estão em fase inicial de implantação, com idade menor ou igual a três anos. Embora o pinhão manso esteja sendo amplamente adotado por produtores é importante ressaltar que a espécie ainda não possui domínio tecnológico que garanta rentabilidade no seu cultivo. Laviola destaca que o pinhão manso se tornou uma matéria prima atrativa para produção de biodiesel por apresentar um elevado potencial de rendimento de grãos e óleo: a produtividade do pinhão manso pode ser de três a quatro vezes superior a da soja, que está em torno de 500 litros/ha. Além disso, o pinhão manso é uma espécie não alimentar, ou seja, não concorre diretamente com a agricultura de alimentos. A espécie possui, também, características compatíveis com o perfil da agricultura familiar: é uma espécie perene, não necessita de renovação anual do cultivo, dependente de mão-de-obra e os espaçamentos adotados permitem, nos primeiros anos de cultivo, o consórcio com outras culturas, podendo se produzir em uma mesma área energia e alimento. Estas características somadas a outras fazem com que o pinhão manso se torne uma oleaginosa com potencial para atender ao Programa Nacional de Produção de Biodiesel. | www.cnpae.embrapa.br

Fonte:

O bagaço de cana como alternativa energética

25/03/09 - Tornou-se preocupação mundial a busca por fontes seguras, limpas e renováveis de energia elétrica, de forma a se reduzir efetivamente a emissão na atmosfera de gases que contribuem para o chamado efeito estufa. No Brasil, mesmo com o descompasso existente entre o crescimento econômico e o fornecimento de eletricidade necessário ao desenvolvimento, vivemos uma situação privilegiada para enfrentar este desafio.

Os projetos de geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana-de-açúcar representam um diferencial para o desenvolvimento sustentável no País. Segundo avaliação do Instituto Brasil Acende, os canaviais brasileiros existentes poderiam gerar energia equivalente a cerca de 14.000 MW. É uma capacidade semelhante à da usina hidrelétrica de Itaipu à disposição dos agentes privados, esperando para ser desenvolvida.

Ainda tímida diante do potencial, a cogeração seguramente vai crescer exponencialmente e se consolidar como fonte importante de energia. Atualmente, a participação da bioeletricidade na matriz energética brasileira é de 3%, o que equivale a aproximadamente 1.400 MW médios. Em 2020, serão 14.400 MW. Segundo dados da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), o setor sucroalcooleiro deverá investir R$ 45 bilhões até 2015 em projetos de cogeração.

Quanto maior o incentivo à produção de etanol e açúcar, maior o potencial de energia elétrica gerada a partir da queima do bagaço. Somente entre 2005 e 2007, a energia elétrica gerada a partir da biomassa no Brasil cresceu aproximadamente 20%.

A safra de cana-de-açúcar passou de 318 milhões de toneladas para 514 milhões de toneladas, devendo chegar à impressionante marca de 730 milhões em 2010, segundo estimativas recentes. A cogeração pode ser um dos grandes pilares do setor elétrico brasileiro. Sendo assim, o desenvolvimento da cogeração no País terá o efeito benéfico de alavancar a indústria brasileira de equipamentos. As usinas de cogeração usam tecnologia 100% nacional. Desde as caldeiras, turbinas, o projeto de engenharia utilizado, o insumo (cana-de-açúcar), todos os componentes são brasileiros.

Condição que já transformou o Brasil no maior especialista de geração de energia elétrica por meio da biomassa. Equipar usinas de açúcar e álcool para gerar energia a partir da queima do bagaço de cana no futuro será um fator preponderante de geração de empregos e renda, aumentando a ocupação da capacidade industrial brasileira.

A cogeração também cria uma oportunidade para a venda de créditos de carbono. O conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) que avaliza mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) aprovou mais de 140 projetos brasileiros de geração de energia, aproximadamente a metade deles de cogeração.

Além disso, há uma complementaridade única entre a energia elétrica gerada a partir de hidrelétricas e a partir do bagaço de cana. O regime de chuvas nas regiões Sul e Sudeste concentra a maior frequência de precipitações de novembro a abril. Nos demais meses, os reservatórios das hidrelétricas ficam reduzidos e diminuem a produção de eletricidade, algumas vezes a níveis preocupantes, obrigando o acionamento de usinas termelétricas movidas a gás natural.

Na cultura de cana-de-açúcar, por sua vez, a safra se desenvolve predominantemente entre abril e novembro, ou seja, teríamos uma carga adicional de energia gerada a partir do bagaço justamente quando o regime de chuvas nos principais centros consumidores é menor.

Gargalos existentes à geração de eletricidade aos poucos vão sendo solucionados. O custo de conexão das usinas de biomassa ao sistema elétrico nacional, alto para um único produtor, poderá ser compartilhado entre vários empreendedores, segundo regulamentação recente. A discussão agora avança para a precificação da bioeletricidade, que precisa ser competitiva.

A biomassa como fonte de energia renovável tem papel de extrema relevância no cenário brasileiro. Cabe aos principais agentes do País não perder essa excelente oportunidade.


Paulo Cezar Coelho Tavares - Vice-presidente de Gestão de Energia do Grupo CPFL Energia - 18/03
Fonte:

Pesquisadores da Embrapa discutem avanços da pesquisa em agroenergia

A equipe do projeto de pesquisa "Fontes alternativas potenciais de matérias-primas para produção de agroenergia", estudo conduzido por vinte e uma Unidades da Empresa Brasileira de Agropecuária - Embrapa e parceiros, está reunida nesta semana, na Embrapa Cerrados (Planaltina - DF), para avaliar as pesquisas conduzidas com pequi, macaúba, tucumã, entre outras espécies, e definir ações a serem executadas ao longo do ano.

A pesquisa está avaliando, entre outros aspectos, o teor e qualidade do óleo, viabilidade para produção de biodiesel e resistência a pragas e doenças das espécies. "A pesquisa começou como uma corrida. Largaram várias plantas, hoje algumas lideram", diz o pesquisador Nilton Vilela Junqueira, da Embrapa Cerrados, líder do projeto.

Junqueira comenta que as pesquisas visam domesticar espécies silvestres de plantas nativas do Brasil para produção de óleo. Para o pesquisador, o estudo, que prossegue até 2011, já evolui e a equipe irá selecionar duas ou três espécies para aprimorar as pesquisas. Ao longo da semana, os pesquisadores farão o relato das atividades desenvolvidas nos planos de ação de pesquisa em pequi, macaúba, tucumã e pinhão-manso.

Outros assuntos abordados no primeiro dia do encontro foram proteção intelectual e registro comercial de cultivares. José Robson Sereno, chefe geral da Embrapa Cerrados, e Frederico Ozanam Durães, chefe geral da Embrapa Agroenergia, destacaram na abertura do evento a importância do trabalho em parceria em torno de um tema capaz de contribuir para a diversificação da matriz energética brasileira.”O Brasil tem uma agenda pública para o negócio de agroenergia”, afirma Frederico Durães. Ele salienta que agroenergia é um negócio de alta competitividade e cooperação, com o incremento do fator inovação para fazer diferença no mercado.

Para Durães, a substituição da matriz fóssil por combustíveis renováveis é possível com competitividade, inovação e cooperação. O pesquisador defende os arranjos produtivos locais e regionais de biocombustíveis para produção e consumo no mesmo local. "É um princípio básico da energia renovável", diz.

Alexandre Strapasson, diretor do departamento de cana-de-açúcar e agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), destaca que "há grande expectativa em torno das pesquisas da Embrapa", tanto no âmbito nacional como também em outros países. “A Embrapa tem condições de atender a toda essa expectativa de desenvolvimento de tecnologia para a agroenergia, trabalhando em conjunto com o Ministério”, diz o diretor. Strapasson salienta ainda que as novas espécies para produção de biocombustível podem ser uma alternativa de renda para os produtores. "Para não derrubar floresta, é preciso convencer o produtor sobre a viabilidade econômica".

O diretor do MAPA lembra que o "cenário de muita demanda para a pesquisa e a crise mundial" é um momento propício para reflexões conjuntas sobre políticas públicas para a agroenergia. Em 2008, segundo dados do Ministério das Minas e Energia, o uso do biocombustível evitou a importação de 1,1 bilhão de litros de diesel de petróleo, o que rendeu aproximadamente US$ 976 milhões para o Brasil. O país bateu recorde na exportação de etanol com um total de 5,16 bilhões de litros vendidos no ano passado. Por: Gustavo Porpino e Daniela Garcia Collares .

. [ Chefe da Embrapa Agroenergia fala da importância da cooperação e da competitividade no negócio agroenergético].

Fonte:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Projeto experimenta cultivo de pinhão manso associado a pastagem

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) participa de um projeto para o cultivo de pinhão manso consorciado a braquiária, que está sendo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Refinaria Nacional de Petróleo Vegetal - Fusermann Biodiesel, e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). O objetivo é associar o cultivo da planta, de cujo fruto se extrai o óleo para fabricação de biocombustível, à pecuária leiteira.

O sistema traz vantagens adicionais para o produtor familiar, ao proporcionar diversificação de renda, segundo técnicos especialistas. O programa é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que investiu R$ 45 mil no projeto.

Segundo o coordenador técnico regional da Emater-MG de Juiz de Fora, Antônio Domingues de Souza, tudo começou a partir de uma parceria entre a Embrapa Gado de Leite e a Fusermann Biodiesel, empresa sediada no município de Barbacena. Há 15 anos, a refinaria procurou a Embrapa, que trabalha com sistemas silvipastoris (pastagens consorciadas com espécies arbóreas/arbustivas), para propor um convênio de cooperação técnico-científica, com vistas a aprofundar conhecimentos referentes à viabilidade da associação do pinhão manso com a produção de forragem.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Carlos Renato Tavares de Castro, membro da equipe responsável pelo projeto, a intenção "é gerar informações que possam esclarecer sobre a polêmica de que áreas destinadas à cultura de matéria-prima para biocombustíveis competem, ou não, pelo espaço destinado à produção de alimentos para a sociedade".

As atividades do projeto começaram no mês de janeiro deste ano, com o plantio consorciado de pinhão manso e braquiária, numa área de dois hectares e meio, em um campo experimental da Embrapa, no município de Coronel Pacheco, Zona da Mata mineira. No local, estão sendo testados diversos espaçamento do consorcio. Tanto pelo método tradicional (semeadura a lanço) ou conforme os preceitos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, conhecida nos meios técnicos como ILPF, em que se aplicam sub-doses de herbicida na pastagem já existente e faz-se o plantio direto na palha (no caso, a semeadura do milho), sem arar e nem gradear o solo.

A proposta é que a área destinada à pesquisa seja utilizada como unidade demonstrativa para treinamento dos extensionistas da Emater-MG e em futuras visitas técnicas de produtores rurais. As atividades estão sendo negociadas entre os parceiros envolvidos no projeto, segundo informações da Embrapa. A empresa considera que o pinhão manso é uma das mais promissoras espécies oleaginosas passíveis de utilização como matéria-prima para fabricação de biodiesel.

Para o coordenador técnico regional de Meio Ambiente da Emater-MG, o engenheiro florestal Gilberto Malafaia, além dos aspectos econômicos e estratégicos envolvidos, o uso de combustíveis de origem não fóssil é uma das formas de preservação ambiental. "A liderança brasileira na produção e o uso de biocombustíveis já é reconhecida internacionalmente", argumenta. "Ademais, o sistema de consorciação proposto é de adoção viável para a agricultura familiar, possibilitando a diversificação de renda, por meio da obtenção de dois produtos: animal e florestal", reforça o pesquisador a Embrapa, Carlos Renato Tavares de Castro.

Segundo o coordenador da Emater-MG, Souza, apesar de o sub-produto da extração do óleo de pinhão para fabricação de cosméticos (torta), ser tóxico para os animais, é rico em proteína e já existem estudos para torná-lo viável ao consumo animal. "Existem resultados parciais promissores quanto ao desenvolvimento de técnicas de destoxificação desse material para viabilizar o seu uso na alimentação animal", informa.

De acordo com os técnicos envolvidos no projeto, o os resultados do projeto deverão ser conhecidos num prazo de até três anos e caberá à Emater-MG divulgar o sistema silvipastoril entre os produtores rurais. "Vamos avaliar se a alternativa é realmente interessante para o pecuarista e, se for, vamos divulgar", informa o coordenador da Emater-MG, Antônio Domingues. Segundo ele, os extensionistas irão receber treinamento específico sobre a nova cultura e orientação sobre o manejo do sistema proposto, para posterior divulgação da tecnologia e assistência técnica aos produtores interessados em adotá-la.

PINHÃO MANSO

De acordo com a publicação Cultivo de Pinhão Manso Para Produção de Óleo Combustível, de Luiz Antônio dos Santos Dias e colaboradores, a planta pertence à família Euphorbiaceae, a mesma da mandioca, mamona e seringueira, sendo um arbusto de crescimento rápido, que pode atingir de três a cinco metros de altura. Ao ser consorciado com pastagens, o gado pode ser inserido no sistema tão logo as plantas atinjam altura de 50 cm.

Essa espécie arbustiva libera látex, um líquido leitoso que é tóxico e pode queimar a pele. Mas segundo o pesquisador da Embrapa, Carlos Renato Tavares de Castro, a presença do látex pode estar relacionada ao fato de os animais não consumirem as folhas quando ainda verdes e presas à planta mãe, vantagem adicional ao sistema por possibilitar a introdução precoce dos animais nas áreas consorciadas, sem necessidade de proteção das mudas contra pastejo ou danos físicos causados pelos animais. Ainda, relatos de pecuaristas que já possuem o Pinhão Manso em suas pastagens atestam que as folhas secas, caídas ao chão, são frequentemente consumidas pelos animais, não causando-lhes qualquer problema aparente.

Segundos técnicos da área, os lucros obtidos com a cultura de pinhão manso variam conforme a região de cultivo devido a flutuações nos valores de insumos, mão-de-obra e mudas. Na região de Barbacena, o Projeto Jatropha, que incentiva o plantio de pinhão manso, e é liderado pela Fusermann Biodiesel, vem analisando o cultivo da planta desde 2005. Foi observado que o lucro do produtor deve girar em torno de R$ 963,00/ha/ano com a exploração da cultura destinada à produção de biodiesel.

Com informações da Embrapa Gado de Leite.

FONTES:

Emater-MG
Assessoria de Comunicação da Emater-MG
Telefone: (31) 3349-8021

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Algodão tem potencial para produção de biodisel no PI

07/01/09 - O pesquisador José Lopes Ribeiro, em pesquisa, informa que o algodão e o girassol têm potencial para a produção de biocombustíveis no estado do Piauí e Maranhão. Estudos desenvolvidos pela Embrapa Meio-Norte ao período de 8 anos revelaram uma produtividade média no Piauí de 4,3 toneladas de algodão caroço por hectare.No maranhão, esse número chega a 4,2 toneladas. Tendo o caroço de algodão um teor de 18% à 20%.

Nesses 8 anos de estudos em 7 cidades de cada estado, foram implantados 82 experimentos. No Piauí Baixa Grande do Ribeiro e Uruçuí foram os municípios que tiveram a melhor média de produtividade. No Maranhão, as melhores produtividades foram registradas nos municípios de Tasso Fragoso, com uma variação de 2,7 toneladas por hectare a 4,2 por hectare.

As pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Meio-Norte indicam que o girassol é a mais novo opção para a produção de biocombustíveis,os estudos conduzidos em 5 municípios do Piauí e em e 5 do Maranhão, reforça a tese do pesquisador José Lopes Ribeiro: “ as condições de clima e sol, principalmente nos cerrados, são favoráveis ao desenvolvimento da cultura”.

Em 29 experimentos de avaliação de genótipos de girassol, conduzidos num período de nove anos, a produtividade variou de 1,1 tonelada de grãos por hectare a 1.9 tonelada de grãos por hectare. Mas a cultura do girassol ainda está em desenvolvimento no Brasil. De acordo com o levantamento do IBGE em 2008 a área colhida do Brasil com girassol foi de 90.493 hectares, sendo superior a 139 mil toneladas.


Fonte: Diário do Povo

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Biodiesel de gordura humana

O departamento de Saúde do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, está investigando o caso de um médico que teria usado a gordura retirada das pacientes durante procedimentos de lipoescultura como combustível para seus carros, segundo informações da revista Forbess.

A gordura, tanto animal quanto vegetal, contém triglicerídeos que podem ser extraídos para a produção de biodiesel.

O esquema do médico, que transformava a gordura retirada de seus pacientes em biodiesel para o seu carro - um Ford SUV - veio à tona durante outra investigação, de reclamações feitas por pacientes contra procedimentos cirúrgicos da clínica.

A clínica de Alan Bittner, chamada Beverly Hills Liposculture, funcionava na famosa cidade americana nos arredores de Los Angeles, considerada a "capital mundial da cirurgia plástica".

Ainda não está claro como Bittner transformava a gordura extraída em lipoaspirações em biodiesel - mas nos Estados Unidos e em outros países é cada vez mais comum a busca por alternativas como óleo usado de cozinha ou banha animal para a produção do biocombustível.

Em um site dedicado à promoção da reciclagem da gordura de suas pacientes,Bittner defende a idéia: "A grande maioria das minhas pacientes pedem que eu use a gordura retirada delas como combustível - e eu tenho mais gordura do que preciso usar. Não apenas elas perdem a barriguinha, mas também fazem sua parte em salvar o planeta".

Segundo a Forbes, usar gordura para alimentar motores de carros "pode ser ecologicamente defensável, mas é ilegal na Califórnia usar resíduos humanos hospitalares como combustível".

No website da clínica de Bittner, um comunicado avisa as pacientes sobre o fechamento da clínica, no dia 20 de novembro. Na nota, o médico diz que decidiu fechar o consultório porque teria resolvido trabalhar como voluntário na América do Sul.

Em outras páginas na internet, fóruns de discussão trazem comentários e reações de pacientes com o fechamento da clínica.

Uma delas afirma: "Honestamente, o que realmente mexeu comigo, acima de tudo é que parece que ele usava nossa gordura para fazer biodiesel. Como a cena do filme Clube da Luta, não é?", comenta.

No filme, o personagem Tyler Durden, interpretado por Brad Pitt, rouba gordura de clínicas de lipoaspiração para fazer sabonetes, vendidos por ele em lojas de departamento de luxo.

Fonte:

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem é o vilão?

Fica claro que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro.

Desde a época do Pró-álcool nunca se falou tanto sobre etanol. Na década de 1970, o combustível foi a salvação da primeira grave crise energética enfrentada pelo Brasil. Aos poucos, o petróleo retomou seu posto e o pobre combustível tupiniquim foi relegado a uma quase nobre insignificância, já que um herói, mesmo que enfraquecido, nunca deixaria de ser um herói.

Naturalmente, tratava-se apenas do primeiro round. As reservas naturais de petróleo já começam a dar sinais de cansaço, o preço do barril se eleva a cada pregão das bolsas, o que eleva ainda mais o preço na bomba para o consumidor, que é quem paga a conta. Todas essas peças já comporiam um cenário mais que perfeito para o surgimento de uma via alternativa, mas não bastou. Com mudanças bruscas na temperatura do planeta e fenômenos naturais que assolam cidades inteiras, o meio ambiente dá sinais de que algo precisa mudar, e rápido.

Como em todas as histórias de bandidos e mocinhos, por diversas vezes o mocinho é interpretado como um oportunista, que lança mão da desgraça alheia para agregar valor ao seu poder. Com o etanol não poderia ser diferente. A bola da vez foi a crise dos alimentos e declarações sem qualquer fundamentação técnica publicadas na imprensa mundial tentaram em vão fazer uma relação direta entre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos.

Há inúmeros fatos que refutam completamente tais afirmações. Em primeiro lugar, há uma crescente demanda no consumo de alimentos, impulsionada por países como China e Índia, concomitante a um aumento da população mundial e a uma elevação de renda dos países emergentes. Para se ter uma idéia, nos últimos 200 anos a população mundial saltou de 957 milhões para 6,7 bilhões de pessoas. E a projeção é de que em 2050 o mundo tenha nada menos que 9 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional aumenta também o desafio de se produzir mais para alimentar tanta gente. Em 2001, por exemplo, a China consumia por ano 450 milhões de toneladas de cereais. No ano passado, esse número saltou para 513 milhões de toneladas.

Outro ponto que sem dúvida interfere nos custos dos alimentos é o preço do petróleo que, segundo analistas do setor, deve chegar em breve à casa dos 200 dólares o barril. A explicação é simples. O petróleo é utilizado como matéria-prima para grande parte dos combustíveis utilizados no maquinário agrícola, no transporte de alimentos e na produção de fertilizantes. Talvez nem precisassem ser citadas as diversas barreiras tarifárias impostas aos mais variados insumos alimentícios em todas as partes do mundo. Ou seja, os custos para produção de alimentos tiveram uma grande elevação.

Entre tantas provas de que o etanol não é o vilão desta história, ouvi o mais interessante argumento dito por um produtor de biodiesel em um evento do qual participei em Nova Iorque. “Na Somália, por exemplo, um dos graves problemas é a falta de arroz. Até onde sabemos, hoje não há nenhum biocombustível sendo feito a partir do arroz, nem tampouco os biocombustíveis deslocam áreas de plantio de arroz”.

Tantos argumentos só justificam o que o mundo inteiro já viu. Hoje são consumidos em torno de 1 trilhão de litros de gasolina/ano. Caso fossem adicionados ao combustível 25% de etanol, seria criado um mercado de 250 bilhões de litros de etanol/ano. Para se ter uma idéia, hoje a produção brasileira representa menos de 25 bilhões de litros/ano. Contudo, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 25% de toda a frota de veículos no mundo poderão ser movidos a etanol até 2050.

Naturalmente, utilizar o argumento que incrimina o etanol de milho e o combustível da cana funcionaria como um belo susto àqueles que pensavam em investir maciçamente nesse setor. Mas essa argumentação durou pouco e não funcionou. Ao contrário, os investimentos externos nesse setor nunca foram tão intensos. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os investimentos externos diretos nas atividades agrícolas cresceram mais que em outros setores da economia, como indústria e serviços. Nos últimos sete anos houve um aumento de 500%, de 2,3% para 13,8% do total de investimentos.

A vantagem do Brasil está latente, para quem tiver interesse em ver. O potencial do país pode conduzi-lo ao papel de um dos mais importantes players desse mercado, afinal, projeções indicam que o país deve liderar o mercado As condições são ideais em todos os sentidos. Maior fronteira agrícola do mundo, com terras férteis e vasta área para o cultivo, clima e relevo adequados, know-how que vem evoluindo desde o Brasil colonial e um forte aporte de investimentos externos.

O setor sucroalcooleiro no Brasil vem se preparando para um novo patamar de crescimento, com uma maior profissionalização na gestão das usinas, diversificação de investimentos como a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar, busca constante por inovações tecnológicas no canavial, movimento de fusões e aquisições, abertura de capital, processo de Governança Corporativa, entre outras práticas que dão credibilidade ao mercado. Fica claro, assim, que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro. Para quem não acreditava no Brasil, observe os heróis e guerrilheiros angustiados com o canto do Macunaíma.

Marcelo Schunn Diniz Junqueira
Marcelo Schunn Diniz Junqueira é engenheiro agrônomo e CEO da Clean Energy Brazil.

Fonte: Clean Energy Brazil

Do:

Brasil, algas e biodiesel: uma aposta que pode gerar riqueza

Quando Rudolf Christian Karl Diesel inventou o motor a combustão em 1897, desenhou-o para funcionar com óleos vegetais, como o de amendoim.

A história demonstra, portanto, que o interesse pela utilização do biodiesel não é novo. Entretanto, à época, por ser mais barato e mais fácil de produzir, o óleo feito a partir do petróleo ganhou o mercado e foi “batizado” com o sobrenome de Diesel.

Atualmente, calcula-se que o consumo mundial de diesel gira em torno de 684 milhões de toneladas, com potencial de crescimento de 8% ao ano. Já a produção mundial de biodiesel representa 0,035% do mercado, ou seja, 2,4 milhões de toneladas. Com o preço do petróleo atingindo patamares proibitivos, principalmente pelo efeito cascata que provoca em cadeias de produção dependentes de seus derivados e de seu freqüente uso como arma econômica, questiona-se a opção feita no passado e cada vez mais se aproxima ou retorna-se ao ponto de partida de Rudolf Diesel.

Pesquisas recentes indicam que a produção de biodiesel a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis. Com potencial de produção de óleo muito superior por área equivalente de cultivo do que as culturas tradicionais produzidas em terra e utilizadas na produção do biodiesel, as microalgas despertaram o interesse mundial e as pesquisas e estratégias dos investidores são, em sua maioria, mantidas em segredo. Enquanto a soja produz de 0,2 a 0,4 toneladas de óleo por hectare, o pinhão manso produz de 1 a 6 toneladas de óleo por hectare e o dendê, de 3 a 6 toneladas de óleo por hectare. Alguns, mais otimistas, afirmam que com um hectare de algas pode-se produzir 237 mil litros de biocombustível; outros, mais contidos, informam que em uma superfície equivalente a um hectare semeado com alga pode-se produzir 100.000 litros de óleo.

Sendo possível cultivá-las em água salgada ou doce em ambiente que disponha de calor e luz abundantes, é inegável que o Brasil possui condições ideais para a produção de microalgas, em especial na Região Nordeste. De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável. Sem dúvida, um achado.

Atentos ao movimento mundial, empresas públicas e privadas e o Governo brasileiro estão investindo no desenvolvimento da produção de biodiesel a partir de microalgas. Exemplos são a parceria entre a Petrobras, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Rio Grande, e o recente edital publicado em conjunto pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca e Aqüicultura e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O Edital nº 26/2008, de 11 de agosto de 2008, é o primeiro que tem como objeto o apoio a projetos de pesquisas que contemplem a aqüicultura e uso de microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel e tem previsão de repasse de R$ 4,5 milhões por meio do CNPq. Segundo o Edital, serão admitidos projetos que englobem todo o processo de produção e transformação em temas como: desenvolvimento de técnicas de cultivo de microalgas de baixo custo e que visem a produção de óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel; estudos de potencial de cepas de microalgas; avaliação da viabilidade econômica do processo global do cultivo à obtenção de biodiesel; processos mais econômicos e eficientes do que os convencionalmente usados para a coleta de microalgas e extração do óleo para a produção de biodiesel. As propostas poderão ser apresentadas até o dia 25 de setembro, os resultados serão divulgados a partir de 27 de outubro e os contratos firmados a partir de 1º de dezembro.

Como resultado da soma do crescimento da demanda por biodiesel no Brasil, estimulada pela publicação da Lei nº 11.097, de 14 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, com as condições climáticas e territoriais favoráveis à produção de algas no Brasil, têm-se condições apropriadas para o investimento em pesquisas, inovação e a instalação de novas plantas industriais para produção de biodiesel nas mais variadas regiões do país. Cenário que pode tornar o Brasil um país ainda mais atraente para os investidores interessados na produção de biocombustíveis, tanto para uso no mercado interno quanto para a exportação.

Investidores certamente não faltarão. O uso das algas como matéria-prima para produção de biocombustíveis vem sendo pesquisado em países como Japão, Estados Unidos da América, Israel, Alemanha, Portugal, Suíça, Argentina e Espanha. Exemplo de investimento é o anúncio feito pela Royal Dutch Shell e HR Biopetroleum, informando a construção de uma planta-piloto na costa de Kona, no Havaí, com o objetivo de cultivar algas marinhas e produzir óleo vegetal para conversão em biocombustível.

Importante observar que o litoral brasileiro, que é banhado pelo Oceano Atlântico, do Arroio Chuí ao Cabo Orange, possui 9.198 Km quando consideradas suas saliências. Além disso, a maior bacia hidrográfica do mundo, com 7.050.000 km² é a Bacia Hidrográfica Amazônica, que a ela podemos somar as Bacias do Rio São Francisco, dos Rios Tocantins e Araguaia e do Rio da Prata.

Efetivamente, caso a corrupção, a insegurança jurídica e a burocracia não atrapalhem esse promissor segmento, a economia nacional muito poderá se beneficiar.

Reginaldo Minaré
Advogado e Diretor Jurídico da ANBio

Fonte: Grupo Cultivar

Do:

Microalgas podem produzir 100 vezes mais biocombustível do que a soja

RIO - Na busca por fontes de energia menos poluentes e mais econômicas, pesquisadores brasileiros dão um grande passo ao mostrar a eficiência das microalgas, encontradas no litoral brasileiro, como matéria-prima para produzir biodiesel. A pesquisa, desenvolvida pelo Instituto de Biologia da Universidade Federal (UFF), sugere que as algas têm capacidade de gerar 90 mil litros de óleo por hectare ao ano, enquanto a soja, principal base do biodiesel do Brasil, produz apenas 500 litros por hectare. Além disso, as algas ajudam a combater o efeito estufa, uma vez que precisam de dióxido carbônico (CO2) para se reproduzirem.

– O projeto de tornar algas em biomassa é visto, hoje, como algo promissor. Uma das razões é o alto valor do petróleo, que esse ano chegou a atingir US$ 140 o barril. A diminuição do preço de custo de produção do biodiesel também contribuiu. E, atualmente, há uma extrema preocupação em retirar carbono da atmosfera – explica Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

A alternativa também não encontra obstáculos na agricultura. As microalgas são cultivadas em água e, como não possuem raíz, nem caule, demandam um espaço pequeno para se reproduzirem. Além disso, crescem mais rápido que qualquer outra planta. Num espaço equivalente a um hectare, por exemplo, as algas têm capacidade de produzir 100 vezes mais óleo que a soja.

– Em matérias-primas como soja e amendoim só é aproveitado um pedaço pequeno da planta, ou só o fruto, para gerar óleo. Já nas algas, todas as células são aproveitadas por isso a produção é alta – avalia Lourenço. – Não é preciso desmatar áreas para cultivá-las. E não entra em atrito com a produção de alimentos, já que ninguém come algas.

Antonio José Maciel, professor da faculdade de engenheira agrícola da Unicamp, diz que, mesmo o projeto estando em fase laboratorial, mostra-se promissor.

– É algo que poder ter alto potencial. Nosso país tem grandes condições de produção devido ao clima e à água, mas é preciso um programa de pesquisa que dê resultados para, assim, receber investimentos – afirma Maciel.

Embora os benefícios do biodiesel de algas prevaleçam, há questões que dificultam o investimento de instituições. Além do cultivo ser trabalhoso, e portanto, demandar uma equipe especializada – não pode ser elaborada por agricultores – precisa ainda de investimentos em pesquisas.

– A soja não precisa mais ser pesquisada, e já existem os particulares que a cultivam e vendem. Já o processo de produção de algas exige alto investimento. A separação das células que serão convertidas em biodiesel demanda muito recurso – confessa Lourenço. – O biodiesel de algas ainda não é viável, mas acredito que em cinco anos já vamos ter produção comercial em escalas grandes.

Redução de custos

A Petrobras também desenvolve, desde 2006, pesquisas com esse tipo de matéria-prima. Segundo a instituição, os próximos passos do projeto serão produzir maior quantidade de biomassa e aumentar o volume da produção de biodiesel de microalgas.

– Nosso maior desafio é buscar a redução de custos, o ideal seria reduzir bastante os gastos, o que só seria possível com tecnologia de ponta aplicada ao processo – avalia o oceanógrafo Leonardo Bacellar, pesquisador do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras.

Fonte:

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cientistas produzem diesel com restos de café

Em uma pesquisa que combina duas das grandes obsessões dos norte-americanos - café e automóveis - cientistas da Universidade de Nevada em Reno produziram combustível diesel tendo por base restos de café.

A técnica não é complicada, reportaram os pesquisadores em artigo publicado pelo Journal of Agricultural and Food Chemistry, e a disponibilidade de café é tão grande que diversas centenas de milhões de litros de biodiesel à base de café poderiam ser produzidos a cada ano.

Mano Misra, professor de engenharia que conduziu a pesquisa com Narasimharao Kondamudi e Susanta Mohapatra, afirmou que descobriu por acidente que os grãos de café continham volume significativo de óleo.

"Certa noite, fiz um café mas me esqueci de bebê-lo", ele contou. "Na manhã seguinte, percebi que havia uma camada oleosa flutuando na superfície da bebida". Ele e sua equipe acreditavam que pudesse existir volume aproveitável de petróleo em grãos de café usado, e por isso visitaram diversas unidades da rede de cafés Starbucks em Reno e recolheram mais de 200 quilos de grãos de café usados.

Uma análise demonstrou que até mesmo os restos de café pós-moagem e fervura contêm entre 10% e 15% de seu peso total em óleo. Os pesquisadores utilizaram técnicas comuns na química para extrair o óleo desses grãos e transformá-lo em diesel. Os processos envolvidos não requerem uso especialmente intenso de energia, segundo Misra, e os pesquisadores estimaram que o biodiesel poderia ser produzido a um custo de cerca de 26 centavos de dólar por litro.

Um obstáculo, disse Misra, seria encontrar uma forma eficiente de recolher os restos de café. Não existem muitas fontes centralizadas de coleta de grãos usados de café. Mas os pesquisadores planejam montar uma pequena operação-piloto no ano que vem que usaria os restos fornecidos por uma empresa de moagem de café.

Mesmo que todos os restos de café do mundo fossem utilizados na produção de combustível, o total produzido equivaleria a menos de 1% do óleo diesel consumido ao ano nos Estados Unidos. "O método de maneira alguma resolveria os problemas mundiais de energia", disse Misra a respeito de seu trabalho. "Mas nosso objetivo é utilizar resíduos e transformá-los em combustível". E o biodiesel produzido à base de restos de café tem outra vantagem, ele disse: os gases de escapamento cheiram a café.

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cenário de incertezas para cotações do óleo de palma no exterior

11/12/08 - Pressionados pela desaceleração econômica mundial derivada da crise financeira irradiada a partir dos EUA, os preços internacionais do óleo de palma despencaram nos últimos meses e têm poucas perspectivas de recuperação no curto prazo.

Ontem, na bolsa da Malásia, os contratos com vencimento em fevereiro, atualmente os mais negociados, até que subiram, US$ 11, e fecharam a US$ 441,22 por tonelada. Mas as perdas em relação ao pico histórico de US$ 1.353,70 alcançado pelos futuros de terceira posição de entrega em março passado preocupam produtores e exportadores.

Ainda que tenha pouca relevância no Brasil, responsável por pouco mais de 100 mil toneladas de uma produção total anual da ordem de 37 milhões de toneladas, o óleo de palma é o óleo vegetal mais consumido do mundo. A oferta é encabeçada por Malásia e Indonésia, e a rainha do consumo, é claro, é a China.

E são os chineses o principal foco de preocupação do segmento no momento. Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma, maior empresa do ramo no Brasil, afirma que os importadores do gigante asiático estão "fora do mercado", comprando apenas pequenos volumes, desde as Olimpíadas, em meados do ano. Com isso, afirma, os estoques dos exportadores crescem a olhos vistos.

Se os estoques da China são um mistério mesmo para os mais bem informados, tanto os de Malásia quanto os de Indonésia já superaram 2 milhões de toneladas, conforme Brito. A Malásia ainda conseguiu um bom aumento de embarques nos primeiros dez dias de dezembro (por isso os preços subiram ontem), mas em parte graças à Índia. Em tempos de recessão, diz o executivo, isso significa que, como em outros setores da economia, a tendência de consolidação parece inevitável.

Se no óleo de soja entre 70% e 80% da produção mundial é dominada por cinco ou seis grandes grupos, no óleo de palma a mesma fatia é dividida por entre 30 e 35 empresas. Empresas como as americanas ADM, Bunge e Cargill atuam nos dois mercados, e na palma disputam espaço com grandes companhias asiáticas.

Nesse contexto, medidas adotadas pelo governo brasileiro para facilitar as importações recebem duras críticas da Agropalma. Brito lembra que há dois anos o país eliminou a tarifa de importação de 10% que onerava o óleo da Colômbia, 5º maior produtor mundial. Em 2008, a tarifa do óleo de palmiste, que era de 10%, caiu para 2%. Extraído da polpa da palmeira, o óleo de palma, com distintos níveis de refino, é muito utilizado na alimentação - o azeite de dendê baiano é um exemplo. Já o óleo de palmiste, extraído da semente, serve às indústrias oleoquímica e de cosméticos, entre outras.



Fonte: Valor Econômico

Biodiesel feito de algas

11/12/08 - Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.

As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa.

“Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo”, destacou.

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.

Algas para aviação

Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.

Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal – uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo.

“O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea”, disse Lourenço.

Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel – ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores.

“Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene”, disse.

Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.

O projeto da UFF será um dos destaques de um Congresso da Associação Brasileira de Biologia Marinha que será realizado em abril de 2009, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.


Washington Castilhos
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Canudo-de-pito (Mabea fistulifera Mart)

O gênero Mabea contém cerca de 50 espécies, dentre as quais a Mabea fistulifera Mart., pertence à família Euphorbiaceae, é uma planta nativa, amplamente encontrada no Cerrado e em áreas de transição para Mata Estacional Semidecidual. Ocorre nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (LORENZI 2000). É normalmente encontrada agregada em bordas de mata e em locais com impacto antrópico acentuado. Sua presença é muito comum na região noroeste do estado de São Paulo. A floração desta planta ocorre de fevereiro a junho, atingindo o pico entre abril e maio (LORENZI 2000), que corresponde ao início da estação seca na região; por ocorrer durante o período de escassez de alimento, muitos animais utilizam seu pólen e néctar, produzidos em abundância, como fonte alternativa de alimento. Dentre esses animais encontram-se espécies de macacos (ASSUMPÇÃO 1981, FERRARI & STRIER 1992, PASSOS & KIM 1999), morcegos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996), gambás (VIEIRA et al. 1991), aves (VIEIRA et al. 1992, OLMOS & BOULHOSA 2000) e insetos (VIEIRA & CARVALHO-OKANO 1996).

Mede de 6 a 15 metros de altura, ocorre agregadas com raras presenças de indivíduos isolados. É uma espécie monóica, latescente. O fruto é uma tricoca, subgloboso, levemente tri-sulcados, de aproximadamente 15,5 a 19,0 mm de comprimento/diâmetro com epi-mesocarpo trincado. As sementes são oblongas a abovóides medindo de 6 a 10 mm de comprimento, incluindo a carúncula, e a 5 a 7 mm de largura com a rafe na parte central.

A maturação da semente ocorre de setembro a outubro, produzindo grande quantidade. É uma planta adptada a solos de baixa fertilidade e acidez elevada, sendo por isso muito utilizada em recuperação de áreas degradadas.

O rendimento do óleo das sementes de canudo-de-pito extraído da planta é da ordem de 40%.

É uma especie arbórea com boa capacidade de rebrota pós-fogo.

Conhecida popularmente como mamoninha do mato, leiteira preta, canudeiro e canudo de pito. É uma planta elegante e própria para arborização de ruas estreitas e sob redes elétricas. Como planta pioneira é adaptada à luz direta e pouco exigente em solo. É ótima para plantios mistos destinados à recomposição de áreas degradadas.

Fonte: Fontes Diversas

Ver também: Canudo-de-pito para Biodiesel

Canudo-de-pito para Biodiesel

Uma planta nativa do Cerrado e de áreas de transição para Zona da Mata mineira, conhecida como canudo-de-pito, pode ampliar, de forma promissora, as fontes de óleo para a produção de biodiesel, segundo pesquisas realizadas no Laboratório de Instrumentação e Quimiometria do Departamento de Química da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

As sementes de canudo-de-pito (Mabea fistulifera Mart), da família das euforbiáceas, produzem grande quantidade de óleo, na ordem de 35% de seu peso. Os constituintes principais desse óleo são os ácidos linoleico, também conhecido como ômega-6, com aproximadamente 20%, e linolênico, o ômega-3, com aproximadamente 70%.

Os trabalhos vêm sendo conduzidos pela estudante de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica, Flávia Elaine de Andrade Pereira, e por seu orientador, professor César Reis.

Quando se fala em biodiesel, exemplifica o orientador, pensamos logo em oleaginosas como mamona, pinhão-manso, soja, pequi, macaúba, indaiá, buriti, babaçu, cotieira e tingui, dentre outras. Mas o canudo-de-pito é uma espécie muito interessante, ainda não explorada para essa finalidade.

A planta é encontrada com facilidade em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, agregada em bordas de mata e em locais que sofreram impactos causados pela ação do ser humano de forma acentuada. Sua presença é muito comum na região noroeste do estado de São Paulo.

César Reis informa que a floração da planta ocorre de fevereiro a junho e a maturação da semente, de setembro a outubro, produzindo grande quantidade. É uma planta adaptada a solos de baixa fertilidade e de acidez elevada, sendo por isso muito utilizada em recuperação de áreas degradadas, principalmente por mineração.

A composição química do óleo lhe confere propriedades químicas e físicas importantes na produção de biodiesel. O alto teor de ácido linolênico confere ao biodiesel uma viscosidade muito baixa, quando comparada ao óleo de mamona, assemelhando-se muito à do óleo diesel. Essa característica faz com que o biodiesel obtido do óleo de canudo-de-pito seja mais fluido, o que facilita a sua injeção na câmara de combustão, através dos bicos injetores.

Além da viscosidade, outras análises exigidas pela portaria ANP 255/2003, que trata da especificação do biodiesel, foram realizadas para determinar estabilidade, oxidação, densidade, corrosividade ao cobre, teor de enxofre, teor de sódio e de potássio, índice de acidez e de saponificação, etc. Estando todas de acordo com essa Portaria.

Como avalia César Reis, as características do canudo-de-pito permitem que pequenos agricultores o cultivem como fonte alternativa de renda, satisfazendo, assim, o lado social do programa do biodiesel. Além disso, para o seu cultivo, não é necessário utilizar áreas destinadas à produção de alimentos, como é o caso da soja e de outras oleaginosas, pois ela se adapta em áreas que não seriam mesmo usadas para o cultivo de cereais e oleaginosas tradicionais.
MAIS INFORMAÇÕES
Professor César Reis
Telefone: (31) 3899-3066
E-mail: cesar@ufv.br
Universidade Federal de Viçosa
Coordenadoria de Comunicação Social da UFV
Telefones:(31) 3899-2112 - (31) 3899-1741
Telefax: (31) 3899-1475

Fonte: BlogVisão

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Biodiesel: para cada região, uma solução

A produção de matéria-prima para o biodiesel não precisa ser restrita aos grandes produtores ou a apenas uma cultura. As pequenas propriedades familiares e as entressafras, se bem aproveitadas, podem garantir ao Brasil a auto-suficiência energética sustentável.

“Exportar biodiesel nas atuais condições é ambientalmente insustentável. A substituição de importação é o objetivo imediato do setor”, garantiu Univaldo Vedana, analista de biodiesel do portal BiodieselBR.com.

A escolha da cultura de acordo com o mais adequado para cada região é essencial. Além de resultar em maior produção de óleo por hectare, não exige que o agricultor abandone os alimentícios ou mude radicalmente sua maneira de trabalhar.

“Só não podemos continuar cometendo erros previsíveis como a mamona no Rio Grande do Sul ou o girassol no Nordeste. Plantas anuais no Nordeste são um problema. Sem contar que plantar mamona no verão lá seria deixar de produzir arroz e feijão; como dar a arma ao bandido”, disse Vedana.

A agricultura familiar é solução viável ao abastecimento da indústria de biocombustível e pode levar emprego e renda ao campo. Embora a primeira tentativa governamental – a mamona – não tenha sido muito bem sucedida, o cultivo em pequenas propriedades ainda pode garantir vantagens econômicas, sociais e ambientais na produção de óleo vegetal.

Pinhão manso, leucena e moringa são exemplos que poderiam ser muito bem aproveitados pela região Nordeste. São indicados para áreas secas, não dependem de chuvas regulares e são adequados ao plantio em associação. Abóbora, gergelim, feijão guandu e outros, quando plantados em consórcio, são beneficiados da sombra e camada vegetal proporcionadas pelas oleaginosas.

Ademais, o cultivo em consórcio incrementa a renda dos produtores e alavanca a produção alimentícia. A demanda por mão-de-obra ainda acresce empregos ao campo e ajuda a fixar renda no local. A preocupação justifica-se do ponto de vista ético: a segurança energética deve se aliar à segurança alimentar e não desestabilizá-la.

A região Norte seria beneficiada com a produção do dendê. Entre outras plantas nativas, ele poderia ser utilizado para reflorestamento de áreas desmatadas pela pecuária, que se degradam rapidamente. “Só o estado do Pará estaria apto a produzir todo o biodiesel necessário para o país”, afirmou Donato Aranda, engenheiro químico e coordenador do Laboratório de Tecnologias Verdes (Greentec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No Sul, está comprovado o sucesso da canola, da linhaça, do nabo forrageiro e do girassol de primavera. No Centro Oeste, como em Goiás, a produção de girassol também foi eficaz. Nas áreas em que o plantio de soja ou milho já foi implantado, é possível utilizar-se da entressafra para o cultivo de plantas como girassol, amendoim, canola, crambe e linhaça.

Tal método evita o desmatamento por aproveitar as áreas já utilizadas pela safra de verão e funcionaria como uma resposta rápida à demanda das usinas. O empobrecimento do solo acaba retardado pelo processo, que é mais rápido nas monoculturas.

A agricultura mecanizada pode ajudar as grandes usinas a suprir os centros de maior demanda energética e, mais tarde, a exportar. Enquanto isso, a agricultura familiar encarrega-se de produzir variedade de oleaginosas, gerar emprego no campo e também alimentar as pequenas usinas regionais, evitando maiores gastos com transporte e driblando possível falta de infra-estrutura.

As pequenas usinas são viáveis à produção de energia para cooperativas e municípios. Possibilitar o desenvolvimento local não só gera distribuição de renda como garante melhor aproveitamento do potencial do país. As pequenas usinas são aliadas à retenção de riquezas locais e agregam valor à produção agrícola.

O uso inteligente das terras brasileiras pode assegurar ao país alimento e energia com vantagens sociais e ambientais. “Falta um Estado indutor, com política agrícola satisfatória”, colocou Vedana. São precisos, no entanto, revisão da carga tributária, concessão de benefícios e políticas agrícolas específicas e regionais para que o plano dê certo.

Por Nina Adorno

Fonte: Blog BioDolares

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Óleo de cozinha pode virar sabão e biodiesel

22/10/08 - Pelo simples fato de que o óleo de cozinha despejado na pia pode degradar o meio ambiente, a coleta seletiva do produto já deveria ser hábito da sociedade. Mas há mais a considerar: o óleo pós-consumo pode ser reaproveitado e utilizado para desenvolver novas substâncias e novos processos produtivos, movimentando a economia. Sabão, ração animal, massa para vidro e biodiesel são alguns produtos resultantes da reciclagem do óleo de cozinha. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e com o apoio do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), realiza estudos para viabilizar o uso de óleo de cozinha na produção de biodiesel em Pernambuco.

Atualmente, a pesquisa está concentrada nos laboratórios do Departamento de Engenharia Química da UFPE, mas uma unidade piloto para produção da substância está em processo de montagem na empresa Brastec, localizada no Recife. A previsão é de que comece a funcionar no próximo ano, com capacidade para produzir 200 litros de biodiesel diariamente. Contudo a expectativa dos pesquisadores José Geraldo Pacheco e Cláudia Bejan, esta da UFRPE, é construir uma unidade ampliada dentro do próprio campus da UFPE. "Queremos uma estrutura com capacidade para produzir até 500 litros de biodiesel por dia", diz Pacheco, que, junto com Cláudia, irá buscar financiamento para estrutura.

Para a produção de biodiesel, o óleo de cozinha é colocado em contato com um álcool, que pode ser o metanol ou o etanol, na presença de um catalisador, substância que acelera a reação química. A mistura reage durante cerca de uma hora, resultando em biodiesel e glicerina. Os dois produtos vão para um equipamento chamado de fio de decantação e separados. O álcool e a água que ainda restam no biodiesel são retirados por um processo de evaporação por aquecimento.

Já isolado, o biodiesel é purificado e submetido a mais de 20 tipos de análises, previstas em portaria da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A glicerina, que se constitui em resíduo no processo, pode ser purificada e vendida no mercado ou utilizada na produção de biogás. "Não é recomendado que ela seja queimada, para que não seja produzida acroleína, substância considerada tóxica", alertou Pacheco.

MENOS POLUENTE - O biodiesel é renovável e contribui menos que outros combustíveis para o aumento do aquecimento global. "Apenas 10% da massa que reage e resulta em biodiesel é constituída de metanol, um álcool oriundo do petróleo", explicou o pesquisador José Geraldo Pacheco, da UFPE. Caso seja utilizado etanol ao invés de metanol no processo de produção, o biodiesel em si não é poluente. "O que pode contribuir para a poluição ambiental é, por exemplo, o transporte, se for utilizado um combustível fóssil no veículo", acrescentou.

Na pesquisa conduzida pela UFPE e pela UFRPE, a idéia é também agilizar o processo de análise química de amostras do biodiesel produzido. "O infra-vermelho é capaz de analisar conjuntamente a viscosidade, a densidade e a composição de uma amostra do combustível, entre outros aspectos. Tradicionalmente, cada característica do biodiesel é analisada separadamente, utilizando-se diferentes equipamentos, o que torna o processo mais lento e aumenta os custos, que podem chegar a R$ 1 mil", explicou Pacheco. O uso de infra-vermelho para esse tipo de análise, no entanto, ainda não é aceito pela ANP. Também não há previsão da redução nos custos utilizando-se o novo método, já que a escala aplicada atualmente ainda é é experimental.


Fonte: JC Online

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Queda no preço dos insumos impulsiona setor de biodiesel

07/11/08 - Na contramão da crise que atinge quase todos os setores do agronegócio o segmento de biodiesel reverte a tendência de paralisação nos investimentos e vive momento de expansão. A queda dos preços dos insumos no mercado internacional aliada a uma demanda interna firme está garantindo lucro às indústrias do setor que continuam com o preço de venda do produto fixado pelos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Se comparado aos momentos de maior alta na cotação em 2008, a redução nos custos com a aquisição do óleo de soja, principal insumo para a produção do biocombustível, já ultrapassa 30%. Na última quinta-feira, a tonelada do produto posto em São Paulo foi comercializada a R$ 1,94 mil a tonelada, valor bastante inferior a um dos picos de preço como no início do mês de março quando chegou a ser negociado a R$ 3 mil a tonelada. Em julho, antes de a crise financeira ser amplamente detectada, o biocombustível já dava sinais de desvalorização sendo negociado a R$ 2,5 mil a tonelada.

"Atualmente o setor está numa situação mais favorável e de certa forma a crise está beneficiando as usinas que não precisa tomar crédito no mercado. Elas estão comprando óleo de soja mais barato e isso está refletindo em margens mais vantajosas", avalia o analista da Safras & Mercado, Miguel Biegai, que acredita na manutenção da tendência pelo menos até o final de dezembro, quando as empresas devem terminar de entregar os volumes estipulados pelos leilões.

O cenário favorável que já fez com que grandes companhias do setor, como a Archer Daniels Midland Company (ADM) e o Grupo União, anunciassem nas últimas semanas projetos de expansão também atrai novos players, como a Companhia Brasileira de Energias Alternativas e Renováveis (CBEAR) que pretende investir 300 milhões de euros para produzir 600 mil toneladas ao ano, a partir de 2010.

Empresas que atuam em outras áreas também buscam se beneficiar do bom momento. Para acelerar sua entrada no mercado, a Gianezza está financiando projetos para a instalação de plantas industriais para refinar glicerina e ácidos graxos em empresas de biodiesel e frigoríficos que produzem sebo animal. Os empresários italianos também visitaram o Brasil para negociar instalação de uma fábrica na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná.

Para a Companhia o Brasil é uma referência no setor não apenas pelo potencial agrícola de gerar matéria-prima para produzir biodiesel, mas pelos subprodutos dele, ainda pouco explorados comercialmente. De olho nesse nicho a empresa irá financiar até 60% do valor de plantas.

De acordo com o executivo encarregado de desenvolver mercados para a Gianezza no Brasil, Hermes Magnani, o fato de o País ser um grande exportador de carne e grande celeiro de oleaginosas, além do crescimento da produção de biodiesel, faz com que a região seja uma das mais promissoras nesse segmento, concorrendo com Índia e China países onde a empresa já atua. "Pretendemos ainda esse ano assinar pelo menos quatro contratos", afirma Maganani. Segundo ele, devido ao potencial de expansão que a empresa optou em investir no País mesmo num momento de cautela dos investidores.

Mercado Externo

Em visita a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), o embaixador João Pacheco, chefe da União Européia no Brasil, afirmou que até o ano de 2020, cerca de 10% do combustível dos países que compõem o bloco, devem ser provenientes de energias renováveis, o que abriria caminho para o Brasil se tornar um dos grandes fornecedores para a região.

"Nós produzimos pouco biodiesel e nada de etanol. Vejo que o Brasil, e em especial Mato Grosso, poderá ser o nosso grande exportador de combustível renovável", disse Pacheco, durante reunião realizada ontem.

Segundo a Famato, durante o evento que contou com a presença de um grupo de empresários e lideranças do setor produtivo, o embaixador ainda afirmou que já foram realizadas conversas com o governo brasileiro para fechar um acordo.

Fonte:

Da Agência

Biodiesel trangênico

10/11/08 - O melhoramento genético no setor de biocombustíveis parece ser o novo foco da Monsanto. A empresa iniciou uma parceria na área de pesquisa com a empresa israelense Evogene visando o desenvolvimento de novas variedades de matérias-primas voltadas à produção de biodiesel. Na última semana, a companhia já havia anunciado no Brasil a aquisição da Aly Participações Ltda., controladora da CanaVialis S.A. e da Alellyx S.A., numa negociação que atingiu a marca dos US$ 290 milhões.

Além do acordo para a pesquisa, a Monsanto comprou o equivalente a US$ 18 milhões em participação da Evogene, com possibilidade de comprar mais US$ 12 milhões no futuro numa negociação que estará sujeita a possíveis novas exigências da empresa israelense.

A Evogene é uma das principais empresas do mundo atuando na área de pesquisa direcionada à biotecnologia para o uso de biodiesel e já vem desenvolvendo pesquisas direcionadas às culturas de milho, soja, algodão e canola, mas a partir da parceria com a Monsanto a mamona passaria a ser incluída na lista de estudos prioritários.

A perspectiva para os primeiros resultados dos estudos é de médio prazo. O acordo de colaboração está previsto inicialmente para durar cinco anos e a pesquisa deverá abranger traços chaves da planta como produtividade, estresse ambiental e utilização do fertilizante.

O acordo deve resultar para a Evogene um aporte de US$ 35 milhões. A empresa poderá ainda cobrar royalties dos produtos gerados com os resultados das pesquisas.

A parceria é vista com cautela por pessoas ligadas ao setor de biodiesel no Brasil. Alguns players desse mercado temem que um possível pioneirismo de uma multinacional em sementes modificadas para a produção de biodiesel possa se reverter em custo adicionais para o produtor. "A Embrapa ou outras entidades locais poderiam receber incentivo para fazer uma parceria como essa, mas quem saiu na frente foi uma multinacional que irá cobrar royalties na hora de vender", diz o diretor de Tecnologia da AustenBio, Richard Fontana.

No Brasil, onde a soja ainda é disparado o principal insumo para a produção do biocombustível, as pesquisas ainda estão em fase inicial. De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Antonio Eduardo Pipolo, o processo para incorporar nas cultivares já adaptadas ao País uma alta concentração oléica pode demorar até 10 anos. "Na área de pesquisas com transgênico para esse setor podemos ficar para trás se não houver o investimento necessário", avalia.

Fonte:

Da Agência

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Esgoto também é fonte de energia

Cientistas israelenses descobriram uma forma de aproveitar um dos materiais mais inúteis e nojentos que a cidade produz: o esgoto. Eytan Levy e Ronen Shechter desenvolveram uma célula combustível que é alimentada pelo trabalho metabólico de bactérias presentes no esgoto e gera energia elétrica.

A célula, uma espécie de bateria, tem o tamanho de uma garrafa PET e não precisa ser recarregada. O fluxo constante de água de esgoto bombeada para dentro da célula alimenta as bactérias. Conforme as bactérias digerem a matéria orgânica do esgoto, elas liberam elétrons, que ativam o circuito elétrico. Essas bactérias são encontradas naturalmente na água do esgoto.

A técnica de utilizar bactérias em baterias elétricas já é conhecida há mais de cem anos. Porém, a energia produzida na decomposição é pequena e os cientistas estão trabalhando agoar em uma forma de otimizar essa produção. “Se combinarmos alguns processos, poderemos obter até 1 kilowatt/hora para cada quilo de dejeto tratado”, disse Levy. Em escala industrial, isso significa obter megawatts a partir dos resíduos que todos os habitantes das cidades produzem diariamente.

(Thaís Ferreira)

Fonte:

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Empresa de Uberlândia coleta óleo usado

A indústria Cavalcante Biodiesel inaugurou a primeira filial em Uberlândia na semana passada e lançou no mesmo dia um projeto de coleta de óleo de cozinha usado. As empresas cadastradas recebem um recipiente coletor que é recolhido quando está cheio, sem custo para o empresário.

A gerente regional da indústria, Karen Ferrari, ressaltou que o óleo destinado à usina reduzirá a quantidade de gordura descartada na rede de esgoto, que chega a seis toneladas por dia, segundo dados do Dmae. Veja aqui a relação entre biocombustível e meio ambiente.

A indústria não vai pagar pelo produto coletado, mas o projeto prevê doação de cestas básicas, que serão adquiridas com o valor total do que o empresário receberia pela coleta do produto. O valor médio de comercialização é de R$ 0,20 por litro.
As empresas interessadas podem entrar em contato com o escritório da indústria em Uberlândia pelo telefone (34) 3084-5023. Segundo Karen Ferrari, cerca de 10 empresas já se cadastraram e a intenção é de que o projeto seja levado a condomínios, edifícios e residências.

A indústria de transformação de óleo de cozinha usado em biodiesel fica em Iguatama (MG) , no centro-oeste mineiro, a cerca de 350 quilômetros de Uberlândia.

Fonte: Correio de Uberlândia

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Alta da demanda de biodiesel retém óleo de soja no Brasil

30/10/08 - Após três meses de o governo decidir aumentar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, os efeitos nas indústrias de insumos que abastecem o setor já podem ser sentidos. Com 1% a mais na mistura - que corresponde à adição de 3% de biocombustível ao diesel (B3) -, é expressivo o impacto no volume de óleo de soja brasileiro que alcança o mercado externo.

A indústria do setor que em 2007 exportou 2,5 milhões de toneladas da matéria prima, este ano deve embarcar um volume 12% menor, ou 2,2 milhões de toneladas, é o que revela os dados e projeções da Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove). "A projeção de exportação para a próxima safra é ainda um pouco menor", afirma Daniel Amaral, economista da Associação Brasileira de Indústria de Óleos Vegetais (Abiove). Até agora o País exportou 1,8 milhão de toneladas de óleo de soja, de uma produção que deve chegar a 6,2 milhões de toneladas.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de óleo de soja referentes a agosto - mês seguinte à alteração da lei - ficaram em 210 mil toneladas, 107 mil a menos que as toneladas exportadas em julho. Essa significativa queda de 33%, reflete pelo menos parte do aumento da demanda interna pelo produto por parte das usinas produtoras de biocombustível. "É fato que o consumo interno de óleo de soja subiu de patamar e nós só estamos começando a sentir o impacto", analisa Miguel Biegai, da Safras & Mercado. Existe uma expectativa do setor de que até o final do próximo ano esse mesmo índice que já recuou o volume de óleo de soja exportado pelo País suba para 5%, o que poderia gerar um impacto ainda maior nas balança comercial do produto.

O crescimento da produção de biodiesel, estimulado pelo governo, pode impulsionar as importações de óleo de palma, matéria-prima que não alimenta nem 3% da produção nacional de biodiesel. De acordo com a publicação Oil World, entre janeiro e agosto a produção do combustível cresceu mais de três vezes na comparação anual, e atingiu 580 mil toneladas. No acumulado do ano pode chegar a 980 mil toneladas, ante as 353 mil toneladas de 2007. Mas Biegai, não aposta na opção pela importação de óleo de palma para sustentar essa alta. Em 2007, foi importado 148 mil toneladas do óleo, volume pequeno para o comércio mundial de 32,8 milhões de toneladas.

O diretor-executivo da União Brasileira do Biodiesel, Sérgio Beltrão, não acredita que a oscilação verificada no volume de óleo de soja embarcado seja conseqüência do aumento da demanda das usinas de biocombustíveis. Segundo ele, esse aumento "é facilmente atendido pela atual capacidade das indústrias brasileiras de esmagamento de grão e extração de óleo", e o perfil de exportação do País não seria em nada alterado. A capacidade instalada das indústrias produtoras de biodiesel é de três milhões de metros cúbicos ao ano. O B3 vai fazer circular no mercado brasileiro 1,3 bilhão de litros de biodiesel, 80% produzido a partir do óleo de soja.

Para a indústria de óleo, o fato de o produto permanecer no mercado interno não incomoda mais que as tarifárias elevadas. "Desde 97, o Brasil já perdeu US$ 19 bilhões de market share e agora vai perder ainda mais, calcula César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, companhia produtora de óleo de soja e de biodiesel.

Da Agência